quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Um mergulho no mundo acadêmico / nos sugere autocrítica e atitudes

Um mergulho no mundo acadêmico

Nos sugere autocrítica e atitudes 


Alder Júlio Ferreira Calado   


Fim de ano, sendo tempo de balanço

Que parece também fazer o nosso? 


Ofício docente republicano 

Autocrítica - critério fecundante


Quem é pago pelo público, deve servir

Ao conjunto do Povo Brasileiro 


Que atenção asseguro ao RETIDE? 

Em respeito ao Público a que sirvo?


Eu preparo as aulas com qualidade?

Sou assíduo e pontual em meu trabalho?


Tomo em conta tão-só o Ensino Público 

Pelos erros gravosos cometidos 


No Ensino, Pesquisa e Extensão 

Faço tudo sozinho ou faço em grupo?

 

Me conecto tão só com meus colegas 

Ou também com a turma de estudantes? 


Nos contatos com os pares de outras instâncias

Eu mantenho postura saudável, ética?


Ou, buscando vantagem, eu termino

Sucumbindo ao toma-lá-dá-cá


Como lido com os meus orientandos?

Me reúno e leio seus trabalhos?


Sou adepto de grupos construtivos

Ou prefiro viver em panelinhas?


Na montagem de Bancas, 

Como faço para a escolha dos examinadores?


Quando quero propor algum artigo

Que critério utilizo, nos contatos?


Cresce o número de queixas em Concurso.

Serão todas vazias? procedem algumas?


Favoreço possíveis preferências

Ou procuro ser justo e imparcial?

 

Como temos costurado nossos campos

Do Ensino, da Pesquisa e da Extensão?


Na escolha dos temas de Pesquisa

É o Público, o critério dominante?


João Pessoa, 31 de dezembro de 2025







sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Entrevista concedida ao Jornal da Paraíba, em 30/11/2003

 Entrevista concedida ao Jornal da Paraíba, em 30/11/2003

“O DESEMPREGO É A CRUELDADE MAIS PERVERSA DO CAPITALISMO

“O problema não é de hoje, mas acentuou-se, principalmente depois da era Thatcher/Reagan, com o neoliberalismo que, praticamente destruiu as iniciativas sociais do capitalismo. Venderam-se estatais e retiraram da lei prerrogativas e garantias, que a social-democracia, por exemplo, assegurava aos trabalhadores”. Para o professor Alder Júlio Ferreira Calado, doutor em Sociologia na França, essas contradições criam o espaço ideal para o próximo passo para quem não encontra absorção pelo mercado de trabalho: a marginalidade. Nesta entrevista, Alder Júlio fala sobre as iniciativas sociais que combatem e lutam para promover mudanças, como os movimentos sociais, que, segundo ele, surgiram no Brasil há séculos por causa do acúmulo de dívidas sociais, de âmbito estrutural, como trabalho, habitação e cidadania. Apesar da visão crítica, ele acredita na solidariedade, no "rio subterrâneo" formado por grupos comunitários, movimentos sociais, grupos eclesiais, onde há outros valores como a partilha e o resgate da natureza e do sagrado. Ele critica a mudança de rumo do PT ao chegar ao poder, diz que a Educação é um fator decisivo para o desenvolvimento humano e lembra que “nem toda vida interessa ao ser humano, mas a vida digna, a vida plena”, ao lembrar o Evangelho: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância”.

– Como se explica a proliferação de tantos movimentos sociais, no campo e nas cidades, no Brasil de hoje?

Alder: A sociedade brasileira, sobretudo no que se refere às camadas populares - das quais são expressão viva os movimentos sociais, carrega herdada do colonialismo, do escravismo muito forte. Legado que vai ser agravado, acrescentado dessa carga do capitalismo, que procura sempre cultuar a mania do chefe, a mania de desigualar as pessoas, de dividir, de apartar quem é "de bem" de quem não é.

– Esse âmbito estrutural quer dizer exatamente o quê?

Alder: Quando falo em âmbito estrutural quero dizer que há toda uma história carregada de dívidas sociais, do ponto de vista de trabalho, de habitação, do ponto de vista de cidadania no sentido mais pleno da palavra. Então, isso é uma dívida de caráter estrutural.

– E vem desde quando?

