Acorda, Brasil! Ainda é hora! (VIII)
Alder Júlio Ferreira Calado
Aproxima - se o dia 25 data da realização do segundo turno das eleições. Não temos tempo a perder, mantenhamo - nos firmes e vigilantes ainda a tempo de reverter o trágico resultado do primeiro turno. Nesta perspectiva as últimas ocorrências ajudam a restituir nossa esperança. É o que sentimos com as últimas e crescentes manifestações massivas pelo Brasil afora, bem como com a intensa participação de nossas juventudes nas redes digitais e nas ruas. Fortalece - nos, não menos, a recente e acachapante vitória da Emenda Constitucional trazendo o fim da Jornada 6 por 1, sem redução salarial. No entanto, o tempo segue sendo de muita ação e de muito compromisso.
Entre as vozes proféticas que se têm pronunciado contra os riscos de barbárie que corremos citamos a bendita figura de Dom Limacêdo Antônio da Silva, Bispo de Afogados da Ingazeira, no Sertão pernambucano. Sobre a Diocese de Afogados da Ingazeiras, cumpre lembrar sua especial vocação profética, com fundas raízes, por exemplo, em Dom Francisco Austregésilo de Mesquita, um dos 40 bispos signatários do Pacto das Catacumbas, assinado em 16 de Novembro de 1965, pelo qual os signatários se comprometem fortemente pela causa libertadora dos pobres eles próprios tomando a decisão de viverem uma vida próxima de seu povo. É, portanto, com entusiasmo, que tomamos conhecimento do oportuno pronunciamento de Dom Limacêdo.
Chocado como tantos e tantos de nós, com o resultado ameaçador do primeiro turno das eleições, Dom Limacêdo, a exemplo de Dom Cappio não hesitou em advertir seu povo do sério risco que corremos, com tal resultado apelou para o bom senso dos fiéis, convidando - os a analisarem criticamente, a partir dos fatos de nossa realidade, mostrando que não é tão difícil escolher adequadamente entre os dois projetos em disputa, instando seu povo a rememora tantos ganhos efetivos proporcionados a enorme maioria do País com a efetivação de políticas públicas, aplicadas a diversas esferas de nossa realidade, de um lado. Por outro lado, um pequeno esforço de rememorar aspectos diversos do legado bolsonarista nos permite perceber o tamanho e a gravidade de uma opção pelo desgoverno bolsonarista.
Convêm destacar, a seguir, trechos do pronunciamento feito por Dom Limacêdo:
“... O que está em jogo não são só duas pessoas é um modelo de sociedade atenção: é muito mais amplo do que duas pessoas, minha gente! ou dois ou três partidos é o nosso futuro. Digo sem medo de dizer isto. Tenho a responsabilidade. Corremos o risco de enfrentar uma Ditadura, não tenho medo de dizer isto. Se não o dissesse, eu estaria pecando diante de Deus e de você eu que sou Pastor desta Diocese, não posso me dispensar de dizer este anúncio. Eu não seria fiel ao que prometi quando fui ordenado Padre e quando fui ordenado Bispo a palavra de Deus não nos tira da História, não nos tira da Terra, não nos tira da vida. Pelo contrário. Nos coloca mais profundamente, porque “a quem muito foi dado muito será pedido, cobrado” e no meu caso, também vai ser muito cobrado. Reflitamos com simplicidade, sem paixão, com raciocínio”.
Não desprezemos estas vozes proféticas. Mantenhamos - nos mobilizados, em busca de evitar nova tragédia para o brasil, não bastasse a que amargamos, durante o desgoverno Bolsonaro: como esquecer a monstruosidade de seus gestos e de suas palavras de desprezo e de chacota contra as milhares de vítimas da Covid - 19? A hora é de ação!. Na sequência, voltamos a reproduzir a carta - mensagem de Dom Frei Luiz Cappio.
João Pessoa, 17 de Outubro de 2026.
Eis a íntegra da carta - mensagem de Dom Cappio.
“Não estou lhe pedindo amor por Lula; estou lhe pedindo horror à barbárie. Estou lhe pedindo que se lembre do que fizeram com o Brasil quando tiveram o poder nas mãos: transformaram mentira em método, ódio em linguagem, ignorância em programa de governo, grosseria em identidade moral. Atacaram urnas, atacaram tribunais, atacaram jornalistas, atacaram professores, atacaram a ciência, atacaram a ideia mesma de verdade. Fizeram da política um curral de fanatismo, da pátria um disfarce, da bandeira um pano para encobrir golpismo, misoginia, racismo, homofobia, devastação ambiental, desmonte da saúde, desprezo pela educação pública, crueldade contra os pobres e servilismo diante dos poderosos. Humilharam mulheres, insultaram negros, transformaram gays em alvo, trataram indígenas como obstáculos, a floresta como saque, a morte como detalhe. E quando o país sofreu, quando faltou ar, cuidado, vacina, decência, luto, eles não ofereceram grandeza, mas deboche; não ofereceram liderança, mas delírio; não ofereceram ordem, mas caos. Eu não lhe peço entusiasmo, peço limite. Você pode não gostar de Lula, pode criticá-lo, achá-lo aquém, votar com a mão sem alegria. Mas há horas em que a urna não nos pergunta quem nos encanta, mas apenas se ainda sabemos distinguir civilização da barbárie. Esta é uma dessas horas. Vote contra o golpismo, contra a seita da violência, contra os que corroem instituições, envenenam a convivência e flertam com a treva com quem flerte com um brinquedo. Um país sobrevive a governos ruins, mas as vezes não sobrevive ao prazer político de destruir tudo. Não estou lhe pedindo paixão, estou lhe implorando lucidez" (Dr. Júlio Benchimol Pinto, advogado, PHD pela Universidade de Brasília, com pós-doutorado nas Universidades de Oxford, na Inglaterra, e Duke, nos Estados Unidos).”
Lula nós conhecemos sua trajetória tanto social quanto política. Hoje um dos candidatos ao "Prêmio Nobel da Paz". O outro não o conhecemos.
Que Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil e do povo brasileiro, nos conceda inteligência, prudência e sabedoria no momento de votar.
PAZ E BEM!"