sexta-feira, 13 de março de 2020

Operário da palavra, a serviço da tradição de Jesus: presença de Frei Carlos Mesters em João Pessoa

Operário da palavra, a serviço da tradição de Jesus: presença de Frei Carlos Mesters em João Pessoa

Alder Júlio Ferreira Calado


Nas pegadas de Jesus, que passava pelas Aldeias da Galileia, a fazer o bem, também Frei Carlos Mesters nos tem dado testemunho de sua discipular fidelidade à causa do Reino de Deus e sua justiça. Nestes últimos dias, diversas comunidades de João Pessoa tiveram a graça de contar com a presença de Frei Carlos Mesters, a brindar-nos com sua operosidade e seu encorajamento jovial. Aos 88 anos, Carlos Mesters segue sendo uma das mais preciosas referências de Missionário, junto a tantas comunidades cristãs de base, no Brasil, e mesmo para além das fronteiras deste país. De tal modo tem sido a contribuição de Frei Carlos mesters, na permanente tarefa evangélica de animação das comunidades cristãs, alimentadas pela palavra de Deus, em especial por meio dos círculos bíblicos, que a mera expressão "círculos bíblicos" nos remete espontaneamente a figura deste missionário itinerante.

A convite de uma comunidade que segue alimentada constantemente pela palavra de Deus, mediante o círculo bíblico, já há mais de 10 anos, com animação das Irmãs Carmelitas (congregação a qual está vinculado Frei Carlos mesters - ), Frei Carlos Mesters nos brindou com sua memorável presença. Contribuição valiosa a partir da iniciativa do Círculo bíblico da Comunidade de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, do bairro Altiplano João Pessoa. Eis que por alguns dias, as participantes e os participantes deste círculo bíblico, animado pelas Irmãs Carmelitas, tantas outras comunidades cristãs, vizinhos de outros bairros da capital paraibana, tiveram a graça de também compartilhar a reflexão sempre muito animadora, trazida por Frei Carlos Mesters. O tema central que serviu de mote às reflexões feitas pelo reconhecido biblista prendeu-se ao Evangelho de Mateus



Com uma significativa presença (com vária dezenas de pessoas), a comunidade de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, pela iniciativa das Irmãs Carmelitas ali atuantes, várias pessoas participantes do referido Círculo bíblico, Frei Carlos Mesters nos brindou com sua instigante reflexão, sempre de modo denso, claro, objetivo, acessível a todos/a todas que o escutam. Nas linhas que seguem, ousamos destacar pontos fortes de sua reflexão.

Em sua fala inicial, Frei Carlos Mesters cuidou de fornecer preciosos elementos, característicos do seu trabalho como biblista, em meio a tantas comunidades cristãs que anima, no Brasil e na América Latina. Destacou como chave principal de seu trabalho hermenêutico 3 aspectos mutuamente conectados: a realidade, a Bíblia e a comunidade. A realidade aparece, em seus estudos e trabalhos de exegeta, como o ponto de partida, bem a semelhança do método aplicado por Jesus de Nazaré. Não é por acaso a lembrança dos traços fundamentais do trabalho itinerante de Jesus, pelas aldeias da Galileia enquanto caminhava com a gente do Povo, com seus discípulos e discípulas, o próprio lhe servia de inspiração: a estrada, as plantas à beira da estrada, os espinhos, as flores do campo, o trabalho do Agricultor, tudo se transformava em matéria prima de sua evangelização. A exemplo de Jesus, também Frei Carlos Mesters trata de focar continuamente sua atenção sobre as muitas particularidades, relativas à natureza, às pessoas, às relações interpessoais, intergrupais, tudo transformando em ponto de partida para o anúncio da Boa Nova. Não se trata, lembrava Frei Carlos Mesters, de um professor a ministrar aulas aos seus alunos e alunas. Jesus se empenhava em provocar, em despertar nas pessoas que os seguiam um interesse na Palavra de Deus, a quem Jesus tratava, em sua intimidade, como pai ("aba”: papai).

O segundo aspecto em que se apoia o jeito de trabalhar de Frei Carlos Mesters - um dos fundadores do Cebi centro ecomenico de estudos bíblicos - tem a ver com a própria sagrada escritura. partindo dos Desafios da realidade, enfrentados pelos discípulos e discípulas de Jesus (mesters fazia alusão ao discipulado exercitado, não apenas pelos 12 apóstolos e pelas 7 Mulheres que o seguiam, que o serviam, e que com eles subiram até ao Calvário, mas também da multidão que Jesus de Nazaré, profeta itinerante da Judeia da Galileia, acompanhava). A Sagrada Escritura constitui a baliza, a referência principal, a partir da qual a realidade, cercada de todo tipo de desafio, passa a constituir no exame consciencioso entre o que se passa na realidade concreta e o quê o espírito do ressuscitado inspira aos caminhantes, mulheres e homens. Outro aspecto complementar é a comunidade, aquela que é chamada pelo Espírito do ressuscitado a tornar presentes, já agora, os sinais do reino de Deus, no mundo.

Feita esta introdução de caráter metodológico, Frei Carlos Mesters conduz sua reflexão a situar o evangelista Mateus em seu contexto histórico "Quem era Mateus?" A partir daí, ele passa a situar o processo de registro do primeiro Evangelho canônico. Lembra que se trata de uma tarefa, assumida por Mateus (chamado Levi, o animador), registrar aspectos do que ele pôde escolher de outros apóstolos e de várias comunidades, ditos e feitos de Jesus de Nazaré, Quase meio século após a crucifixão do mestre no início da década de 80 do primeiro século, Mateus apresenta o que ele pode escolher e sistematizar, acerca de Jesus, em sua missão itinerante pelas Aldeias de Galileia, tendo como objetivo principal animar os judeus convertidos ao cristianismo, em uma organização fragilizada pela perseguição movida pelos judeus não convertidos ao cristianismo, após sua expulsão das sinagogas. Por que, para Mateus, era importante destacar a narrativa evangélica como uma apresentação de Jesus como o Messias, como aquele que fora predito pelos profetas da antiga aliança? Com efeito, o Evangelho de Mateus, por meio de temas candentes, trata de fortalecer a convicção e a disposição missionária daqueles judeus convertidos ao cristianismo, presentes em Israel e na Síria.

Ainda na parte introdutória de sua frutuosa reflexão sobre o Evangelho de Mateus, e recorrendo também a outros evangelistas, Frei Carlos Mesters, entre tantos outros aspectos, abordou o jeito característico de Jesus Evangelizar, em especial a importância que ele dava ao próprio caminhar. Ao caminho vive a peregrinação de tal modo que o rico episódio acerca dos discípulos de Emaús destaca bem este jeito de Jesus exercitar sua missão. Põe-se a caminho. Observa que discípulos vão à frente, e Jesus apressa o passo até alcançá-los. Não se empenha em falar, antes, em escutar o que diziam aqueles caminhantes, perguntando-lhes sobre o assunto que estavam a destacar, em seu caminho. Respondem ele que estavam a lamentar o quê, havia bem pouco, tinha sucedido em Jerusalém, envolvendo a figura de Jesus de Nazaré, que eles acreditavam ser o Messias poderoso, que enfrentaria e venceria seus adversários. Mas, lamentavam profundamente pelo que sucederá . e estranhavam da parte daquele que os acompanhava sua ignorância em relação àquela ocorrência. Jesus, por sua vez, pretendia mesmo escutar aquele profundo lamento, e pacientemente aguardar o momento oportuno de despertar-lhes a consciência enquanto caminhavam. Jesus também compartilhava elementos fundantes da Sagrada Escritura, de modo a fazer arder o coração dos discípulos de Emaús. Dizia Frei Carlos Mesters: a Palavra de Deus faz arder o coração dos que a escutam, mas o despertar mais forte da consciência e do compromisso se dá mesmo é pela força dos gestos, da prática. Aludia ao jeito de Jesus, quando convidado pelos discípulos de Emaús a pernoitar com eles, e enquanto ceavam, observaram o modo como Jesus partiu o pão, fazendo assim despertar sua consciência da força da Sagrada Escritura e, sobretudo, despertar o seu compromisso com a causa do Evangelho, razão por quê cuidaram de retornar, sem medo, a Jerusalém, a pregar o que é compartilhado, na Companhia de Jesus. 

Recorrendo ao Evangelho de Lucas, Frei Carlos Mesters empenhou-se em focar passagens mais fortes da narrativa de Lucas, tais como: a passagem relativa à parábola do samaritano; o modo contundente de Jesus de mostrar as diferenças entre as lições da antiga aliança e as da nova Aliança, para o quê recorreu ao conhecido Sermão da Montanha ( Mt. capítulos 5 a 7), sublinhando certos ditos de Jesus "na antiga aliança se dizia assim: olho por olho e dente por dente, mas eu lhe digo, amem seus inimigos e rezem por eles.” É desconcertante a mensagem revolucionária de Jesus. Ao mesmo tempo, faz menção a passagens em que Jesus faz compor o seu grupo de pessoas com características bastante diversas: de um lado, chama para o seu grupo um cobrador de impostos (caso de Mateus), enquanto de outro chama alguém marcado por uma resistência política mais ativa ao regime de então.

E assim, Frei Carlos Mesters, sempre de forma contundente, acessível jovial, aos seus 88 anos, mostrando-se bastante disposto e com saúde, para compartilhar sua reflexão por cerca de 2 horas, encheu de alegria os corações das pessoas ali presentes.

Eis, em breve um testemunho do que dele ouvimos, observamos e sentimos: um missionário itinerante a serviço da tradição de Jesus, do Reino de Deus e sua justiça.