Alder: Desde a invasão do Brasil. Desde lá vem se acumulando, com o colonialismo, seguido do capitalismo, em que as pessoas passaram a ser tratadas como socialmente desiguais. Não estou falando em simples diferenças, porque distintos somos todos, e devemos ser, já que assim, somos complementares. Estou me referindo à desigualdade social. E a esse acúmulo, de caráter estrutural, junta-se o quadro conjuntural, que agrava determinadas dívidas sociais.

– E por que esse capitalismo dá certo em outros pedaços do mundo como a Europa e os Estados Unidos?

Alder: Eu diria que ele deu certo até certo ponto, quando existia a tal da social-democracia. Ela assegurava um segmento muito bem aquinhoado, do ponto de vista de um minúsculo contingente da população. Na Europa, especialmente na Escandinávia, nos anos 60, como que os operários viviam num certo paraíso de bem-estar social. Era o Estado do Bem-Estar Social. Mesmo assim, eu era crítico em relação a isso, porque esse estado de bem-estar social não se estendia para o conjunto dos trabalhadores de todos os países. As periferias sempre viveram nessa dependência tremenda. A social-democracia tinha a garantia desse bem-estar social a pequenos contingentes de operários, trabalhadores, sobretudo na Europa e particularmente no norte da Europa. Mas, com o agravamento do neoliberalismo, isso foi abandonado. Hoje é uma questão de pouca importância para o capitalismo.

– Volátil e volúvel...

Alder: Sem qualquer compromisso com nada. E pior, acumulando riquezas mais do que muitas nações reunidas. E ditando ordens, elaborando e implementando políticas econômicas e enfiando-as de goela abaixo nesses países, sob a complacência desses governos que não atuam de maneira digna, a defender a soberania nacional, como manda a Constituição desses países, que juraram cumprir e fazer cumprir.

– No Brasil, essa perspectiva seria diferente, agora, após a eleição de um político cujas origens estão nas camadas mais populares?

Alder: Eu sou um de tantos e tantas que lutaram no interior dessas forças, desde o seu início, no sentido de que elas viessem a desaguar, não nisso em que hoje a gente está metido, mas noutra realidade que a gente gostaria, e da qual não abdiquei pessoalmente. E comigo estão muitas pessoas de luta, mas a grande maioria do partido optou por outro caminho, da concessão, do aliancismo. E isso faz com que as bandeiras históricas sejam perdidas de vista, enquanto muitos se contentam com as chamadas políticas compensatórias.

– Mas será que daria para remar contra a maré?

Alder: É uma boa pergunta. Depende do povo, da conscientização, da nossa capacidade de protagonismo coletivo, que o nosso povo tenha. Evidente, que você sendo o presidente e todo o povo que não está nada acompanhando isso aí, você não poderia tomar atitude cujas conseqüências depois a maioria do povo não arcasse, não respaldasse e fugisse da luta, a reclamar: "Por que você decidiu uma coisa nos colocando nessa posição", porque certamente qualquer opção mais política que prezasse a soberania nacional, por exemplo, implicaria algum tipo de reação. Só que essa reação seria muito menos custosa do que o preço que nós estamos pagando agora.

– As famosas contradições do capitalismo?

Alder: Eu gosto muito dessa palavra. Porque não é invenção. É simplesmente constatação. O capitalismo se mexe a partir de contradições. Sem contradições não existe o capitalismo.

– E quando se avalia a questão social, os movimentos, qual o peso do desemprego?

Alder: O desemprego é uma de uma série de variáveis que caracteriza a estrutura e a conjuntura atuais. O desemprego, por exemplo, vai fazer com que uma parcela considerável de pessoas que antes viviam no campo e dele foram expulsas para as cidades, e aqui chegando, não encontram absorção nem da parte da indústria, nem do comércio e nem de outras atividades. Aí a marginalidade é o próximo passo. Então, o desemprego é uma das crueldades mais perversas, no meu entender, cometidas pelo capitalismo aos seres humanos. Porque, veja, mesmo dentro do capitalismo havia a promessa do pleno emprego, isso na social-democracia. Nunca se garantiu, mas se apontava como meta o pleno emprego. Isso foi abandonado de maneira terrível pelo neoliberalismo, a partir da era Thatcher/Reagan, dos anos 80 para cá, de maneira infernal, a ponto de não quererem saber, de modo algum, de garantir emprego. Tanto é verdade que o segmento que hoje hegemoniza o capitalismo, é força mais parasitária, que é o segmento financista da especulação.

