Alder Júlio Ferreira Calado
A Editora Recriar acaba de trazer a público o livro mais recente da lavra do historiador Eduardo Hoornaert, intitulado “Jesus de Nazaré: uma radiografia para além dos Evangelhos”. Acerca deste tema, o autor tem se dedicado, nas últimas décadas. Desde o seu “Origens do Cristianismo”, publicado na primeira metade da década dos anos 2000 (Editora Ser e Editora Paulus), e anos depois do seu “Em busca de Jesus de Nazaré: uma análise literária” (Paulus 2016), eis que agora nos brinda o autor com sua mais recente pesquisa marcada pela originalidade, teórico-metodológica, de notável potencial heurístico.
Para tanto, o autor se acha lastreado em recentes pesquisas inovadoras sobre o tema, do que da prova a vasta bibliografia em que se apoia. Mantendo a profundidade de suas análises combinada com a clareza e objetividade e capacidade didática raras em um pesquisador. A leitura do livro se reveste de uma admirável leveza: o autor dialoga com seus leitores e leitoras. Eduardo Hoornaert, partindo de sua condição de historiador, exercita uma verdadeira multi-inter-transdisciplinaridade, articulando dialeticamente múltiplos saberes a História, Geografia, Arqueologia, Antropologia, Literatura, Linguística, Educação, sociologia, Teologia… Em dez capítulos, o autor nos apresenta caminhos novos em busca de uma compreensão da figura de Jesus de Nazaré, mais compatível com as condições histórico-científicas dos nossos dias: como afirma o autor “O presente pede um novo modo de pensar” (p. 38).
Seguindo esta base teórico-metodológica, desde a introdução do livro (“Para iniciar uma radiografia”), o autor se empenha em anunciar os passos de sua acurada investigação, iniciando didaticamente por explicitar o título do trabalho especialmente o significado conferido ao termo “radiografia”. Tratando, em seguida, de oferecer um breve quadro panorâmico dos 10 capítulos de que se compõe o livro. Entre outras explicações aí presentes o autor cuida de rememorar a forte predominância das dimensões narrativa e metafórica da leitura dos textos bíblicos, inclusive dos Evangelhos, com pouca ou nenhuma atenção a uma percepção da dimensão historiográfica.
Já no primeiro capítulo, o autor enfrenta os desafios característicos da linguagem metafórica presente nos textos neotestamentários, começando por analisar os textos escritos pelo apóstolo Paulo nos anos 50 da era Cristã já algumas décadas após a crucificação de Jesus, a quem não conhecera pessoalmente, e sobre quem o escutara o marcou tão profundamente, que graças a visões nele pôs toda a sua confiança, sua entrega (“Eu estou certo daquele a quem dei minha adesão”, 2 Tm , 1:12). Com efeito, Paulo se apresenta como o primeiro a registrar por meio de uma linguagem metafórica, traços da figura de Jesus a ele se referindo como o “Cristo”, palavra de origem grega que quer dizer “Ungido”, referência bíblica ao Messias todo poderoso, filho de Davi, em cujo poder faz assentar toda a sua fé no Cristo ressuscitado (“Se cristo não tivesse ressuscitado vã seria a nossa fé”- 1 Cor 15,14), desprezando ou secundarizando sua biografia histórica, o que fez, onde pisou, de quem andava cercado e seguido.
Em seguida, ainda no mesmo capítulo aponta a forte presença da linguagem metafórica nos Evangelhos segundo Marcos, Mateus e Lucas, além de João (neste, inclusive, o autor encontra passagens com linguagem historiográfica, ainda que seja o evangelista que mais tenha usado a linguagem metafórica). Também, em outros escritos neotestamentários, Eduardo Hoornaert indica a predominância das metáforas, como é o caso da Carta aos Hebreus, mas aqui, ele sublinha o sentido novo, por exemplo, do termo “Sacerdote” ou “Sacerdócio”.
