segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Ajudando a ressoar o Grito dos Excluídos/2026

Ajudando a ressoar o Grito dos Excluídos/2026


Alder Júlio Ferreira Calado


Pela 32º edição, realiza-se, nas mais diversas áreas do Brasil, mais um “Grito dos Excluídos e Excluídas”, um relevante acontecimento social resultante das frutuosas “Semanas sociais”, promovidas pela CNBB, entre 1993 e 1995, quando ainda convivíamos com uma geração de Bispos profetas. Durante a chamada Semana da Pátria, culminando no dia 07 de Setembro, após fecundos preparativos, e inspirados em um tema alusivo aos principais desafios da conjuntura brasileira, as classes populares tomam as ruas de centenas de municípios brasileiros, animadas pelas Pastorais Sociais, os Movimentos Populares e os Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras, a protestarem e reivindicarem o cumprimento efetivo de políticas públicas.  


Neste ano, o Grito dos Excluídos e Excluídas tem por tema “Vida em Primeiro Lugar: Na defesa da Terra, da Paz, e Moradia, erguemos a voz: Mulheres vivas e Soberania!” a edição do Grito deste ano se realiza em uma conjuntura extremamente distópica, seja em escala mundial - célere avanço das forças nazi-fascistas liderado pelo Império americano-sionista, inclusive espalhando-se pela América Latina, seja pela grave ameaça perpretada mais uma vez, a frágil “Democracia” brasileira, mais uma vez ameaçada pela continuidade golpista, mais do que antes favorecida pela susseção de gigantescos escândalos financeiros promovidos pela “fina flor” da classe dominante: as grandes plataformas, os bancos privados, as diversas instâncias do Estado, com a cumplicidade da mídia hegemônica. 


Refletindo sobre o sentido do Grito deste ano, tratamos de realçar as inquietações maiores contidas no lema da presente edição. A reafirmação de “Vida em primeiro lugar!” segue insistindo e resistindo ao sistema de morte - dos humanos e demais viventes -, em permanente agressão monstruosa aos nossos biomas, bem como às classes populares, das quais as Mulheres constituem a maioria, quer na sociedade, quer nas Igrejas, sem que tenhamos sinais promissores de efetiva mudança tanto na sociedade quanto nas Igrejas. Tanto nos espaços societais quanto no âmbito das próprias Igrejas cristãs, o que mais constatamos é a vasta prevalência de um silêncio ensurdecedor, dando a entender ser inútil esperar mudança mais consistente da parte da hierarquia das Igrejas Cristãs - um claro convite aos diversos Movimentos de Mulheres a ensaiarem passos mais ousados de reverem seu apoio substantivo as estruturas eclesiásticas vigentes. O que seria das Igrejas Cristãs sem a participação das mulheres? Com relação mais direta ao crescimento, no Brasil e alhures, dos índices de feminicídios e de outras formas de violência contra as mulheres, não temos o direito de nos resignar, mas o dever de nos juntarmos aos diversos Movimentos de Mulheres, espalhados pelo Brasil e pelo mundo, a exemplo da Marcha Mundial de Mulheres, da Marcha das Margaridas, do Movimento das Mulheres Indígenas, Movimento das Mulheres Negras, entre outros.


Outra bandeira constante do lema do Grito deste ano acena para a luta pela Terra, no campo e na cidade. Já não é possível tolerar que em um país tão extenso, apenas pouco mais de 20% das terras agrícolas estejam cuidadas por quem nelas vive e trabalha: os trabalhadores e trabalhadoras da Agricultura Familiar. Não é aceitável que cerca de 80% das Terras Agricultáveis sejam controladas por uma pequena minoria da população, detentora-mor das riquezas do Agronegócio, que envenena o subsolo, os rios, a Terra, as plantas e os animais, inclusive os seres humanos. Menos ainda aceitável por conta dos gravíssimos conflitos daí recorrentes, haja vista os registros de assassinatos e de conflitos registrados pela CPT e pelo CIMI.