– Qual é esse preço?

Alder: Veja só: um dos grandes programas do governo atual é o Fome Zero. O orçamento desse programa é entre R$ 20 bilhões e R$ 40 bilhões, ou seja, em torno de US$ 12 bilhões, em quatro anos de governo. Ora, para se ter uma idéia, quanto é que apenas de serviços da dívida estamos pagando por ano? Em torno de US$ 120 bilhões? Ou seja, o orçamento do Fome Zero seria então a décima parte do que a gente está pagando de serviço da dívida...

– O que nos remete, novamente, à história da especulação financeira e da voracidade do mercado...

Alder: Claro. Com certeza. A gente está abrindo mão de uma riqueza enorme que o Brasil tem. Da riqueza de terras, - somos o quinto maior do mundo em tamanho. E terras planas. Não é como o Canadá e a China, que são maiores do que o Brasil, mas, no caso do Canadá, partes expressivas são tomadas por geleiras. Nós temos terras que, "em se plantando, tudo dá", de norte a sul, de leste a oeste. Temos subsolo riquíssimo, com metais preciosos e petróleo. E onde está essa riqueza toda? Nós temos um mar enorme - a faixa marítima é de milhares de quilômetros. Temos rios caudalosos, de cachoeiras, volumosos. Temos água doce, que é um bem raro. Temos um parque industrial dos melhores da América Latina. O povo às vezes estuda isso aí, mas não retém. A propaganda é tão grande em cima de um Brasil que não dá certo, que até o presidente diz: o Brasil é pobre. Pobre coisa nenhuma! Pobre é o povo, mas o País é rico.

– Professor, voltando aos movimentos sociais, que avaliação pode ser feita do apoio da Igreja nessa luta? Isso não politiza os movimentos e deixa até a indicação de que eles podem transformar-se em partidos políticos?

Alder: É verdade. Pode até acontecer, e seria um pleito justo, legítimo. Se um movimento desses que queira transformar-se em partido. É uma legitimidade. Na democracia representativa, o partido político não é um canal democrático? Então, nada contra. O problema é que eu não sei se alguns desses movimentos - aqui me refiro àqueles mais organizados, do ponto de vista político, mais consistentes - têm essa vontade. Por quê? Porque desacreditam cada vez mais nos canais da chamada democracia formal, representativa. Vem ano, passa ano, e as coisas não melhoram, mas se agravam. Há um risco muito grande de parcelas significativas desses movimentos perderem a crença na democracia formal, tal como ela vem acontecendo. As promessas se acumulam e os resultados são poucos ou nulos. Então, hoje algumas igrejas cristãs, principalmente a Católica – mas não podemos deixar de reconhecer o trabalho de outras igrejas, que também têm uma preocupação social semelhante, como os setores que você mencionou, a exemplo da CPT, do Cimi – uma organização extraordinária atuando junto aos povos indígenas. Então, se tem tido uma contribuição grande, principalmente na parte da formação.

– E a posição da Justiça em relação aos sem-terra, de certa forma radical?

Alder: A gente não pode esquecer que o Estado procura manter os interesses de quem de fato domina. A Justiça é um aparelho do Estado, tal como o Legislativo, o próprio Executivo, tal como outras forças também. De modo que a Justiça, de certa forma, cumpre esse papel, de um poder que busca manter os interesses de quem detém as riquezas. A contradição é que grande parte dessa esfera judicial é formada pelas universidades públicas e aprende outros conceitos, mas quando vai para a Justiça faz exatamente outra coisa. Isso está evidente, basta ver os critério de julgamento. Quando se trata de alguém de uma força ou de bastante prestígio econômico, aí a agilidade de fato está à vista. Basta fazer uma consulta nas cadeias, por exemplo. Quem está preso? O pobre, o preto, o discriminado. Quantos punidos há, que tenham o CPF volumoso? Essas injustiças se acumulam, mas não no Judiciário apenas, mas em todo o sistema, que parece corroído, por dentro.

– E a imprensa nesse contexto?