No segundo capítulo, o autor se detém na apreciação da linguagem mitológica, presente nos escritos neotestamentários, especialmente nos Evangelhos, mas também em outros textos do Segundo Testamento. O autor assinala, a justo título, além das décadas que se passam entre a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus e os primeiros escritos do Novo Testamento, o caráter de oralidade das narrativas sobre Jesus. Importa, desde já, chamar a atenção para o fato de que o autor, ao fazer a análise tanto da linguagem metafórica quanto da linguagem mitológica, se mostra cuidadoso, ao ponto de não as discriminar com juízos negativos, mas, antes, fazendo questão de apreciá-las como recursos literários legítimos, buscando compreendê-los como traços característicos das diversas culturas dos povos do oriente médio, especialmente o povo judeu/palestino. Neste sentido, como analista desprovido de preconceitos, cuida de compreender também as positividades da linguagem metafórica e da linguagem mitológica, sem deixar de nelas perceber limitações. É assim, que o autor percorre diversos textos bíblicos - especialmente os do Novo Testamento, interpretando-os, a partir das condições histórico-culturais desse povo.
Sempre tomando o cuidado de não subestimar o valor heurístico das linguagens metafórica e mitológica, Eduardo Hoornaert agora se volta à análise da linguagem historiográfica, nela destacando, tal como o fez nas demais linguagens, aspectos positivos e limites. Começa por indicar figuras de historiadores da Antiguidade, de reconhecida notoriedade, tais como Cornélio Tácito (56-118 E. C), Plínio o jovem (61-113 E. C), Suetônio (69-141 E. C), Flávio Josefo (37-ca. 100 E. C). A despeito de amplo reconhecimento, esses historiadores não deixam muitos rastros da figura de Jesus, há não ser uma ou outra referência, sem maiores detalhes.
Nos séculos seguintes o autor se mantém atento a outros elementos historiográficos, tendo obtido relativo sucesso, à medida que avança nas pesquisas posteriores à Reforma. Realça, por exemplo, a precariedade dos primeiros instrumentos ou meios de registros historiográficos, baseados sobretudo no recurso a oralidade, em que, por meio de coleções e tiras de papiro (e depois, de pergaminho) pregadas na roupa os ditos de jesus eram passados de geração a geração. Tal lentidão proporcionada pelos precários meios, só vem a ser alterada significativamente, na Idade Média, graças ao penoso trabalho dos copistas, a serviço dos Mosteiros, evolução que também contou com suas ambiguidades, a medida que, nos documentos sagrados copiados, constatam-se significativas alterações (inserções, interpolações de formações, etc). De todos os modos, tratou-se de um trabalho de preservação de tais documentos.
Foi, no entanto, a partir do século XV, com a invenção da imprensa que se obteve a impressão de toda a Bíblia, garantindo uma divulgação mais ampla e mais rápida. Ao mesmo tempo, a linguagem historiográfica passaria, desde então, a contar com a densa contribuição de figuras notáveis, a exemplo de Lutero, Erasmo de Roterdã e Spinoza.
Mediante sua lente historiográfica Eduardo Hoornaert sempre atento aos escritores e historiadores de cada época, compõe um quadro complexo tomando em conta como complementaridade as linguagens metafórica e mitológica.
Toma em consideração por exemplo nesta busca de um perfil biográfico de Jesus de Nazaré, as línguas bíblicas (Aramaico, Hebraio, Grego, Latim) bem como os sérios problemas das traduções toma em consideração a forte influência de Filósofos gregos (sobretudo Platão e Aristóteles) em relevantes figuras da Patrística desde os primeiros séculos a Idade Média (Agostinho e Tomás de Aquino) deles recebem grande influência, Agostinho de Platão, e Tomás de Aquino de Aristóteles. O autor ainda toma em conta as descobertas arqueológicas, inclusive as mais recentes.