Moradia constitui outro sonoro grito. Já não é possível tolerar a existência de tanta gente sem casa, em um país tão rico em terras, em minérios, em florestas, em água, etc. Conforme dados de pesquisas feitas no âmbito da UFMG, e divulgados pela Agência Brasil, lidamos com dados escandalosos: eis que mais de 365 mil pessoas estão em situação de rua no Brasil. Como não reconhecer a relevância social do trabalho daqueles e daquelas que, pelo Brasil afora, a exemplo de Pé. Júlio Lancellotti que se batem dia a dia, ao lado do povo de rua, lutando pelo reconhecimento de sua dignidade?! E o que dizer de milhares de casas e apartamentos fechados, durantes longos períodos, apenas para atenderem ao luxo de famílias ricas? De fato, o problema de moradia constitui uma de nossas tremendas chagas sociais.


A luta por soberania constante, o lema desta trigésima segunda edição do Grito dos Excluídos e Excluídas, resulta ainda mais urgente, nesta quadra dantesca de crescentes ameaças do Império Americano-Sionista à autonomia dos Povos Latino-Americanos. Não bastassem suas investidas a tantos Países Latino-americanos, eis que também o Brasil se inclui como o próximo grande alvo dos ataques imperialistas, visando à pilhagem de nossas riquezas, especialmente de nossas terras raras. Cenário ainda mais tenebroso, quando sabemos a enorme rendição dos candidatos da Direita, em cínico apoio ao projeto imperialista.


Ajudemos a ampliar a Força do Grito, de todas as formas ao nosso alcance!


João Pessoa, 07 de Setembro de 2026.

sábado, 5 de setembro de 2026

O Estado como alvo predileto de pilhagem pela Direita: a escancarada privatização de fundos públicos

O Estado como alvo predileto de pilhagem pela Direita: a escancarada privatização de fundos públicos 


Alder Júlio Ferreira Calado 


Favorecida ainda mais pela ascensão das forças nazi-fascistas, em escala internacional, inclusive no Brasil, a Direita brasileira segue encontrando, no processo eleitoral, terreno fértil para a sua expansão. Os Partidos de Direita protagonizam a corrida eleitoral, com amplas vantagens pela mídia hegemônica, com uma sucessão de candidatos e partidos a divulgarem toda sorte de mentiras que, uma vez repetidas “ad nauseam”, infelizmente acabam fazendo a cabeça de parte expressiva da população. Salvo exceções, as numerosas e dispendiosas pesquisas de opinião servem para sedimentar, na maioria dos eleitores e eleitoras, as ideias distorcidas da realidade.  


A mídia hegemônica esconde, desta forma, o que fundamentalmente, está em jogo, antes, durante e depois das eleições: os inúmeros processos de pilhagem pela classe dominante das riquezas do País. Com ou sem eleições, tendem a prosperar. Nas linhas que seguem, chamaremos a atenção para alguns dos casos mais escandalosos de rapinagem pelas forças da Direita, em andamento, no País. Em seguida, ousamos sugerir alguns procedimentos de resistência e enfrentamento da classe dominante, por parte das forças de Esquerda. 


A Direita investe no Estado como seu alvo predileto de rapinagem


Têm-se tornado uma praxe a divulgação da ideologia do “Estado mínimo” como a grande aspiração das forças de Direita. Um tremendo engodo! as forças de Direita, pela contrário, não funcionam sem a pilhagem contínua dos recursos e das instâncias do Estado. O próprio Estado têm como função precípua atender graças aos seus diversos aparelhos (o aparelho executivo, o aparelho legislativo, o aparelho judiciário e o aparelho repressivo), garantir os interesses da classe dominante, ainda que fazendo concessões de pouca monta a enorme maioria da população. De tantos meios a que recorre a classe dominante, um deles tem a ver com os grandes fundos públicos controlados pelo Estado. Trata-se de polpudas reservas amealhadas sob o controle do Estado que, em tese - apenas em tese -, se destinariam ao conjunto do povo brasileiro. 