Alder: A imprensa também, a gente sabe, que é um componente importante de poder. Até se fala em quarto poder... Tem um papel muito importante nessa formação de sociedade. Embora não pertença ao Estado, a gente sabe que a imprensa funciona, em boa dose, graças ao financiamento do Estado.

– O relacionamento é muito estreito...

Alder: É promíscuo, a gente sabe disso. Agora, em todas essas instâncias governamentais e do Estado, há pessoas sérias, que têm um compromisso social reconhecido. Mas o fato de a gente distinguir essas exceções não nos dá direito de negar que a estrutura como um todo orgânico atua na velha direção de buscar garantir interesses - e até ampliá-los - a quem já domina. A imprensa, no entanto, faz parte disso, à exceção da imprensa alternativa, a exemplo da Revista Caros Amigos, Brasil de Fato...

– O maior movimento hoje no País é o MST. Que papel está resguardado à reforma agrária?

Alder: A reforma agrária é uma bandeira que se vem empunhando há muito tempo, não é de hoje. É uma bandeira que foi iniciada após a invasão, com a resistência dos indígenas, com os movimentos populares, ao longo do Brasil-colônia. Hoje isso continua. As Ligas Camponesas tiveram seu papel muito importante, no qual a Paraíba desponta como um Estado privilegiado, nessa condução das lutas, haja vista nomes como João Pedro Teixeira, Nego Fubá, Pedro Fazendeiro e tantos outros – Elizabeth Teixeira, que é viva ainda. É a continuação das lutas, embora com distinções e descontinuidade. Não é uma continuação mecanicista, mas é um movimento que procura, ao mesmo tempo, sem perder de vista essas lutas, trazer seu aporte.

– Por que na Ásia - nos tigres asiáticos - o capital encontrou terra mais fértil?

Alder: A educação faz a diferença. O investimento que esses países têm assegurado à Educação tem sido qualquer coisa muito longe em relação aos países do Terceiro Mundo, particularmente ao Brasil e à América Latina. Lá, o investimento é grande. Na Coréia do Sul, por exemplo, é espantoso. Você pega o índice de jovens que acessam a universidade, não tem nada comparado em relação ao Brasil, por exemplo. De modo que a educação faz a diferença. Não que legitime politicamente, porque muitas vezes se trata de uma educação voltada para a produtividade do capital, mas do ponto de vista de que a população aceda à escola, tenha escolaridade adequada para depois pensar no que pode ser e até em seus projetos alternativos. No caso nosso, é um abandono por completo. É uma privatização generalizada, na saúde, na educação. Olha, no caso da universidade, a gente tinha nos anos 60, em torno de setenta e cinco por cento das universidades sob o controle do Estado, públicas. Hoje, estamos vendo uma inversão. É exatamente o contrário, 3/4 pertencem à iniciativa privada, enquanto 1/4 é que o Estado continua, de má vontade, a financiar.

– E que papel o senhor acha que está reservado à solidariedade...

Alder: Enormemente. É fruto de um processo de formação.

– Essa educação de hoje só estimula a competição, em desrespeito mesmo a valores como a amizade. Pegam crianças que estudaram juntas desde o pré-escolar e quando chegam ao terceiro ano, dizem que elas são concorrentes, quando elas mesmas dizem que não querem tratar o amigo como um competidor...

Alder: Muito bem colocado, porque a gente tem educação e tem formação que é algo mais amplo. A educação está na cabeça da gente, muitas vezes, associada a escolarização, o que é uma parte da educação. Mas não é tudo, nem o principal. Os filhos da gente se guiam muito mais pela televisão – bem ou mal, e eu acho que mal – do que pela escola, por exemplo. E mais do que isso: mais importante do que a escola é a própria vida. E aí a gente nota essas contradições. De um lado a grade de valores dominante, como a concorrência desenfreada, o individualismo...

– O ter. Hoje o que vale é a grife e não o vestir-se, por exemplo...