Acerca da vasta obra da lavra de Frei Carlos Mesters, destacamos e recomendamos, de memória, os seguintes: “Canto na Fogueira (Cartas de Frei Betto, Frei Ivo e Frei Fernando, quando prisioneiros da Ditadura Civil-Militar)”, “Por trás das palavras,” “Seis dias nos Porões da Humanidade”, “Flor sem Defesa, Deus, onde está você?”, “Bíblia livro feito em mutirão”, “Como ler o livro de Rute, Pão Família Terra”, “Apocalipse, Esperança de um povo que luta O Apocalipse de São João: Uma chave de leitura”., “Paulo Apóstolo: um trabalhador que anuncia o Evangelho”.

João Pessoa 13 de março de 2020.

terça-feira, 10 de março de 2020

COPARTICIPAÇÃO FEMININA NOS DIVERSOS AMBIENTES: concessão ou direito, que se vai conquistando?


COPARTICIPAÇÃO FEMININA NOS DIVERSOS AMBIENTES: concessão ou direito, que se vai conquistando?

Alder Júlio Ferreira Calado

Cavoucando nossas memórias de rebeldia vêm-nos à tona emblemáticos episódios de lutas do final do século XIX. Em face das crescentes agruras ensejadas pelo processo de acumulação capitalista, naquela fase da chamada Revolução Industrial, da qual eram vítimas as classes populares (Operários, mulheres, crianças….), estas tratavam de opor sua resistência, do modo como podiam. Assim sucedeu às mulheres, inclusive. Daí nascem iniciativas memoráveis de resistência, a exemplo da criação do Dia mundial do Trabalhador (Primeiro de Maio), o Dia internacional da Mulher. Tais iniciativas seguem inspirando as vítimas, ainda hoje. Delas continuamos a nos inspirar, especialmente no que diz respeito à sua capacidade de resistência. Ainda que todos os dias correspondam ao dia de cada mulher, o dia 8 de Março lembra, de modo muito especial, as lutas das mulheres, pelo mundo afora, nos mais diversos espaços sociais, tanto concernentes à sociedade civil como aos distintos espaços eclesiais.

Nas linhas que seguem, cuidamos de compartilhar inquietações nossas acerca do lugar que continua a ser reservado às mulheres, tanto na sociedade quanto nas igrejas cristãs. Após algumas considerações críticas acerca deste desafio, ousamos compartilhar alguns questionamentos, com o propósito de contribuição ao debate.

Acompanhando o desenrolar dos fatos sociais, econômicos, políticos e culturais, em nossa desafiadora atualidade, dedicamos especial atenção ao segmento das mulheres, que, como se sabe, correspondem à metade da população mundial e de cada país. Que lugar lhes tem sido reservado, nas tomadas de decisões, seja no campo macrossocial, seja no campo das diferentes denominações cristãs?

Multiplicam-se, a este respeito, as estatísticas oficiais, dando conta dos escandalosos índices relativos à condição feminina, desde os assustadores de feminicídio e de formas de violência contra as mulheres. Percorrendo nosso olhar sobre diferentes instâncias econômicas, políticas, culturais e religiosas, somos ainda surpreendidos com o lugar que, nas instâncias de decisão, segue sendo reservado às mulheres. Na esfera econômica, por exemplo, resulta espantoso o que se tem reservado, em matéria de ocupação de liderança no campo empresarial,  na atribuição de remuneração, nos índices de empregabilidade, quanto ao percentual de pobres (mulheres em sua grande maioria) no mundo, na ausência ou evidente insuficiência de mulheres como sujeitos de decisão, em indistintos campos: na saúde, no trabalho, no próprio campo esportivo, nos cargos de gerência. O mesmo sucede, no campo político: que percentual de mulheres vem ocupando o Legislativo (câmaras municipais, assembleias legislativas, Câmara Federal, senado da República), no Executivo (em todas as esferas), no âmbito do Poder Judiciário, em suas distintas esferas, qual o percentual de mulheres que ocupam tais instâncias? Nas Forças Armadas e na estrutura militar geral, qual o lugar ocupado pelas mulheres, especialmente nos cargos de comando?

No campo específico das igrejas cristãs, a realidade não se mostra tão diferente. Na Igreja Católica Romana, por exemplo, qual é o lugar ocupado pelas mulheres, que constituem a metade da Comunidade Católica Mundial? A este respeito, vem-nos a lembrança um episódio marcante, que se passou em uma das aulas conciliares do Vaticano II (1962 -1965), ao qual voltaremos mais adiante, ilustrando a insensibilidade dos padres conciliares acerca da condição feminina, como sujeito de decisão ao interno da Igreja Católica Romana. Tantas décadas depois, estando ainda a nos defrontar com graves impasses não equacionados.

É certo, no entanto, que de lá para cá temos acompanhado, um pouco por toda a parte, o empenho dos movimentos feministas, dos quais tem resultado algumas conquistas, que devemos saudar com entusiasmo. De fato, graças a essas constantes lutas empreendidas pelas mulheres em movimento, muitas conquistas relevantes têm sido alcançadas, mas ainda estamos longe de um razoável equacionamento, em especial no que diz respeito à paridade de sujeitos, quando se trata da tomada de decisões seja ao interno da Igreja Católica Romana e de outras igrejas cristãs, seja no espectro econômico, político, cultural no terreno macrossocial.

Nas linhas que seguem, ousamos levantar alguns questionamentos, com o propósito de alimentar este debate. Sem desconhecermos e aplaudindo conquistas femininas ou feministas, em distintas áreas da vida social e eclesial até que ponto é possível nos darmos por satisfeitos e satisfeitas em relação a tais conquistas? No âmbito macrossocial, quem, hoje, segue tomando as decisões fundamentais da vida social, política, cultural e religiosa? 

No plano econômico, por exemplo, quem toma as decisões relativas a este processo insuportável de financeirização esdrúxula do capitalismo em sua fase/face mais perversa - a do financista, do rentismo, marcado pela crescente expansão do parasitismo, manifesta às escâncaras, por exemplo, nos escandalosos paraísos fiscais? 

Em orgânica associação da praga financista com outros setores do capitalismo (setor produtivo, e os que atuam nas atividades comerciais e de serviços), como separar os malefícios produzidos por este sistema de barbárie?

É ou não possível, necessário e urgente, também para os sujeitos femininos, ousarmos empreender passos processuais em busca de um modelo societal de organização, que se mostre concretamente alternativo à barbárie do capitalismo? É ou não é urgente que enfrentemos, juntos - mulheres e homens de todos os recantos - o desafio de empreendermos passos convincentes em direção à construção de um novo modo de produção, de um novo modo de consumo e de um novo modo de gestão societal? Modo de produção que se traduza pela capacidade de responder às graves e crescentes carências materiais e às necessidades imateriais do gênero humano, em harmonia e respeito à dignidade da mãe natureza? É ou não é urgente ousarmos passos no horizonte de um modo alternativo que repense criticamente e decida que prioridades devemos assegurar quanto ao processo produtivo? O que priorizar no amplo e complexo processo produtivo? No campo do setor primário, por exemplo, como vamos cuidar das atividades extrativistas, de modo a não agredir a mãe natureza? Como priorizar uma produção agrícola e de criação de animais, que responda às necessidades materiais concretas do conjunto de habitantes do nosso planeta, sem agressões ao meio ambiente? O mesmo somos chamados e chamadas a perguntar, quanto aos setores industrial, de comércio e de serviços. E mais: o quê dessa ampla lista de produtos deve ser priorizado, em função não de pequenos grupos monopolistas nacionais e internacionais, mas das necessidades reais do conjunto da população, em harmonia às condições de cuidado de que nosso planeta deve ser alvo? Que condições de trabalho devem ser asseguradas, na produção de bens e serviços? Quem é chamado a trabalhar, nestas atividades, de modo a respeitar a equidade de gênero, na realização destas tarefas? A quem se destinam tais produtos? Trata-se, como se pode perceber, de algumas questões às quais tantas outras devem ser acrescentadas, todas visando a superação processual das desumanas desigualdades que caracterizam o atual modo de produção.

Qual o lugar das mulheres, nas instâncias de decisão? Em outras tantas igrejas cristãs, a pergunta merece ser refeita. Constatação que não vem de hoje. Há cerca de um século, este debate vem sendo mantido, ainda que em círculos minoritários destas igrejas cristãs ainda em uma das últimas sessões do Concílio Vaticano segundo (1962 -1965). Um dos Cardeais - O Cardeal belga Leo-Josef Suenens-, em uma das aulas conciliares, ousou pedir aos padres conciliares presentes àquela sessão, que olhassem para seus lados, e perguntou: onde está a outra metade da igreja aqui representada? Em outras palavras, suscita o espanto geral, diante da escandalosa ausência das mulheres, no momento em que assuntos decisivos para a caminhada da Igreja Católica Romana, de modo a excluir completamente a participação feminina naquelas decisões. Aqui, não nos referimos a uma presença simbólica de mulheres - religiosas e leigas - (que, de fato, aconteceu) como assistentes, espectadoras, excluídas, porém, do direito a voz e ao voto, comum acontecia aos varões.

Diante destas constatações, somos todos interpelados, primeiro, a reconhecer a grave injustiça que as mulheres vêm sofrendo, tanto no espectro macrossocial, quanto ao interno das igrejas cristãs. Em um caso e outro, não obstante sua crescente participação nos diversos ambientes societais e eclesiais, não se trata de participação nas decisões em tais ambientes. É justamente disto que aqui se trata. Nosso grande desafio continua sendo: que passos históricos somos convocados a empreender, numa perspectiva de urgente necessidade de correção de rumos e de procedimentos, em busca de perseguirmos o horizonte almejado? 