Destes fundos públicos, os fundos destinados a pensão e aposentadoria dos trabalhadores e trabalhadoras o fundo reservado aos escandalosos juros da dívida pública o Fundo Partidário (atualmente, 4,9 bilhões de reais destinados ao financiamento dos partidos com representação na câmara e no senado: eis a razão pela qual há dezenas de partidos…), o Fundo Eleitoral, por sua vez monta, sempre conforme dados oficiais, a quase 5 bilhões de reais. Sob o pretexto de evitar o financiamento empresarial comete-se a barbaridade de dotar os partidos, de maneira proporcional ao número de suas bancadas no Senado e na Câmara, de quase 10 bilhões de reais, somando-se o Fundo Partidário com representação nas casas parlamentares. Convém lembrar que, “por debaixo dos panos” - e às vezes nem tanto -, as grandes empresas nunca deixaram de financiar parte expressiva dos deputados e senadores para não falarmos também nos demais entes da Federação. E oque dizer das insultuosas emendas parlamentares cujo montante alcança em torno de 50 bilhões de reais?.


Trata-se, com efeito, de um sistema essencialmente corrupto. Surreal, neste sentido, passa a ser a corrupção um dos temas dominante da mídia comercial e dos próprios segmentos da Direita. Chega a ser inclusive a marca essencial dos grandes empresários lançarem contra as forças de Esquerda, em busca de aparentar comportamento honesto quando a própria corrupção constitui o fator mais relevante do seu enriquecimento. Não raramente, tal estratégia logra êxito junto às camadas populares, bombardeadas que são vinte e quatro horas por dia, pela televisão, pelo rádio, pelos jornais, a introjetarem essa ideologia. Assim resulta altamente vantajosa para a burguesia tal estratégia, à medida que inculcar na cabeça da maioria da população a ideia é mesmo a convicção de que é a esquerda a grande vilã dos escândalos financeiros e outros que engordam fundamentalmente a burguesia.


Pistas de resistência e de enfrentamento da Direita 


Sem desconhecer que o inacabamento constitui uma marca dos humanos - daí os vícios, inclusive a corrupção -, temos repetido, à saciedade, a essência corrupta do modo de produção capitalista, fundamentalmente sustentado pela violência, pela mentira e pelo cinismo. Para tanto, a classe dominante se empenham em esconder, aos olhos da classe trabalhadora seu infindável repertório de estratégias e táticas de ocultar sua essência de corrupção, valendo-se, para tanto, dos aparelhos de Estado (Executivo, Legislativo, Judiciário e repressivo), bem como da mídia hegemônica para ludibriar a consciência dos “de baixo”, de modo a fazê-los crer em suas mentiras corriqueiras uma as quais, a de que a corrupção é obra das forças que se opõem a sua dominação. 


Eis por que se faz necessário e urgente dotar as classes populares de instrumentos que lhes permitam a formação da consciência crítica como primeiro passo de uma resistência eficaz a tal estado de coisas. Trata-se de ajudar os “de baixo” a fazerem uma “leitura de mundo” (Paulo Freire), aprendendo e exercitando análise de conjuntura, recorrendo a fontes de informação alternativas à mídia hegemônica, de modo a perceberem as raízes mais profundas deste sistema de opressão. Tal processo formativo também implica o constante exercício da memória histórica dos oprimidos, como uma condição para fortalecer nossos compromissos cotidianos como processo de transformação social, a parte de nós mesmos. Ao mesmo tempo, somos instados a aprimorar o processo organizativo e de lutas, sempre em busca de ir superando nossos próprios limites por meio da autocrítica. 


João Pessoa, 05 de Setembro de 2026