Alder: O imediatismo... a chantagem que a mídia passa para as crianças que pressionam os pais por aquilo que querem. Os mecanismos de seleção de mercado. A gente tem essa grade de valores. Mas para dizer a verdade é bom que a gente veja o outro lado. O lado que, inspirado na imagem de João Batista Libânio, também passei a chamar de "rio subterrâneo". A gente está vendo esse rio de superfície, a sociedade, às vistas da gente, mas a gente está pouco vendo aquele que corre por baixo. Quando falo por baixo, me refiro a grupos comunitários, movimentos sociais, grupos eclesiais... Nesse rio subterrâneo há outros valores, como a solidariedade, a partilha, o resgate da natureza, do sagrado, não como um sagrado tido como um "toma lá, dá cá", como muitas vezes o televangelismo apresenta, banaliza o sagrado, trazendo o céu na mesma medida do mercado. Isso é uma degeneração do sagrado.

– Quer dizer, apesar da visão cientificista na metodologia de invenção, o senhor acredita nos valores desse rio, e que esses valores podem revolucionar o mundo?

Alder: Acredito na força dessa água, e é o que me mantém vivo, porque se ficasse nesse rio que corre na superfície, eu estaria envenenado, possivelmente, sendo alguém completamente tomado pelo ter, por uma vida de trevas e o suicídio talvez seria o caminho. Porque a vida enquanto ter não nos oferece o deleite da plenitude que nos encaminha. A vida vegetativa não é a vocação do ser humano. Ele nasceu para ser feliz, para a liberdade. Então, nem toda vida interessa ao ser humano, mas a vida digna, a vida plena. O Evangelho diz assim: "Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância". Não é essa vida que o capital quer derramar por aí.


terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Labirinto capital nos asfixia Terra, água, ar, seres viventes



Alder Júlio Ferreira Calado


Vale tudo quando gera riqueza e lucro:

É assim que opera o Capital 


Tudo vira objeto de apossamento:

Terra água, o solo e o subsolo 


O que implica riscos gigantescos:

Centenas de espécies submarinas 


É o caso de explorar os Oceanos

Na corrida tresloucada por metais raros 


Assembléia do Rio, em novo escândalo:

Presidente em conluio com traficante 


STF faz prender a autoridade 

Assembléia, porém, vota soltura


Cada vez, familícia se complica:

Aliados se afastam, pouco a pouco 


Durou pouco a auto-candidatura

Do herdeiro Bolsonaro à Presidência  


STF conclui o julgamento

Da parcela final dos pró-Golpismo  


Parlamento traindo Democracia 

Estimula mais golpes contra o Estado 



Descumprindo sentença do STF 

Deputados absolvem C. Zambelli  


STF referenda liminar:

Anulando votação dos Deputados 


Pela enésima vez, os paulistanos

Provam o fel das políticas privatistas 


Uma dívida impagável com as Mulheres 

Tem os homens: violências e maus tratos 


Glauber Braga punido Por bons feitos

De Combate às emendas fraudulentas   


Só nos resta dizer-lhe solidários

Pelas lutas que trava, em seu Mandato 


A Austrália proíbe adolescentes   

De acessar qualquer rede sociais


Prêmio Nobel da Paz soa um escárnio

Outorgando a golpista beligerante 


Um trilhão de reais, somente em juros 

Que o Banco Central nos “presenteia”...  


Combinando barbárie e pirataria 

O Império ameaça o Continente 


Ser humano precisa de tempo livre

De lazer, de festejos e criação 


A Escala 6x1 é deletéria;

Não vivemos apenas pro trabalho 


É urgente controlar o Parlamento 

E purgar maioria ante-Povo 


Estridente o clamor de nossa Gente:

Derrotar a anistia aos golpistas 


Só as ruas tem o condão de derrotar 

A anistia pretendida por golpistas 


Com o retorno do Povo às nossas ruas 

A Direita se sente pressionada

 

Com a vitória de Kast, lá no Chile

A Direita avança no Cone Sul   


Desserviços prestados pela ENEL

Só confirmam a troz pirataria 

  

São 50 0s bilhões que o Congresso 

Abocanha Usurpando o executivo 


Contra-senso aprovado no Senado:

Retrocesso é o marco temporal…


Gás, carbono, petróleo são venenos 

Que aquecem inda mais nosso Planeta 

 


João Pessoa, 16 de dezembro de 2025



quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Tempos de retrocessos desumanizantes: a força do esperançar



Alder Júlio Ferreira Calado 


Embora diretamente afetados, são pouquíssimos dentre nós que se empenham em acompanhar criticamente - e por fontes variadas e fidedignas - o que se passa, em nossos dias, do âmbito local e em escala internacional. A prevalecer tal atitude, a tendência de piorar só se agrava. Com efeito, seguem contundentes os sinais de barbárie que se avolumam por toda a parte, nas mais diferentes esferas da realidade: socioambiental, econômica, política geopolítica-econômica, cultural, religiosa, nas relações sociais de gênero, étnico-raciais, geracionais, de procedência geográfica, nas relações com o sagrado, nas relações biopsicossociais, de subjetividade e intersubjetividade, entre outras. 