Uma primeira pista, neste sentido, a merecer nossa consideração, diz respeito a termos presente que tipo de sujeito histórico melhor corresponde à tarefa principal de protagonizar este passos. Mais uma vez, centramos nossa atenção naquelas forças históricas que têm tido o papel central de priorizar e efetivar passos, nesta direção. Ao longo da história, as mudanças sociais de expressão foram, com efeito, obra principalmente dos movimentos sociais populares, seguidos ou acompanhados por outras forças comprometidas com o mesmo horizonte. Em breve, estamos nos referindo a uma verdadeira sociedade em movimento, cujo dinamismo pressupõe um leque de forças sociais organizadas, seja como resistência à dominação sofrida, seja principalmente como agentes ousando construir uma alternativa à tal ação hegemônica. Neste sentido, referimo-nos a um conjunto de forças protagonistas, parceiras e aliadas na construção do mesmo horizonte. Trata-se, fundamentalmente, das classes populares, contando com seus parceiros e aliados, presentes tanto no universo sindical quanto em um amplo leque de partidos situados no campo popular, progressista, democrático, de clara oposição aos fundamentos do sistema capitalista, em especial em oposição ao seu setor mais parasitário e destrutivo, como vem sendo o setor financeiro.

Por outro lado, não basta uma definição quanto às forças historicamente chamadas a opor uma efetiva resistência à barbárie capitalista em vigor, mas também é preciso contar com forças que tenham clara consciência de suas tarefas desafiantes. Em se tratando de uma luta contínua e gigantesca contra um inimigo tão forte, tão historicamente enraizado, em escala internacional e nacional, que tem acumulado séculos de experiência de exploração, opressão e marginalização da imensa maioria dos cidadãos e cidadãs, bem como desrespeitando a dignidade do planeta, tendo apenas como alvo de enriquecimento predatório. Tal consciência histórica com que se deve contar, em relação a este "novo Príncipe", é preciso também compreender a complexidade e a extensão dos seus mais distintos perfis, indo muito além de entender tais sujeitos como um bloco monolítico, composto tão somente por algumas marcas de caráter econômico, ou de caráter político ou de caráter cultural, compreendendo como um sujeito necessariamente pluriforme, de forma profundamente conectada, em suas dimensões econômica, política e cultural.

A despeito da enorme polissemia que gira também em torno do conceito "Classe social", é justamente este conceito ou, melhor ainda, esta experiência histórica da qual partimos para definir melhor os protagonistas das urgentes e necessárias mudanças almejadas. É claro que não o fazemos, reduzindo tal conceito a sua compreensão dominante no século XIX mesmo no século XX. Sem abrirmos mão de elementos identitários então presentes, estamos certos de que aqueles traços já não são suficientes para o enfrentamento exitoso dos desafios atuais. Há de ser atualizado tal conceito, entendendo "classe social" ou "classe trabalhadora", não apenas em sua dimensão econômica, como mera força de trabalho ou mesmo como uma mera dimensão produtiva, desafiado por uma conjuntura ou mesmo por uma estrutura que se circunscrever aos seus traços meramente produtivos ou econômicos, mas, sem desprezo destes mesmos traços, somos historicamente chamados a situar aqueles traços em um espectro bem mais complexo e amplo, de modo a nos darmos conta de que o "novo Príncipe" há de ser entendido para além de suas características produtivas, de modo a tomar necessariamente em consideração outras marcas igualmente relevantes que devem ser acrescentadas, na atualização do conceito "classe social" ou "classe trabalhadora". Portanto, somos instados, por força das mudanças históricas recentes e menos recentes, a considerar criticamente este mesmo sujeito histórico, protagonista das novas mudanças urgentes, como um sujeito que, além de ser produtor, também acumula outras marcas não menos importantes, tais como: sua caracterização nas relações sociais de gênero, de etnia, de geração de espacialidade, de subjetividade, entre outras. Há cinquenta ou cem anos atrás, o problema sócio ambiental, por exemplo, não despontava como uma prioridade tão relevante, como vem assumindo de algumas décadas para cá. O mesmo deve dizer-se em relação a marcas deste mesmo sujeito, no campo das relações de gênero, etnia, de geração, de relação com o sagrado.

Inspirados também no Dia Internacional da Mulher, mas não apenas nele, tomemos como exemplo a urgência de situarmos de modo adequado as relações de gênero na caracterização deste sujeito histórico, isto é, da "Classe Trabalhadora". Trata-se de entendermos, uma vez por todas, que as mulheres constituem metade da Classe Trabalhadora, estes são o direito e o dever de participarem nas decisões fundamentais de organização social, nos mais variados ambientes de que participam mulheres e homens.

Muitos são os grupos de pesquisa feministas que continuam trabalhando sobre a necessidade, para uma compreensão objetiva das relações de gênero, de modo a não mais lidar-se apenas com com as relações sociais de gênero, como condição única para entender as demandas históricas das mulheres. Consolida-se, neste sentido, a compreensão de que não se pode dar conta satisfatoriamente dos desafios apresentados pelas relações sociais de gênero, sem vinculá-las organicamente a tantas outras dimensões dos sujeitos femininos, igualmente relevantes. Isto significa, por conseguinte, ao mesmo tempo em que pesquisadoras e pesquisadores, militantes e ativistas - mulheres e homens - se dão ao trabalho de investigar as múltiplas demandas e aspirações das mulheres, enquanto pólo das relações de gênero, devem também associar todas essas demandas e desafios a outras dimensões das quais as mulheres são igualmente portadoras. Com efeito, buscar responder ao desafio de compreensão e análise da condição feminina, implica necessariamente o compromisso investigativo e ético-político tomar em conta as múltiplas conexões da condição feminina, em sua historicidade. Significa, ademais, compreender e tomar a sério que, ao se falar em mulheres, somos instados a compreendê-las como partícipes de uma complexa e vasta rede de relações, a envolver igualmente sua dimensão étnica (mulheres indígenas, mulheres afrodescendentes e de outras procedências étnicas), sua dimensão geracional (implicando as articulações existentes entre as várias idades), a dimensão espacial - as diversas procedências histórico-geográficas e culturais: campo, cidade, diferentes regiões, diferentes países e continentes  -, sua condição em relação ao sagrado, bem como outras dimensões que completam os requisitos para uma leitura objetiva ou menos imprecisa da condição feminina. 

Ousamos, ainda, assinalar que todas essas dimensões se acham atravessadas por uma outra, a dimensão de classe social, uma vez que, diferentemente de abordagens economicistas hegemônicas em séculos passados, somos instados a perceber a incidência da experiência de classe social ou classe trabalhadora nas múltiplas dimensões que constituem ou compõem historicamente a condição feminina. Urge, portanto, entendermos a relevância da experiência ou da incidência de classe social, como um fio condutor a atravessar, costurando-as, todas as demais dimensões da condição feminina. 

A este respeito, importa tomar cuidado com uma certa banalização do feminismo, que sói produzir-se especialmente em efemérides do calendário civil (por exemplo, Dia Mundial da Mulher), em que certas figuras de referência - sobretudo, as tomadas como paradigmáticas pela mídia corporativa - são apresentadas trazendo um discurso “feminista” completamente desvinculado não somente das dimensões étnica, geracional, espacial…, mas sobretudo desvinculado da dimensão de classe. Um exemplo bem ilustrativo é o que se costuma propagar, nestas ocasiões, incentivando as mulheres a participarem dos processos eleitorais como candidatas, dando a entender que basta ser do sexo feminino para se cumprir uma agenda feminista. Ainda ontem, na TV Cultura, foi entrevistada pelo programa Roda Viva a Senadora Simone Tebet, a confirmar tal discurso, exaltando com toda a força o “êxito” das “reformas”, em especial a da “reforma trabalhista”...

No caso da busca de alterações nas estruturas organizativas da Igreja Católica Romana - e de outros espaços eclesiais -, importa analisar e debater várias possibilidades que se abrem, em vista de passos concretos na direção da superação dos desafios presentes. Um destes passos pode ser ou partir do entendimento de que todo o conjunto da Comunidade Católica tem como característica comum o batismo. A experiência batismal, com efeito, confere um ponto de igualdade que atravessa a todos os católicos e católicas, independentemente dos segmentos dos quais façam parte, independentemente de serem leigas e leigos, religiosos, religiosas ou ordenados. Uma vez tomada a sério tal marca comum, torna-se possível evoluir, mas, em direção a um entendimento comum alternativo aos atuais critérios de definição dos sujeitos de decisão, ao interno da Igreja Católica Romana.  

Neste sentido, tal como tem ocorrido, sob a inspiração da colegialidade, marca do Concílio Vaticano II, que deveria inspirar a descentralização das decisões entre Bispos, Presbíteros e Diáconos (todos ordenados), de modo semelhante poder-se-ia avançar no sentido de ampliar o alcance desta mesma colegialidade, estendendo-a aos demais segmentos. Isto, aliás, já acontece, em relação aos religiosos e religiosas, isto é, do mesmo modo como o segmento dos bispos se acha organizado em conferências continentais e nacionais - no caso do Brasil, a CNBB -, e assim como os religiosos e as religiosas já contam com sua conferência específica - a CRB -, de modo análogo, não há razões consistentes para que não possamos avançar em relação aos demais segmentos. Em vez de, como continua acontecendo, os segmentos das leigas e dos leigos, dos diáconos e dos presbíteros serem contemplados, nos processos decisórios, como organismos anexos da CNBB, por que não se organizarem também, para além de meros Conselhos - o CND, CNP e o CML… -, tornando-se também fraternas conferências, sem que isto signifique qualquer ruptura de relação de convivência fraterna e respeitosa.