O quarto capítulo trata de uma percepção pouco perceptível aos olhos comuns de leitores e leitoras comuns, e até de especialistas. o próprio autor, longamente habituado a ler e a estudar a Bíblia e os Evangelhos, precisou refazer a leitura dos Evangelhos com refinada atenção. Surpreende-se ao constatar uma dimensão nova da figura de Jesus: seu jeito irônico, provocativo, ao mesmo tempo brincalhão e bem humorado. Esta dimensão o autor encontra sobretudo na (re) leitura do Evangelho de João, no qual surpreendentemente ele encontra - mais do que nos outros - a predominância do estilo historiográfico. Trata, então, de fornecer diversos exemplos, sempre citando capítulos e versículos. Sem negar tratar-se do Evangelho mais intuitivo, com muitas metáforas, também “Apresenta um Jesus que ri e chora, fica com raiva (2, 13-22), alimenta amizades sólidas, valoriza as mulheres, mostra uma grande sensibilidade humana, brinca, faz trocadilhos, gosta de um jogo de palavras, demonstra grande inteligência.” (p. 57).
Trata-se de um Jesus desconcertante, perseguido pelos doutores da lei, pelas autoridades políticas, pela sua mensagem nova: não ensinava doutrinas, ocupando-se do cuidado direto dos mais pobres, valorizando sua luta do dia-a-dia do que falam muito bem suas parábolas.
Dentre os quatros Evangelhos canônicos, o de Marcos foi o primeiro escrito nos anos setenta da era Cristã. Bem mais jovem e não tendo feito parte do grupo dos discípulos e discípulas, Marcos teve que receber distintos relatos por intermédio do Apóstolo Pedro, de quem se aproximou, quatro décadas desde a paixão e morte de Jesus. Tal distanciamento temporal nem sempre permite relatos precisos, até porque, como afirma o dito popular, “Quem conta um conto, aumenta um ponto”. Daí se segue, como lembra o autor, que certos episódios narrados por Marcos parecem imprecisos ou mesmo eivados de algum exagero. É o caso, por exemplo, do episódio da chamada multiplicação dos pães, em que é afirmada a presença de 5.000 pessoas.
O quarto capítulo é dedicado a um aspecto da vida de Jesus, pouco perceptível pelo leitor comum e mesmo por especialistas, razão por que o próprio autor, que já lê os Evangelhos há décadas e décadas, só recentemente ao fazer uma leitura ainda mais atenta, pode observar esse traço atípico curioso da figura de Jesus ou seja, sua dimensão irônica, alegre, lúdica, brincalhona, inclusive por vezes marcada de certa iracúndia. Chama atenção o fato de que esses traços sejam mais observados no Evangelho de João, tido como tipicamente metafórico. Nele, porém, o autor também encontra, mais do que em outros Evangelhos, a presença de dados historiográficos.
Com efeito, nele se acham relatos circunstanciados de um Jesus marcado por atitudes incisivas e assertivas contra os costumes da Lei e seus guardiães, a exigirem rígido cumprimento pelo povo simples das mais de 600 normas, de modo a constranger os mais pobres, enquanto os Doutores da lei, que se mostravam intransigentes com os pequenos, não as cumpriam. Enquanto cobravam do povo simples um ritualismo exagerado, Jesus por sua vez nada exigia de culto, mas se entregava a compartilhar com os pobres sofrimentos, alegrias, esperanças, com mensalidade, festejos, a tal ponto de ser acusado pelos Doutores da Lei de “comilão” e “beberrão” e de sentar-se com pecadores…
Ao mesmo tempo, em alguns relatos de João, se percebe a figura de um Jesus iracundo, diante das atitudes hipócritas dos fariseus e Doutores da Lei. Neste sentido, aliás, o capítulo 23 de Mateus é marcado por duras invectivas lançadas por Jesus contra os Fariseus “hipócritas”. Eduardo Hoornaert passa, então, a revisitar um Jesus com opções mais radicais. Para tanto, deixa Nazaré e vai para o Mar da Galiléia, onde convive com pescadores que se tornam seus discípulos. A despeito de uma convivência fraterna, Jesus observava as enormes dificuldades por que o povo passava, com muita resignação, atitude que incomodava a Jesus, posto que pareciam submeter-se às duras leis impostas que lhes eram cobradas. Eis a situação que Jesus encontra nesta região pesqueira onde se situavam Corazim, Betsaida e Cafarnaum.