Neste sentido, somos diariamente bombardeados por fatos e notícias dando conta dos crimes socioambientais perpretados contra nossos biomas; do aumento do feminicídio e das mais perversas formas de violência contra as mulheres; do aumento dos crimes contra os povos originários; das comunidades quilombolas, dos povos tradicionais das florestas e das águas; do agravamento das desigualdades; da profunda crise das Democracias liberais e do respectivo Estado do aumento das prisões em massa e a margem da lei, a punirem, não raro, com pena de morte, os jovens pretos, pobres e perifericos; as crescentes usurpaçoes do Congresso pretendo-se o Poder sobre os demais Poderes… são fatos e situações que, aos olhos de quem os acompanha criticamente mais de perto, se revelam tanto mais ameaçadores, quanto observamos seus profundos laços de conectividade. 


A despeito da complexidade das questões aqui suscitadas, o propósito das linhas que seguem, se limita a enunciar alguns aspectos de problematização, de caráter provocativo, tendo, como de hábito, os/as militantes das causas das classes populares, como alvos preferenciais de interlocução. 


A debilidade de nossa consciência de classe 


Diferentemente de outras conjunturas sociais, econômicas e políticas - como, por exemplo, a do período das décadas de 1950 a 1980 -, experimentamos atualmente uma época que combina dois extremos: de um lado, o descenso dos movimentos populares atuando com perspectivas revolucionária, e de outro lado, a espantosa expansão, em escalas mundial, latino-americana e no Brasil, de forças neofascistas que se tornam hegemônica nos aparelhos de Estado, na mídia comercial, em amplas parcelas da população, inclusive em setores cristãos. Importa aí perceber o reconhecimento, não apenas do fator externo (o ascenso da extrema-Direita), mas também a incidência do fator interno - nossas forças de esquerda, em grande parte, cegamente confiantes em mudanças pela via eleitoral, abandonaram as lutas e a própria convivência com os “de baixo”, no campo e nas periferias urbanas. Abandonaram o processo organizativo das bases, bem como o processo formativo permanente. Não é em vão que tanto se reclame hoje da falta de militantes comprometidos com os estudos críticos da realidade social do que tem resultado um vertiginoso “déficit” teórico em nossos militantes, em grande parte, afeitos ao ativismo, destituído de lastro teórico, de estudos dos nossos bons clássicos - homens e mulheres, a partir da realidade brasileira. 


De tal modo imantizante tem sido o poder de atração da via eleitoreira, que até parte expressiva dos mais combativos Movimentos Populares, que nos anos 1980, por exemplo, se empenharam em cultivar sua autonomia perante o mercado capitalista e seu Estado acabaram sucumbindo ao conto eleitoreiro, arrefecendo as lutas populares, no campo e na cidade, ao mesmo tempo em que cedendo lugar aos grupos de Direita. Com efeito, como apostar todas as fichas na via eleitoral, especialmente na atual conjuntura brasileira, de um Congresso quase completamente hostil aos interesses das classes populares, um Congresso cada vez mais refém da extrema-Direita, haja vista suas votações mais recentes, inclusive a favor da anistia quase completa dos golpistas, cujo último núcleo ainda está sendo julgado? Não se conclua daí que, em uma eleição disputada pela  Direita golpista, não tenhamos que evitar a tragédia mais letal, mas conscientes de que isto não basta: precisamos retomar, no dia-a-dia nossa convivência, no campo e nas periferias urbanas, nossa convivência orgânica com as classes populares, seja no plano organizativo (sempre pela base), na esfera formativa permanente, e no terreno das lutas de enfrentamento. 


Onde reside a força do nosso esperançar?