Temos consciência de que tal ideia ainda resta longe de efetividade, mas não deixa de ser um passo na direção almejada. Na verdade, pode-se objetar, do lado das Mulheres, que interesse nelas despertaria tal iniciativa. Se, por outro lado, tomamos em conta que as mudanças se fazem processualmente, a iniciativa mencionada ajudaria a acumular forças favoráveis às Católicas, no sentido de irmos plantando sementes, em vista de uma instância mais ampla, em termos de Igreja Católica Romana  - algo como um Concílio, a ser organizado com novos critérios... 

Em resumo, trata-se de apenas de um debate que buscamos realimentar, acerca destes desafios.

João Pessoa, 10 de março de 2020.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

QUEM DESPREZA O PASSADO, COMPROMETE O FUTURO - cavoucando memórias de rebeldia

QUEM DESPREZA O PASSADO, COMPROMETE O FUTURO - cavoucando memórias de rebeldia
Alder Júlio Ferreira Calado
No precioso baú de memórias da humanidade, em todos os tempos e lugares, constatamos uma vasta, antiga e copiosa gama de escritos, de máximas, de pronunciamentos, feitos por poetas, filósofos, artistas, expoentes da sabedoria popular, cientistas - homens e mulheres -, reconhecendo a relevância da unidade que liga passado, presente e futuro. Cada uma dessas dimensões temporais deve estar associada dinamicamente as demais, de modo a entender o tempo, mais como um “continuum” do quê como momentos estanques, dicotomizado. Acerca desta temática, a literatura pertinente apresenta tantas figuras bem representativas que se tem pronunciado sobre a relevância do reconhecimento da interação orgânica existente entre passado, presente e futuro. Pensemos, por exemplo, em Eduardo Galeano, para quem o passado tem muito a dizer ao futuro. Tal posição tem sido, ao longo dos tempos, reverberada mediante as mais diversas linguagens artísticas. 
Em verdade, um gesto convincente de unidade entre passado presente e futuro, vem expresso, com efeito, em diferentes formas artísticas. A fotografia constitui uma dessas formas. Quantos álbuns se apresentam de enorme pertinência, por constatarem a evolução histórica de uma cidade, determinada manifestação artística ou literária! Quantos escritores e escritoras se valem da fotografia, para explicitar, com acuidade e beleza, o espectro da evolução, seja de uma paisagem urbana, seja de uma evolução em âmbito de família, de comunidade, de sociedade. De fato, belos trabalhos há, que conseguem registrar toda uma longa evolução urbanística, com admiráveis detalhes arquitetônicos. 
No campo da literatura, não é em vão que muitos autores e autoras de romances, ensaios,novelas, séries, etc., têm-se valido desta arte com retumbante sucesso. E o que dizer da música? Como não lembrar, por exemplo, “Caminhando e Cantando”, ou “Apesar de Você”? Poderíamos multiplicar exemplos ilustrativos de formas artísticas, por meio das quais conseguimos rememorar, com alta margem de precisão, toda uma longa evolução de costumes, ideias de objetos culturais, por meio das mais distintas linguagens artísticas. 
Nas linhas que seguem, nosso intento é de revisitar um passado relativamente recente Da sociedade brasileira, por meio de filmes atinentes ao período que se estende de 1964, ano do famigerado golpe de estado, a meados dos anos 80, com o arrefecimento das forças da ditadura empresarial-militar que se abateu, por 21 longos anos, sobre a sociedade brasileira.
Em um contexto de ampla vigência do paradigma da pós-verdade, marcado por suas esdrúxulas estratégias de dominação, de exploração, e de discriminação, crescem as barbaridades e as ameaças à vida dos humanos e dos demais seres do planeta. Nas mais distintas esferas de nossa atual realidade, pontificam as marcas da barbárie, compostas fundamentalmente por ingredientes, tais como: a institucionalização da mentira, do obscurantismo, da  imbecilização de crescentes parcelas da população, agravadas pelas profundas desigualdades sociais, fruto da extrema concentração, em mãos de uma ínfima minoria, das riquezas do conjunto da humanidade. A propósito das diabólicas estratégias utilizadas massivamente pelos arautos da pós-verdade vale enfatizar o papel cumprido pelos mais próximos assessores de Trump, segundo os quais não se deve subestimar o poder da mentira e da ignorância... O Brasil tem se revelado o exemplo mais ilustrativo das manifestações dessas barbáries. 
Diante desse quadro tenebroso, cumpre-nos perguntar: como chegamos a esta quadra? Que condições favoreceram este desfecho? Sem perder de vista a relevância dos fatores externos - a extrema concentração de renda, de patrimônio, e de riquezas, características do atual modo de produção, em sua fase/face mais perversa (a da financeirização) -, nas linhas que seguem propomos destacar fatores internos deste estado de coisas. Mais precisamente, limitamo-nos a sublinhar o desprezo da memória histórica, em relação a um passado ainda recente. Com efeito, ignorar o passado enseja, quase sempre, trágicas reincidências. Em busca de reavivar nossa memória histórica recente (e menos recente), cuidamos de fazê-lo recorrendo à revisitação de uma dezena de filmes e documentários relativos ao período da ditadura empresarial-militar (1964-1985).
       O apelo às artes continua sendo um campo inspirador, também por se tratar de um meio fértil a mexer com nossa imaginação, em busca de uma interpretação adequada de nossa realidade. Os filmes e documentários, dos quais nos servimos, a seguir, constituem uma ilustração fecunda, no sentido de nos ajudarem a reavivar nossa memória, acerca de fatos, acontecimentos e situações presentes em nossa história recente, da qual importa ter em conta aspectos relevantes, que se acham na raiz de outros fatos e acontecimentos, característicos do momento atual.
Um primeiro filme que trazemos a tona é o bem conhecido "Cabra Marcado para Morrer", de Eduardo Coutinho, que tem chamado atenção de diversas gerações de militantes. Como se sabe, o filme/documentário faz memória da feroz perseguição de que foram vítimas as principais lideranças das ligas camponesas, em especial de João Pedro Teixeira e de sua esposa Elizabeth Teixeira, além de outros tantos militantes das ligas camponesas. Após o Golpe de estado de 1964, instalou-se uma feroz perseguição aos camponeses, em especial as lideranças das ligas camponesas, de tal sorte que forças militares e policiais não tardaram em invadir o famoso Engenho Galiléia, berço da primeira liga camponesa, em solo Pernambucano, mais precisamente no município de Vitória de Santo Antão. Os perseguidores, movidos pelo ódio contra organizações populares camponesas e operárias e estudantis, empenhavam-se em farejar passos de quaisquer militantes opositores aos protagonistas daquele famigerado Golpe de primeiro de abril de 1964 beneficiando-se de ampla informação acerca destas e outras organizações populares, os cúmplices do regime trataram de rastrear sinais de presença de lideranças camponesas, no nordeste e de localizarem o engenho Galiléia. Os perseguidores pretendiam aí localizar supostos arsenais escondidos, sob o controle de lideranças das ligas camponesas, em especial os protagonistas da liga camponesa do Engenho Galiléia e lá, trataram de prender e torturar os que aí encontraram. O filme/documentário, a princípio, havia iniciado a rodar, meses antes do golpe, e teve de ser interrompido durante vários anos, até que em início dos anos 80, ainda sob a direção de Eduardo Coutinho, voltou a ser alvo de filmagem, no mesmo local. Na ocasião, a própria Elizabeth Teixeira, viúva de João Pedro Teixeira, sofrera anos de exílio, numa cidadezinha do Rio Grande do Norte (São Rafael). Após Anistia, volta a encontrar seus filhos e outros familiares, pois a perseguição que foi movida contra ela implicou, não apenas sua separação dos demais filhos, como também ensejou, por várias razões, uma distribuição involuntária de seus filhos ainda crianças, que passaram - alguns deles - a ser criados por pessoas completamente contrárias aos ideais defendidos corajosamente pelo seu pai e pela sua mãe. A família de João Pedro Teixeira e de Elizabeth Teixeira sofreu, em consequência da militância de seus pais, pesadíssimos traumas, tendo sido fracionada durante os anos de exílio. De volta aos familiares, foi feito por Eduardo Coutinho o convite a Elizabeth Teixeira, de atuar na retomada daquela filmagem, convite aceito e comprido por Elizabeth Teixeira.
O documentário foca a fúria demoníaca das forças de repressão contra as principais lideranças das ligas camponesas, heróico movimento social popular que pontificou no Brasil, especialmente no nordeste, entre 1954 e 1964. A desumana perseguição movida contra os trabalhadores e trabalhadoras do campo, mobilizados em busca de reconhecimento público de seus direitos trabalhistas e sindicais, levou-os a enfrentarem a fúria dos latifundiários da região, em conluio com os aparelhos repressivos do estado brasileiro. Antes mesmo do estabelecimento do golpe de estado, no Brasil, em 1º de abril de 1964 as oligarquias rurais da região se serviam do aparelho repressivo do Estado, em especial por meio da cumplicidade policial militar, para abortarem o sonho de uma reforma agrária no Brasil, pleiteada por décadas, aspiração legítima e reconhecida até nos países capitalistas centrais. A Fúria latifundiária, em conchavo com as forças policiais, em âmbito Estadual, não toleravam que os trabalhadores e trabalhadoras rurais tivessem legalmente reconhecidos seus direitos trabalhistas mais elementares, como o direito à sindicalização, conquista já então reconhecido em relação aos trabalhadores e trabalhadoras urbanos. Ainda em 1962, após vários assassinatos cometidos por estas forças oligárquicas contra lideranças das ligas camponesas, também na Paraíba, não pouparam a liderança de João Pedro Teixeira, presidente da liga camponesa de Sapé, e, após ameaças sucessivas a esta liderança, acabaram cometendo o bárbaro assassinato contra João Pedro Teixeira, em 2 de abril de 1962.
A instauração do golpe de estado, que inaugurava a longa e Tenebrosa ditadura Empresarial militar, no Brasil, tem início uma sucessão de prisões, perseguições, torturas, assassinatos, destituições de direitos civis e políticos, fulminando as lideranças da liga camponesa de Sapé. Trata-se de uma Saga camponesa que não deve ser esquecida, sob pena de trágicas reincidências. 
Revisitar o filme "Cabra Marcado Para Morrer" significa, portanto, reavivar a memória de um tempo sombrio, cujos traços ainda permanecem ameaçadores, haja vista o número altíssimo de assassinatos de lideranças e de trabalhadores e trabalhadoras do campo na atualidade. Identificar e analisar perfis das classes dominantes e dirigentes, bem como dos setores agrários mais violentos, e suas respectivas estratégias - a serem confrontados com as estratégias de resistência opostas pelos trabalhadores e trabalhadoras do Campo - constituem caminho imprescindível para conjurar as reincidências que hoje se expandem, no atual quadro nazi-fascista que reina no (des)governo Bolsonaro. Subestimar ou esquecer tais cenários significaria um sinal de omissão e de cumplicidade, a ser evitado pelas forças sociais de transformação. 
O filme Queimada ("Burn") constitui outro exemplo ilustrativo a ser revisitado pelas forças comprometidas com uma sociedade alternativa a barbárie capitalista. Trata-se de um longa-metragem que, proibido de ser projetado nos primeiros tempos da ditadura Empresarial militar no Brasil, a ele recorriam militantes dos anos 70 como um instrumento eficaz, no aprendizado das lições históricas a serem tomadas e levadas a sério, por aquelas gerações. O filme reporta-se aos conflitos característicos das áreas de "Plantation", a partir de uma aproximação com o que se passará na Revolução de Haiti, para o quê se tomou como espaço geográfico e social uma fictícia ilha do Caribe. Os habitantes resistindo ao sistema colonial português, por meio de suas lideranças, especialmente a de Santiago, são duramente reprimidos. Mas, com o surgimento de uma nova liderança - José Dolores - as lutas são retomadas. Sucede, porém, que, de olho em tirar proveito desta situação revoltosa, aparece um militar inglês, “Sr. Walker” que se aproxima de José Dolores, fingindo-se de aliado. Graças a militância de José Dolores, e sua ampla receptividade por parte da população nativa, o movimento vai se fortalecendo, até ao ponto de conseguir expulsar os portugueses. Eis que, a figura do “Sr. Walker” volta a cena, a denunciar seu plano “maquiavélico”, de afastar-se de José Dolores, que ele passa a acusar  de traidor da Pátria, abrindo assim caminho para a invasão dos ingleses. 
Lições amargas recolhidas pelas lideranças nativas, a começar por José Dolores. Não desistindo da luta, José Dolores retoma, em novo estilo, a dianteira da resistência. Em suas diversas intervenções político-pedagógicas, em meio à sua gente, ele costumava afirmar: “é melhor saber para onde ir sem saber como, do que saber como e não saber para onde ir”.