Decide, assim, fazer uma experiência de vida junto aos galileus mais pobres, aos camponeses, trabalhando na agricultura familiar e vivendo também de serviços complementares nos latifúndios da região. Nesta Galileia, Jesus vai encontrar um povo mais rebelde, mais perseguido pelos doutores da Lei e pelas autoridades romanas. Alguns episódios de confronto se acham aí relatados, principalmente pelas posições transgressoras apresentadas por Jesus em defesa das mulheres. Em um tempo em que era expressamente proibido a um estranho falar com uma mulher, seguidas vezes Jesus transgride esse tabu, falando abertamente com as mulheres, dialogando longamente com elas e tomando sua defesa. Importa ressaltar, ainda, um Jesus que aprende com as mulheres, que em diálogo com elas por vezes é levemente repreendido por expressar algum preconceito e receber uma lição que o toca e o faz mudar de atitude para com elas.
O autor não cessa de nos surpreender pelo seu empenho e desempenho em, ao propor uma releitura com lentes historiográficas e fazê-lo com muito respeito as demais formas de leitura - metafórica e mitológica, tendo sempre o cuidado de situá-las em seu respectivos contexto, em vez de tratá-las como excludentes. Para tanto, empreende caminhos espinhosos tomando em conta toda uma série de obstáculos - diversidade de culturas, de línguas, de traduções e tradições de fontes, - arqueológicas, historiográficas (Greco-romanas e Cristãs) entre outros.
Diferentemente do que costuma suceder aos leitores comuns, o autor confere especial atenção às diferenças de atitudes entre Jesus e João Batista, questão que ele enfrenta no quinto capítulo. Enquanto o perfil de João Batista se apresenta mais exigente e mais afeito a atitudes tais como “pecado”, “condenação”, Jesus, por outro lado, se apresenta com atitudes mais voltadas para a compreensão dos pecadores, a partilha, a solidariedade e as alegrias do cotidiano.
Nos próximos dois capítulos, (o 6º e o 7º) sempre em diálogo com o leitor/a leitora, o autor nos oferece um passeio pelos Evangelhos, trazendo-nos episódios marcantes dos ditos e dos feitos de Jesus de Nazaré, notadamente algumas de suas parábolas, a inspiradora leitura na sinagoga, onde lê a tocante passagem descrita no Evangelho de Lucas (4, 15-19) entre outras. Nestes capítulos, o autor destaca com, força, os contrastes flagrantes entre o anúncio do Deus de Jesus - compassivo misericordioso, solidário com as causas libertadoras dos oprimidos adepto de procedimentos cúlticos, irônico em relação aos métodos das autoridades religiosas e políticas do seu tempo - e o Deus anunciado pelos doutores da lei - um deus guerreiro, vingativo, todo poderoso, um deus dos exércitos, distante dos humanos, sedento de cultos e sacrifícios, muito semelhante aos deuses dos povos vizinhos (babilônicos, persas e outros)
No que tange, por exemplo, a diversidade de fontes históricas, empenha-se em conferir fontes greco-romanas, judaicas e cristãs. Quanto às fontes greco-romanas, diversos historiadores daquela época entre os quais : Plínio, o Jovem; (61/61 d.C- 113/114 d.C )Tácito, (56 d.C - 120 d.C) Suetônio, (69/70 d.C - 141 d.C) Luciano Samósata; (120/125 d.C - 180) Aulo Cornélio Celso, mais conhecido como Celso (25 a.C - 50 d.C). Na perspectiva historiográfica, costuma-se conferir mais valor às fontes arqueológicas, dado seu caráter material mais objetivo. Em descobertas arqueológicas, remotas ou mais recentes vale lembrar pelo menos duas: uma antiga escavação em território Palestino na qual foi encontrada uma parede trazendo uma inscrição “Jesus, filho de José e irmão de Tiago” e outra mais recente, um ossuário em que havia uma incrição com o nome “Jesus”. No entanto, por razões diferentes, ambas padecem de dúvidas. O autor também recorre, atentamente às fontes cristãs (Evangelhos canônicos, diversos escritos neotestamentários (Atos dos Apóstolos, Cartas paulinas, Apocalipse, além dos Evangelhos Apócrifos).