Importa notar que o que adiante assinalamos nada tem propriamente de novo. Trata-se, antes, de ressaltar algumas evidências esquecidas. Quem se atém mais de perto a ler criticamente nossa realidade, percebe que, a despeito de tantos retrocessos, encontramos, nas correntezas subterrâneas, grupos e coletivos e alguns movimentos populares empenhados em semear e cultivar sementes de uma nova sociedade. Destes protagonistas - mulheres e homens - fazem parte, por exemplo, coletivos feministas, grupos de mulheres indígenas, quilombolas, alguns poucos Movimentos Populares - só para mencionar alguns exemplos. É aí que reside nosso esperançar, a curto, médio e longo prazos.


Com efeito, no Brasil, na América Latina e no Mundo, constatamos o protagonismo dessas gentes empenhadas no chão do dia-a-dia, a mostrarem iniciativas e projetos grávidos do novo. Quase todos impregnados da força do novo, do potencial revolucionário, sob as mais distintas manifestações: das relações cósmicas e planetárias (em busca do bem-viver e paradigmas afins); as relações sociais de gênero; de experiências inovadoras no plano da produção, do consumo e da gestão societal; as relações políticas e culturais, destituídas e em luta contra as relações de colonialidade, só para assinalar aspectos da realidade menos presentes aos nossos olhos, mas nem por isso dela menos presentes.


João Pessoa, 10/12/2025



quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Burguesia se apossa do Estado / Em um ritmo crescente, escandaloso!

 Burguesia se apossa do Estado 

Em um ritmo crescente, escandaloso!


Alder Júlio Ferreira Calado 


Maioria do Congresso representa 

Interesses da classe dominante 


Hugo Motta e Alcolumbre, em conluio 

Derrotando projetos populares 


Eleições em Honduras, nos acena 

Com vitória popular e progressista 


No entanto, o Império intervém

Procurando reverter o resultado…  


Eduardo, Zambelli e mais Ramagem 

Fugitivos, mantendo seu mandato…


Cada vez, se a figura mais difícil 

Governar o país com frente ampla 


Se permite dar um passo para a frente 

Em seguida, dá três passos para trás 


Frente Ampla desfaz nossas conquistas 

Mesmo quando tem êxito eleitoral 


A imensa maioria do Congresso

É inimiga do povo trabalhador  


Só defende interesses dos mais ricos

Que derramam fortunas, nas eleições 


Votação vergonhosa contra o Ambiente

Escancara as ações devastadoras 


Muito grave o escândalo banco Master 

“obra prima” de banqueiros e políticos 


De bilhões (26) foi o total 

Do assalto Praticado por banqueiros 


A aliança entre Motta e Alcolumbre 

Só se presta a impor mais retrocessos  


O revés cometido pelo Congresso  

As conquistas do cuidado ambiental


O Império perpetra retrocesso 

Ao processo de humanização


É inútil busca em Donald Trump 

Qualquer traço de razão em seus comandos 


Haja vista atacar Venezuela

Com o propósito de apossar-se do petróleo 


Dirigentes da UP Sofrem invasão

Da polícia de Santa Catarina 


Sua sede e residências invadidas

Sem qualquer razão prévia para os atos 


Solidários às vítimas da ofensa:

O lutar é virtude, não é crime 


Quanto mais apregoa o estado mínimo 

Mais assaltam do Povo suas riquezas 


De bilhões são duzentos e quarenta 

Que sequestram do fisco brasileiro 


Chegam a mil os devedores contumazes 

Que assaltam as riquezas do País 


Isto prova avidez descontrolada

Que os burgueses cometem contra o Povo 


Pavorosos os dados do feminicídio

Pois a cada 6 horas, matam uma mulher 


Enteados se unem contra Michelle 

Mas, amargam derrota a acachapante 


Foi ambígua a mensagem do Pontífice 

A respeito do caso Venezuela


Por um lado o dissuade de invadir 

E, por outro, insinua outra sanção


A barbárie é instalada pela força

Nos tornando cada vez mais desumanos 


Hugo Motta garante ordenados 

De cassados, na Câmara, no estrangeiro…


De 40% é o desperdício

Que fazemos de água no Brasil 

 

Chegam a 600 os bilhões 

De renúncia fiscal para burguesia 

  

Paraíso fiscal para os de “Cima” 

Um inferno pro povo trabalhador…


João Pessoa, 04 de Dezembro de 2025