Tomando em consideração, daqui para frente, os filmes e documentários que se reportam mas diretamente sobre as organizações de resistência ao golpe de estado de 1964 e a ditadura empresarial-militar, no Brasil, trazemos à tona o filme "Pra Frente, Brasil ". trata-se de um enredo que apresenta o cenário festivo do Brasil, entre 1969 e 1970, relativo a torcida fanática da seleção brasileira, Especialmente quando da Conquista do tricampeonato mundial de futebol, uma das músicas características deste período tinha por título exatamente "pra frente, Brasil", portanto nome que inspirou o título do filme. É neste clima de massivo “frenesi”, um trabalhador de classe média, funcionário de uma empresa, quando ao regressar de uma viagem de trabalho, aceita o convite de um cidadão, que lhe oferece carona, tendo em vista Um Destino comum , pois ambos se dirigiam ao mesmo bairro. Eis que, uma blitz, no meio do caminho, ensejou a suspeição do motorista do carro, acusado de pertencer a uma daquelas organizações de resistência armada, sem que o passageiro convidado, que só conhecerá aquele motorista casualmente, nada soubesse, acabando, por isto, por ser acusado, também ele, como “sócio” daquele suspeito. A partir daí, sua vida e a sua família não tem mais sossego. Ao ser conduzido a um órgão de repressão, é longamente inquirido, em tom acusatório. Como não respondia ao que lhe era interrogado - pois nada sabia a respeito daquela suposta trama -, este cidadão, um engenheiro de classe média, que se dizia apolítico, passou a ser longamente torturado, sem que nada pudesse responder, conforme o desejo de seus torturadores. Quanto mais dizia não pertencer a qualquer grupo e manifestar-se uma pessoa apolítica, tanto mais recebia todo tipo de tortura, onde ponto de encarar corajosamente seus torturadores e dizer-lhe que poderiam até matá-lo, mas ele nada mais lhes tinha a dizer. Com efeito, durante dias, foi torturado até a morte, sem que sua esposa e seu irmão, que tanto o vinham procurando em hospitais e delegacias, nada descobrissem a seu respeito. Seu irmão, também colega da mesma firma, descobre algo de estranho na movimentação da empresa da qual ambos (ele e o irmão) eram funcionários, após muita pesquisa, acabou descobrindo que o chefe, o dono daquela empresa, colaborava financeiramente com o grupo de torturadores, ligados aos órgãos de repressão da ditadura militar. Descobriu que seu chefe colaborava periodicamente, juntamente com outros grandes empresários, para a manutenção daquele serviço sujo. Mais: além da colaboração financeira de grandes empresários, estes também eram convidados a participarem de sessões periódicas, nas quais ouviam palestra de representantes dos Estados Unidos, acerca de como os grupos torturadores tinham que proceder. Aquele irmão, a partir daí, tendo sido também despedido daquela firma, passa a dedicar a sua vida a desmascarar os subterrâneos daquele sistema de tortura. Aqueles cidadãos, que não tinham qualquer ligação com grupos políticos, muito menos com organizações armadas de resistência à ditadura empresarial-militar, são exemplos de pessoas inocentes que sofreram na pele, injustamente, os horrores daquele regime. O filme "Pra frente Brasil" constitui relevante espaço de aprendizado sobre os porões da ditadura, que tinha um leque de serviços oficiais e oficiosos, para assegurar os horrores daquele regime.
Outro filme que bem nos ajuda a refrescar a memória sobre aquele período de chumbo, é o intitulado “Hércules 56". Trata-se de um documentário que narra vários episódios envolvendo organizações armadas de resistência à ditadura militar. Narra, também, várias ações, tais como assaltos a bancos (expropriações), com o objetivo de angariar recursos para o financiamento de suas ações de combate à ditadura, bem como narra episódios de assaltos a quartéis, dos quais retiravam armas, com o mesmo objetivo. Narra, ainda, o episódio do sequestro do embaixador dos Estados unidos, Charles Elbrick, como meio de libertação de 15 militantes prisioneiros da ditadura, que estavam sendo mantidos prisioneiros, sob sistemática tortura. O título do filme - "Hércules 56" - faz referência ao avião que transportou para o México os 15 prisioneiros constantes da lista fornecida pelos sequestradores, como condição de libertação com vida do embaixador dos Estados Unidos.
O filme “Lamarca" também trata de contar a chaga deste capitão do exército. Discordante do regime então implantado, tratou de colaborar com as organizações de resistência, para o quê teve que desertar. Ao fazê-lo, conseguiu sair do quartel com um caminhão carregado de fuzis, sob alegação feita ao guarda de controle daquela movimentação de que estava indo para um treinamento militar. O capitão Lamarca, a partir daí, cai na clandestinidade, e passa a comandar a organização chamada VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Após sucessivas e crescentes perseguições, sob o comando do terrificante Delegado Fleury, enfrenta uma série de cercos, dos quais consegue sair. Enquanto isto, figuras importantes daquela organização eram constantemente aprisionadas, infligindo duras baixas a VPR. Sem contar com o consenso de seus camaradas de organização, enquanto Comandante da VPR, Lamarca opta por iniciar uma ação armada no campo, seguindo a orientação de outras organizações, a exemplo do PC do B, no sentido de tentar o cerco da cidade pelo campo, inspiração de táticas maoístas. Vai instalar no sertão baiano um núcleo de iniciação desta resistência junto com um pequeno grupo de militantes. Com o crescente Cerco que se vai fazendo, em todo o país, Lamarca e seus companheiros acabam sendo descobertos e duramente perseguidos até à morte. Em meio a estas situações, o filme/documentário também apresenta várias reflexões, por parte de Lamarca, acerca de sua indignação e revolta contra aquele regime, ao tempo em que se mantém fiel à causa libertadora de sua gente, por meio de uma estratégia com a qual se pode ou não concordar, mas compreensível dentro daquele contexto específico.
Outro documentário marcante contempla a figura de Carlos Marighella, dirigente da Ação Libertadora Nacional (ALN), protagonista de várias ações de resistência à ditadura civil-militar. O documentário rememora, por meio de depoimentos de diversas pessoas que o conheceram mais de perto, traços relevantes de sua trajetória de militante, de modo a enfatizar várias qualidades suas, dentre as quais: sua paixão pelas classes populares, seu preparo intelectual, seus predicados de dirigente dentro do partido - o PCB - do qual se tornou, junto com outros camaradas, dissidente, mas sempre, merecendo o respeito de todos. Na indicação dos nomes dos prisioneiros a comporem a lista dos que deveriam ser libertados em troca do embaixador dos Estados Unidos, Gregório Bezerra figurava em primeiro lugar. Sabe-se que, pertencendo aos quadros do PCB, contrário à opção pela resistência armada à ditadura civil-militar, Gregório Bezerra no entanto, ultrapassava todas as barreiras, razão porque foi contactado por Marighella, antigo companheiro de partido e de cela, com o objetivo de convencer a Gregório da importância de sua aceitação de ser incluído naquela lista. Isto revela a grandeza também de Marighella.
"O que é isso, companheiro?", eis outro filme, baseado no livro do mesmo título, escrito por Fernando Gabeira, um dos participantes do sequestro do embaixador dos Estados Unidos. O filme narra a indignação e a revolta de jovens estudantes, inconformados com o fechamento de todos os espaços de liberdade, principalmente após a decretação do famigerado Ato Institucional número 5, de 13 de dezembro de 1968, o que passou a ser chamado de "o golpe dentro do golpe". Destituídos de todos os espaços de liberdade, de associação, do direito de ir e vir, de reuniões e situações semelhantes, vão surgindo, no Brasil, várias organizações, com o objetivo de opor àquele regime uma resistência, também pela via das Armas. Dezenas de organizações foram, então, criadas. Dentre elas, algumas se destacaram com mais ênfase: ALN, AP, MR -8, CPR, VAR - Palmares,  PCBR, PC do B, entre outras. 
Uma dessas dissidências - a dissidência Guanabara -, juntamente com dirigentes do MR-8, atraíram vários jovens, contra aquela ditadura. Sem muita experiência de ações, nesta área, houveram por bem convidar pessoas experientes, pertencentes a uma outra corrente, no caso, dirigentes da ALN, mais precisamente Joaquim Câmara Ferreira e Virgílio Gomes da Silva. Seu plano, que vem a ser concretizado, consistia em ações de expropriação, com o propósito de levantar recursos financeiros de sustentação destas organizações, cuja principal ação foi a da realização do sequestro do embaixador Elbrick, dos Estados Unidos, obrigando a ditadura militar a liberar 15 dos prisioneiros, vítimas de tortura nos porões da própria ditadura, além de tê-la obrigado a publicar, nos principais meios de comunicação, O Manifesto, assinado pelos organizadores daquele ato, explicando à população brasileira as razões de seu gesto.
Outro documentário relevante, a rememorar ações semelhantes, foi o intitulado "Soldados do Araguaia". Relata, sobretudo a partir dos antigos moradores da região conhecida como Bico do Papagaio, situada nas fronteiras entre o Pará, Maranhão e Goiás (hoje parte do Estado do Tocantins). Trata-se de vários e vários depoimentos de pessoas simples da região, a contar a relação de amizade e de respeito construída com aqueles jovens que se inseriram naquela região, passando a ser chamados de "paulistas", grupo composto por estudantes militantes experientes, exemplo do velho militante comunista João Amazonas, bem como de outros militantes - homens e mulheres - que também atuaram como médicos, enfermeiros e enfermeiras, farmacêuticos, comerciantes, etc. Interagindo fraternalmente com os moradores daquela região, em sua enorme maioria de camponeses, os depoimentos colhidos conferem uma amigável relação entre os "paulistas" e os moradores da região, atuando como beneficiários, em especial, de serviços ali não existentes, tais como os serviços relativos aos cuidados da saúde. Os depoentes testemunham ações ignóbeis praticadas pelo exército brasileiro, infiltrando-se na região e penalizando duramente seus moradores, chegando mesmo a torturar vários deles, com o objetivo de extrair informações sobre as lideranças daquele Movimento. 