O tema “Jesus, Salvador” constitui o foco trazido pelo autor no oitavo capítulo. Como de hábito, cuida de prevenir os leitores/as leitoras das enormes dificuldades presentes nos textos bíblicos, tal como se acham, uma vez que também refletem fortes experiências interculturalidade, graças às quais múltiplas narrativas encontradas nos textos bíblicos - a exemplo dos primeiros onze capítulos do livro do gênesis (por exemplo, no relato sobre o Jardim Éden e do Dilúvio) -, a indicarem claras adaptações de narrativas dos povos vizinhos, especialmente dos habitantes da pan-Mesopotâmia. O autor destaca especialmente a influência então exercida por algumas religiões de outros povos, sobretudo do zoroastrismo. Como um Judeu/Palestino educado no meio do seu povo, Jesus também introjeta parte dessas narrativas e as reproduz. Neste sentido, o autor, como historiador, recomenda especial atenção a diversos temas discursos pronunciados por Jesus, como reflexo de tal inter-cultariladade.
A crescente utilização do Grego, como língua de referência (tal como o Inglês atualmente) se expande por amplas áreas do Próximo Oriente, de modo a introduzir uma profunda helenização, feita inclusive por meio da tradução da famosa Bíblia dos Setenta, em que perde força o sentido Aramaico original, em favor de conceitos helenísticos, sob a influência de Platão, implicando deformações do sentido original.
Ditos e Parábolas de Jesus - eis o que nos convida o autor a meditar. Quanto aos Ditos, ele nos apresenta 21 recolhidos, por meio de tiras de papiro, de um documento chamado “Evangelho Q” (“Q” referente à palavra “Quelle” que quer dizer Fonte em alemão). Trata-se de 21 frases traduzidas do aramaico, língua falada por Jesus, que foram preservadas graças às tiras de papiro costuradas no interior da manta vestida pelos seguidores e seguidoras de Jesus, transmitidos por décadas, até serem incorporadas nos textos evangélicos (Canônicos e Apócrifos). Em seguida aos 21 Ditos do resumo, o autor também nos oferece 45 Parábolas, que se acham espalhadas pelos Evangelhos. Tópico igualmente digno de nossa elevada consideração, sobretudo pela forma desconcertante e intuitiva, utilizada por Jesus, em sua comunicação através das aldeias da Galiléia, a escandalizar doutores da Lei e autoridades romanas, de um lado, e, de outro, a maravilhar os pobres e oprimidos de seu tempo - e de todos os tempos. Estes foram os temas apresentados pelo autor no nono capítulo de seu livro.
No último capítulo do livro (o 10o), o autor nos surpreende com um “Jesus” intuitivo, em que, em diálogo com Spinoza, especialmente em seu livro “Ética”, o autor trata de compartilhar um rico aprendizado, à medida que, para compreender a figura de Jesus de Nazaré, cuida de percorrer 3 caminhos que não são excludentes, mas antes complementares. O primeiro passo tem a ver com a compreensão da mensagem evangélica por meio da “imaginatio” (da força simbólica da linguagem). Em busca de ir mais longe, o autor propõe alcançarmos a “ratio” (o exercício da razão), o que conseguimos, segundo o autor, pelo esforço contínuo (“conatus”), em busca finalmente de exercitarmos a ciência intuitiva. Eis o caminho que recorrendo à “épica” de Spinoza, o autor nos convida a exercitar. Tomara que este livro marcante suscite interesse de outras editoras fora do Brasil.
Agradecidos ao historiador Eduardo Hoornaert pela sua densa e frutuosa pesquisa - a mais recente de sua lavra, ao longo de três décadas, expressamos-lhe nossas felicitações e o mais profundo reconhecimento pelo seu vigoroso trabalho incansável.
Sabedoria, saúde e longa vida a Eduardo!
João Pessoa, 08 de janeiro de 2026