Inspirado em um dos mais famosos livros de Frei Betto, foi feito, com o mesmo nome, o filme "Batismo de sangue". Documentário de grande relevância, sobretudo por apresentar o protagonismo de parte da Igreja Católica no Brasil, no processo de resistência à ditadura empresarial militar. O documentário foca especialmente o envolvimento de Frades Dominicanos, entre os quais Frei Tito Alencar, Frei Fernando, Frei Betto, Frei Ivo, entre outros, em ações de solidariedade a grupos de resistência à ditadura militar, inclusive, da qual Carlos Marighella apresenta-se como sua maior referência.

Quando da deflagração do golpe de estado, parcelas significativas da sociedade brasileira, inclusive segmentos da igreja católica, estiveram no apoio ao golpe militar de 1964. À medida, porém, que o poder instalado pela força começava a mostrar suas garras contra o Congresso Nacional, as lideranças políticas de oposição, a Perseguição que se seguiu aos movimentos populares, operários, camponeses, estudantis, os segmentos progressistas da igreja católica, também por meio da CNBB, passaram a opor-se àquele regime ditatorial. É a partir de então que tem início uma feroz perseguição também a figuras de militantes católicos, inclusive padres e religiosos, entre os quais se encontravam alguns dominicanos. Com o advento do AI-5, a solidariedade com as vítimas se dava por meio do acompanhamento até a fronteira entre Brasil e Uruguai, de lideranças de organizações perseguidas.

Com o gigantesco trauma que que se seguiu, no Brasil e no Cone Sul, pelo infortúnio de longas ditaduras civis-militares, cresceu o interesse de grupos de pesquisa e de pesquisadores e pesquisadoras individuais - é, por exemplo, o caso do pesquisador René Dreifuss (“1964: a conquista do Estado”) -, preciosas informações vieram a ser reunidas, de modo impactante. Daí resultam várias iniciativas, como a da organização da Comissão da Verdade, em diferentes âmbitos, bem como também de documentários de grande relevância, a exemplo "O dia que durou 21 anos". Trata-se de um documentário amplamente bem fundamentado, trazendo inclusive depoimentos originais, em falas de autoridades estadunidenses, especialmente o do então Embaixador Lindon Gordon, a revelarem detalhes escandalosos de instâncias governamentais dos Estados Unidos, profundamente envolvidas na Trama do Golpe civil-militar de 1964.
Quem ainda tinha dúvidas acerca do vergonhoso apoio dos Estados Unidos a ditaduras militares, instaladas na América Latina, inclusive no Cone Sul, supera todos os questionamentos, tal a contundência dos registros e dos documentos apresentados. Durante os últimos governos petistas, por exemplo, também foram registrados, inclusive por via do famoso Wikileaks, cenas de espionagem patrocinadas por recentes governos estadunidenses, não poupando sequer a própria presidente de então, Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, cumpre observar, com mais atenção, registros semelhantes, atinentes à cobiça de grandes empresas de petróleo, acumpliciadas pelo Governo daquele país, acerca das recentes descobertas de jazidas petrolíferas, no Brasil, em especial as do pré-sal. Mais do que isso, a intrusão dos governos dos Estados Unidos em assuntos internos ao Brasil e a países latino-americanos, de certa maneira, nunca deixou de acontecer. Mais recentemente, tivemos notícias da enorme influência de instâncias governamentais dos Estados Unidos até mesmo na criação do estranho Movimento Brasil Livre, protagonista do chamamento à rua de milhares de pessoas, em junho de 2013, bem como de notícias acerca de sua influência na instauração do processo de impeachment, sofrido pela presidente Dilma Rousseff.
Subestimar estas informações ou desprezar nosso passado (recente e menos recente) tem o significado de mostrar nossa apatia, indiferença ou mesmo cumplicidade aos tempos tenebrosos pelos quais está passando a sociedade brasileira. E o que dizer dos íntimos laços que unem o atual desgoverno e suas tenebrosas instâncias ao atual presidente dos Estados Unidos?

João Pessoa, 25 de fevereiro de 2020 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

MÍDIA CORPORATIVA, PARCEIRA DA ELITE ENTREGUISTA: monopólio, mentira e parcialidade Alder Júlio Ferreira Calado Ao tecermos críticas à mídia corporativa, não devemos ignorar o fato de que, mesmo sendo parte integrante do sistema capitalista, comporta também exceções, devidas sobretudo a alguns de seus profissionais. Um desses casos de vê com a postura profissional da jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de São Paulo, ao denunciar as fake news disparadas por gente próxima do então candidato Jair Bolsonaro. Mas, isto é exceção. O posicionamento da mídia corporativa - rádio, televisão, jornal redes sociais - acerca da recente mobilização da FUP ( Federação Única dos Petroleiro), a qual se vem associando outras entidades representativas dos Trabalhadores e Trabalhadoras na área do petróleo, no Brasil, constitui apenas mais um exemplo de como se comporta a mídia corporativa, umbilicalmente associada e a serviço dos interesses da Elite entreguista, presente no atual desgoverno, bem como nas grandes corporações transnacionais do capital nacional e internacional, em especial, as que atuam na área do petróleo. Faz 18 dias que os Petroleiros se acham mobilizados desde a inviabilização pela atual direção entreguista da Petrobras, das negociações entre os trabalhadores e a empresa, quando ainda se punham a mesa de negociações, em sessão abruptamente suspensa - e de maneira unilateral - pelos dirigentes da Petrobras, fugindo assim ao diálogo entre as partes, impondo aos trabalhadores Petroleiros uma imperiosa reação. Após a abrupta interrupção, pela direção da Petrobras, das negociações então em curso, os trabalhadores não tiveram outra opção senão a de permanecerem na sala de negociação, em claro testemunho de seu desejo de continuidade das negociações. Tal posição dos dirigentes dos Petroleiros foi em seguida, reconhecida como legítima por um juiz a quem os patrões da Petrobras recorreram. Não havendo continuidade de negociação, o conjunto da categoria, apoiado por tantas outras entidades, vem se mobilizando, desde então, em busca de que a direção da Petrobras volte as negociações e reconheça o justo pleito dos Trabalhadores que, aliás, não se batem apenas por interesses exclusivamente seus - no caso, protestarem contra demissão gratuita de cerca de 1000 Trabalhadores -, mas também de, como cidadãos para defenderem a Petrobras hoje, mais do que nunca, ameaçada de dilapidação, a serviço de grandes empresas petrolíferas internacionais, configurando uma posição claramente entreguista e antipatriótica dos desmontes das riquezas do Brasil - no caso, os ricos recursos petrolíferos do pré-sal - aos grandes grupos internacionais que atuam na mesma área. Só muito recentemente, porém, é que a mídia corporativa, que esteve, durante semanas, a silenciar este fato, toma finalmente a decisão de notícia-lo, mas apenas na versão que interessa exclusivamente aos seus patrões ou aos seus parceiros de uma elite entreguista. Durante essas mobilizações pelo País, desencadeadas pela ruptura unilateral pelo diálogo de negociação, os petroleiros tiveram uma iniciativa deveras criativa e pedagógica: a de, em uma de suas manifestações de protesto na Bahia de venderem botijões de gás de cozinha ao preço de 35 reais contra o preço fixado pela petrobras - de 70 reais ou mais, demonstrando assim os critérios injustos da política de preços de combustíveis seguido pela Petrobras a partir do desgoverno Temer e do atual desde a nomeação de Pedro Parente, que alterou profundamente a política de preços vigente, a décadas. Fato também não noticiado pela mídia corporativa, refém que é da elite entreguista que a financia e à qual serve. Após a descoberta do Pré-sal brasileiro vêm recrudescendo de modo crescente os ataques feitos pelas grandes corporações petroleiras internacionais, notadamente as originárias nos Estados Unidos, dando sequência mais agressiva a persecução de seus interesses empresariais.Para tanto, como em tantos outros casos contam a cumplicidade do Governo Estadunidense. Assim como em relação a Venezuela, cresce a cobiça pelo controle da produção de petróleo produzida no Brasil. Daí as constantes investidas imperialistas, feitas de estratégias as mais diversas (desde as famigeradas “FakeNews” passando pela espionagem ao controle dos governos de plantão transformados em meros títeres. Neste circuito de pilhagem, qual o papel reservado, tradicionalmente, e hoje mais do que nunca, à mídia corporativa? Tornou-se célebre a afirmação - com a qual não concordamos - de que a mídia constitui o “Quarto Poder”. Ao reconhecer o papel eficaz que a mídia corporativa exerce, a serviço dos interesses do Capitalismo, em especial a do setor financista, importa reconhecê-lo sobretudo, como um parceiro do grande capital, razão porque assume servilmente os papéis mais sujos que a lógica da barbárie capitalista lhe impõe. Com efeito, a mídia corporativa, regiamente financiada pela Elite entreguista, trata de “cumprir bem” o seu papel. Pior é quem tenta fazê-lo de um jornalismo ético e imparcial. Que imparcialidade??? Que tal refrescar algumas destas “imparcialidades”? Limitemo-nos de passagem, a alguns exemplos ilustrativos: as numerosas mensagens (ilegalmente interceptadas) divulgadas pelo site “The Intercept”, acerca dos numerosos atos de parcialidade e de partidarismo cometidos pelo ex-juiz Moro e seus parceiros do Ministério Público Federal. Que tal, ainda, refrescar nossa memória do papel desta mesma mídia corporativa, quanto a sua pretensa imparcialidade no noticiário e na divulgação das recentes reformas (na verdade, verdadeiros desmontes): a PEC do teto, a “reforma” trabalhista, a reforma da previdência, só para mencionar algumas? E assim prossegue o 10 governo bolsonaro, apoiado por um leque dê forças retrógrada e obscura artistas, agindo contraditoriamente em nome do Brasil, segue a protagonizar o mais calamitoso desmonte das políticas sociais, construídas durante décadas a mídia comercial, por seu turno, cuida de promover o essencial destas "reformas", ainda que, aqui e ali, trate de emitir declarações ou comentários críticos parêntese de boca para fora) contra os "excessos" do do Presidente da República, ao tempo em que não hesitar hein sacramentar as mais perversas propostas formuladas pelo Ministro Paulo Guedes principal protagonista do desmonte Neo ultraneoliberal, escancara as portas do Brasil para o grande capital nacional e internacional, sempre sobre a máscara de que isto interessa ao Brasil além da mídia corporativa, produz, no Congresso Nacional, mediante seus respectivos presidente , principalmente o da câmara, uma intrigante contradição: de um lado apoiam nitidamente reformas propostas por Paulo Guedes, enquanto de outro lado, fingem estar em desacordo com com os costumeiros excessos do Presidente da República. A grande mídia comercial, por sua vez, só tem a expressar louvores ao presidente da Câmara Rodrigo Maia, por "blindar "pretensamente as investidas agressivas do atual presidente da república. Pronunciou, no senado federal, na tarde de ontem, a Senadora Zenaide Maia, representante do Rio Grande do Norte, mostrou-se bastante lúcida em apontar os grandes crimes de lesa-pátria, que vem sendo abertamente cometidos pelo atual desgoverno e seus apoiadores. referia-se, fundamentalmente, há uma sucessão de privatizações claramente destinadas a favorecer grandes grupos econômicos estrangeiros, em detrimento da soberania nacional. Para tanto, cobrava a responsabilidade de outras instâncias que cercam o governo federal, inclusive lembrando o papel constitucional das Forças Armadas, parte das quais compõe o atual desgoverno. Permitimo-nos fornecer o seguinte link, por meio do qual se pode ter acesso ao referido pronunciamento (cf. https://www12.senado.leg.br/multimidia/evento/94977?h=15:03:14) Que passos empreender, na direção da superação de tais impasses? Com relação ao papel da mídia corporativa, convém ter presente que este foi, é e continuará sendo desempenhado pelos grandes meios de comunicação de massa: caixa de ressonância dos interesses hegemônicos das classes dominantes e dirigentes, isto é, das “elites do atraso” no modo de produção capitalista. Não se deve cogitar para a mídia corporativa o desempenho de outro papel, uma vez que ela é parte umbilicalmente integrante deste mesmo sistema. Por outro lado, passos de resistência devem ser empreendidos pelos que são vítimas contundentes dos desmandos desferidos pelo atual modo de produção, ao qual serve o atual desgoverno, sempre contando com seus aparelhos de Estado. Uma dessas possibilidades de resistência tem a ver com com o encontro, intitulado "economia de Francisco", promovido pelo Papa Francisco, a ter lugar em Assis, de 26 a 28 de Março. Do corrente ano a agenda anunciada para aquele encontro comportará também a necessidade e a urgência da democratização dos meios de comunicação social, em especial aqueles que atuam em sede de monopólio, como é bem o caso do Brasil. Este é um primeiro passo, que deve ser seguido por tantos outros, dos quais destacamos mais 3: a urgência, por parte dos movimentos sociais populares seus parceiros e aliados de voltarem a investir permanentemente no processo organizativo e formativo de suas bases, permitindo aquisição e o exercício constante de sua consciência de classe isto já é um grande passo, é eficaz para um enfrentamento exitoso, por exemplo, das estratégias aplicadas pelas forças dominantes da atualidade, em especial as "Fake News” e outras estratégias de manipulação das consciências de imensas parcelas de nossa população, destituídas das mínimas oportunidades de formação de sua consciência crítica, como a denúncia recentemente feita, na pesquisa organizada pelo PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), no caso do Brasil, 65% dos Estudantes não conseguem fazer a diferença entre um fato e uma versão. Neste sentido, é digna de registro a iniciativa de alguns jornalistas (mulheres e homens) de criarem espaços autônomos de mídia alternativa, após de já não aguentarem o controle ideológico exercido pelos seus patrões (Globo, Folha de São Paulo e outros grandes veículos do gênero). Referimo-nos a jornalistas tais como Florestan Fernandes Júnior, Leonardo Attuch(TV 247), Breno Altman (Ópera Mundi), Gisele Federicce (TV 247), Marcelo Auler(TV 247), Renato Rovai (Revista Fórum). Outro passo não menos importante tem a ver com o compromisso, também por parte de nossas organizações de base, em especial os movimentos sociais populares, retomarem permanentemente, e em novo estilo, seu compromisso de Formação, organização e mobilização das forças populares, capazes de enfrentar o desafio da barbárie capitalista, em busca da construção processual de um novo modo de produção um novo modo de consumo um novo modo de gestão societal, alternativo a barbárie capitalista, reinante também em nosso país. João Pessoa, 19 de fevereiro de 2020

MÍDIA CORPORATIVA, PARCEIRA DA ELITE ENTREGUISTA: monopólio, mentira e parcialidade

Alder Júlio Ferreira Calado 

Ao tecermos críticas à mídia corporativa, não devemos ignorar o fato de que, mesmo sendo parte integrante do sistema capitalista, comporta também exceções, devidas sobretudo a alguns de seus profissionais. Um desses casos de vê com a postura profissional da jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de São Paulo, ao denunciar as fake news disparadas por gente próxima do então candidato Jair Bolsonaro.  Mas, isto é exceção.
O posicionamento da mídia corporativa - rádio, televisão, jornal redes sociais - acerca da recente mobilização da FUP ( Federação Única dos Petroleiro), a qual se vem associando outras entidades representativas dos Trabalhadores e Trabalhadoras na área do petróleo, no Brasil, constitui apenas mais um exemplo de como se comporta a mídia corporativa, umbilicalmente associada e a serviço dos interesses da Elite entreguista, presente no atual desgoverno, bem como nas grandes corporações transnacionais do capital nacional e internacional, em especial, as que atuam na área do petróleo. Faz 18 dias que os Petroleiros se acham mobilizados desde a inviabilização pela atual direção entreguista da Petrobras, das negociações entre os trabalhadores e a empresa, quando ainda se punham a mesa de negociações, em sessão abruptamente suspensa - e de maneira unilateral - pelos dirigentes da Petrobras, fugindo assim ao diálogo entre as partes, impondo aos trabalhadores Petroleiros uma imperiosa reação. Após a abrupta interrupção, pela direção da Petrobras, das negociações então em curso, os trabalhadores não tiveram outra opção senão a de permanecerem na sala de negociação, em claro testemunho de seu desejo de continuidade das negociações. Tal posição dos dirigentes dos Petroleiros foi em seguida, reconhecida como legítima por um juiz a quem os patrões da Petrobras recorreram. Não havendo continuidade de negociação, o conjunto da categoria, apoiado por tantas outras entidades, vem se mobilizando, desde então, em busca de que a direção da Petrobras volte as negociações e reconheça o justo pleito dos Trabalhadores que, aliás, não se batem apenas por interesses exclusivamente seus - no caso, protestarem contra demissão gratuita de cerca de 1000 Trabalhadores -, mas também de, como cidadãos para defenderem a Petrobras hoje, mais do que nunca, ameaçada de dilapidação, a serviço de grandes empresas petrolíferas internacionais, configurando uma posição claramente entreguista e antipatriótica dos desmontes das riquezas do Brasil - no caso, os ricos recursos petrolíferos do pré-sal - aos grandes grupos internacionais que atuam na mesma área. 

Só muito recentemente, porém, é que a mídia corporativa, que esteve, durante semanas,  a silenciar este fato, toma finalmente a decisão de notícia-lo, mas apenas na versão que interessa exclusivamente aos seus patrões ou aos seus parceiros de uma elite entreguista. 

Durante essas mobilizações pelo País, desencadeadas pela ruptura unilateral pelo diálogo de negociação, os petroleiros tiveram uma iniciativa deveras criativa e pedagógica: a de, em uma de suas manifestações de protesto na Bahia de venderem botijões de gás de cozinha ao preço de 35 reais contra o preço fixado pela petrobras - de 70 reais ou mais, demonstrando assim os critérios injustos da política de preços de combustíveis seguido pela Petrobras a partir do desgoverno Temer e do atual desde a nomeação de Pedro Parente, que alterou profundamente a política de preços vigente, a décadas. Fato também não noticiado pela mídia corporativa, refém que é da elite entreguista que a financia e à qual serve. 

Após a descoberta do Pré-sal brasileiro vêm recrudescendo de modo crescente os ataques feitos pelas grandes corporações petroleiras internacionais, notadamente as originárias nos Estados Unidos, dando sequência mais agressiva a persecução  de seus interesses empresariais.Para tanto, como em tantos outros casos contam a cumplicidade do Governo Estadunidense. Assim como em relação a Venezuela, cresce a cobiça pelo controle da produção de petróleo produzida no Brasil. Daí as constantes investidas imperialistas, feitas de estratégias as mais diversas (desde as famigeradas “FakeNews” passando pela espionagem ao controle dos governos de plantão transformados em meros títeres. 

Neste circuito de pilhagem, qual o papel reservado, tradicionalmente, e hoje mais do que nunca, à mídia corporativa? 

Tornou-se célebre a afirmação - com a qual não concordamos - de que a mídia constitui o “Quarto Poder”. Ao reconhecer o papel eficaz que a mídia corporativa exerce, a serviço dos interesses do Capitalismo, em especial a do setor financista, importa reconhecê-lo sobretudo,  como um parceiro do grande capital, razão porque assume servilmente os papéis mais sujos que a lógica da barbárie capitalista lhe impõe. Com efeito, a mídia corporativa, regiamente financiada pela Elite entreguista, trata de “cumprir bem” o seu papel. Pior é quem tenta fazê-lo de um jornalismo ético e imparcial. Que imparcialidade??? Que tal refrescar algumas destas “imparcialidades”? Limitemo-nos de passagem, a alguns exemplos ilustrativos: as numerosas mensagens (ilegalmente interceptadas) divulgadas pelo site “The Intercept”, acerca dos numerosos atos de parcialidade e de partidarismo cometidos pelo ex-juiz Moro e seus parceiros do Ministério Público Federal. Que tal, ainda, refrescar nossa memória do papel desta mesma mídia corporativa, quanto a sua pretensa imparcialidade no noticiário e na divulgação das recentes reformas (na verdade, verdadeiros desmontes): a PEC do teto, a “reforma” trabalhista, a reforma da previdência, só para mencionar algumas? 

E assim prossegue o 10 governo bolsonaro, apoiado por um leque dê forças retrógrada e obscura artistas, agindo contraditoriamente em nome do Brasil, segue a protagonizar o mais calamitoso desmonte das políticas sociais, construídas durante décadas a mídia comercial, por seu turno, cuida de promover o essencial destas "reformas", ainda que, aqui e ali, trate de emitir declarações ou comentários críticos parêntese de boca para fora) contra os "excessos" do do Presidente da República, ao tempo em que não hesitar hein sacramentar as mais perversas propostas formuladas pelo Ministro Paulo Guedes principal protagonista do desmonte Neo ultraneoliberal, escancara as portas do Brasil para o grande capital nacional e internacional, sempre sobre a máscara de que isto interessa ao Brasil além da mídia corporativa, produz, no Congresso Nacional, mediante seus respectivos presidente , principalmente o da câmara, uma intrigante contradição: de um lado apoiam nitidamente reformas propostas por Paulo Guedes, enquanto de outro lado, fingem estar em desacordo com com os costumeiros excessos do Presidente da República. A grande mídia comercial, por sua vez, só tem a expressar louvores ao presidente da Câmara Rodrigo Maia, por "blindar "pretensamente as investidas agressivas do atual presidente da república. 

Pronunciou, no senado federal, na tarde de ontem, a Senadora Zenaide Maia, representante do Rio Grande do Norte, mostrou-se bastante lúcida em apontar os grandes crimes de lesa-pátria, que vem sendo abertamente cometidos pelo atual desgoverno e seus apoiadores. referia-se, fundamentalmente, há uma sucessão de privatizações claramente destinadas a favorecer grandes grupos econômicos estrangeiros, em detrimento da soberania nacional. Para tanto, cobrava a responsabilidade de outras instâncias que cercam o governo federal, inclusive lembrando o papel constitucional das Forças Armadas, parte das quais compõe o atual desgoverno. Permitimo-nos fornecer o seguinte link, por meio do qual se pode ter acesso ao referido pronunciamento (cf. https://www12.senado.leg.br/multimidia/evento/94977?h=15:03:14

Que passos empreender, na direção da superação de tais impasses? 

Com relação ao papel da mídia corporativa, convém ter presente que este foi, é e continuará sendo desempenhado pelos grandes meios de comunicação de massa: caixa de ressonância dos interesses hegemônicos das classes dominantes e dirigentes, isto é, das “elites do atraso” no modo de produção capitalista. Não se deve cogitar para a mídia corporativa o desempenho de outro papel, uma vez que ela é parte umbilicalmente integrante deste mesmo sistema. Por outro lado, passos de resistência devem ser empreendidos pelos que são vítimas contundentes dos desmandos desferidos pelo atual modo de produção, ao qual serve o atual desgoverno, sempre contando com seus aparelhos de Estado. Uma dessas possibilidades de resistência tem a ver com com o encontro, intitulado "economia de Francisco", promovido pelo Papa Francisco, a ter lugar em Assis, de 26 a 28 de Março. Do corrente ano a agenda anunciada para aquele encontro comportará também a necessidade e a urgência da democratização dos meios de comunicação social, em especial aqueles que atuam em sede de monopólio, como é bem o caso do Brasil.

Este é um primeiro passo, que deve ser seguido por tantos outros, dos quais destacamos mais 3: a urgência, por parte dos movimentos sociais populares seus parceiros e aliados de voltarem a investir permanentemente no processo organizativo e formativo de suas bases, permitindo aquisição e o exercício constante de sua consciência de classe isto já é um grande passo, é eficaz para um enfrentamento exitoso, por exemplo, das estratégias aplicadas pelas forças dominantes da atualidade, em especial as "Fake News” e outras estratégias de manipulação das consciências de imensas parcelas de nossa população, destituídas das mínimas oportunidades de formação de sua consciência crítica, como a denúncia recentemente feita, na pesquisa organizada pelo PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), no caso do Brasil, 65% dos Estudantes não conseguem fazer a diferença entre um fato e uma versão. 

Neste sentido, é digna de registro a iniciativa de alguns jornalistas (mulheres e homens) de criarem espaços autônomos de mídia alternativa, após de já não aguentarem o controle ideológico exercido pelos seus patrões (Globo, Folha de São Paulo e outros grandes veículos do gênero). Referimo-nos a jornalistas tais como Mauro Lopes (TV 247), Florestan Fernandes Júnior, Rogério Anitablian, Leandro Demori (Intercept), Leonardo Attuch (TV 247), Breno Altman (Ópera Mundi), Gisele Federicce (TV 247), Marcelo Auler(TV 247), Renato Rovai (Revista Fórum), Dafne Ashton (TV 247), Tânia Maria de Oliveira (TV 247), Gustavo Conde (TV 247), entre outros e outras . 

Outro passo não menos importante tem a ver com o compromisso, também por parte de nossas organizações de base, em especial os movimentos sociais populares, retomarem permanentemente, e em novo estilo, seu compromisso de Formação, organização e mobilização das forças populares, capazes de enfrentar o desafio da barbárie capitalista, em busca da construção processual de um novo modo de produção um novo modo de consumo um novo modo de gestão societal, alternativo a barbárie capitalista, reinante também em nosso país. 

João Pessoa, 19 de fevereiro de 2020