José Comblin na origem da Teologia da Libertação: breves considerações
Alder Júlio Ferreira Calado
Não é a primeira vez - nem será a última - que buscamos compreender melhor as origens da Teologia da Libertação (TdL), e nelas o lugar do Teólogo José Comblin. Cada vez que revisitamos e descobrimos novas fontes, surge a necessidade de rever ou aprimorar a compreensão de como brota e se consolida a TdL. Nas linhas que seguem, ao descobrirmos novas fontes, cuidamos de revisitar a temática, com o propósito de incorporar novos elementos, em busca de uma melhor compreensão da gênese da TdL e, mais especificamente, do lugar de José Comblin neste processo.
Tratamos de revisitar esta temática, iniciando com uma breve rememoração do que aqui se entende por Teologia da Libertação. Em seguida, cuidamos de aspectos fundamentais do contexto sócio histórico e eclesial dos anos 50 e 60. Por fim, buscamos entender melhor a participação de José Comblin, desde os primeiros passos de elaboração da TdL.
Breves considerações sobre o que entendemos por Teologia da Libertação
Começamos por assinalar o que não entendemos como Teologia da Libertação (TdL). Não se trata de uma moda, de uma mera corrente de produção teológica, entre tantas. A TdL finca suas raízes mais fundas na grande Tradição do Movimento de Jesus de Nazaré que, por sua vez, como o Enviado do Pai também bebe nas fontes libertadoras do Êxodo (cf., por exemplo Ex 3, 9 - 10 “Eis que o clamor dos filhos de Israel chegou a mim e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem. Vem agora, pois, e eu te enviarei a faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito”), e na tradição dos grandes profetas de Israel, como diversos teólogos o rememoram a exemplo do próprio José Comblin, em seu livro “A Profecia na Igreja” (São Paulo, Paulus, 2008).
O movimento de Jesus, seguido pelas primeiras Comunidades cristãs, testemunha abundantemente o anúncio e as práticas de um Jesus profundamente comprometido com valores tais como: o Amor, a Justiça, a Misericórdia, a partilha, a compassividade, a libertação de toda sorte de escravidão (cf. Lc 4, 15-19). No séculos seguintes, a despeito de graves desvios da hierarquia da Igreja, nunca faltaram Movimentos Populares de Libertação, conhecidos, na Idade Média, como Movimentos Pauperísticos (os Patarinos, e Valdenses, os Cátaros, os Albigenses, os Apostólicos, as Beguinas, os Begardos, os Hussitas e outros) a denunciarem os graves desvios da hierarquia e a clamarem pelo retorno às origens da Tradição de Jesus.
De modo similar, com maior ou menor intensidade, isto também se dá nos séculos vindouros. A TdL, por tanto, (re)surge em linha continuação à Tradição de Jesus, não se tratando de uma corrente da moda…
Teologia da Libertação: primeiros passos
Diante da estúpida reação do crescente fundamentalismo religioso, no Brasil e na América Latina, a tudo que diga respeito a temas como “Igreja dos Pobres” “Igreja na Base”, Concílio Vaticano II, Medellín, CEBs, e similares, resta compreensível o ódio destilado pelas Igrejas fundamentalistas contra a Teologia da Libertação, que condenam sem qualquer conhecimento ou argumento razoável sobre a mesma, limitando-se, de modo agressivo, a tomá-la como simples coisa do Diabo. Ao mesmo tempo, convém refutar certa compreensão simplista da TdL, entendendo-a como uma espécie de moda na produção Teológica. Aqui se trataria de uma corrente teológica tal como outras, sem entendê-la como um profundo apelo à refontalização, às raízes do Movimento de Jesus.
Eis por que convém rememorar brevemente os primeiros passos desta retomada da Teologia da Libertação, desde os anos 1960. Ainda nos anos 1940, havia surgido, na França, a experiência dos Padres Operários, como expressão mais forte do compromisso de evangelização da classe trabalhadora, que se estenderia pela Bélgica e pela Itália e, já nos anos 1960, também pelo Brasil. Ao mesmo tempo, a chamada Ação Católica Especializada (JAC, JEC, JIC, JOC e JUC) ganharia força crescente também no Brasil. Por outro lado, diversos teólogos desempenharam um papel relevante na reflexão teológica de compromisso com a causa libertadora dos pobres e a disposição de diálogo com o mundo moderno, a exemplo do que fizeram Yves Congar, (1904-1995), Emanuel de Lubac (1886-1991), Karl Rahner (1904- 1984).
Importa lembrar que mesmo lidando com termos distintos (“Teologia da Revolução”, “Teologia da Esperança” e semelhantes), diversos teólogos protestantes e católicos já empregavam o termo “Libertação” ou “Salvação”, acentuando seus profundos laços semânticos. Neste sentido, nunca é demais reconhecer as valiosas contribuições a TdL vindas de diversas figuras de diferentes Igrejas protestantes (Presbiteriana, Metodista, entre outras), tais como Richard Shaull, Rubem Alves, Waldo César, Joaquim Beato, Jether Ramalho, mais tarde também Julio de Santa Ana, entre outros. Com efeito, sob o influxo de diversas experiências de vários movimentos latino-americanos, a exemplo de ISAL (Iglesia y Sociedad e sua Revista Cristianismo y Sociedad) dos anos 50 e 60, e sob a influência do Concílio Vaticano II, diversos teólogos latino-americanos, inclusive sob o patrocínio do CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano), iniciativas de incentivo a uma reflexão mais comprometida com os desafios sociais, políticos, econômicos e eclesiais da América Latina. Foram promovidas pelo CELAM, sob a presidência de Dom Manuel Larraín, Bispo de Talca, figura solícita às demandas dos pobres da América-Latina, o CELAM, à luz dos Documentos do Concílio Vaticano II, cuidou de promover, ora em Petrópolis (Rio de Janeiro), ora em Bogotá, ora no México, encontros com diversos teólogos comprometidos com as cousas libertadoras dos oprimidos. Nestes Encontros, o CELAM propunha diversos objetivos, como recorda Roberto Oliveros, “Ocasião para que um grupo de teólogos sul-americanos (se inclui o México) se conheçam melhor e intercambiem suas ideias. 2. Despertar através deste grupo nas diversas Faculdades, Professores de Teologia, etc..., uma atitude de interesse ativo, abrindo horizontes e definindo assuntos de pesquisa, de interesse latinoamericano. A idéia é que este encontro possa ser o ponto de partida de um trabalho de investigação teológica da problemática da Igreja latinoamericana. 3 Fazer um projeto de temas, pessoas a convidar e etc, de um provável curso de 20 ou 30 dias, em Julho de 1964, para professores de teologia latino-americanos, a cargo de três ou quatro dos grandes mestres europeus. Eleger alguns temas – é a sugestão de vários bispos do CELAM – de possíveis cartas pastorais do episcopado latinoamericano” (OLIVEROS, Roberto. Liberación y Teología).
Vale lembrar que tal iniciativa do CELAM se deu ainda em 1964, atinente ao Encontro em Petrópolis, o que atesta o compromisso profético daquela geração de Bispos, entre os quais Dom Manuel Larraín (Bispo de Talca, Chile) e Dom Helder Câmara. Note-se que, entre os teólogos convidados e participantes desses encontros, José Comblin era uma dos mais assíduos. Este Encontro apenas inaugurava uma sucessão de outros Encontros, com ou sem o protagonismo do CELAM, nos anos seguintes: Cuernavaca (México, 1965), Santiago (Chile, 1966), Montevidéu (Uruguai, 1967) e diversos outros realizados após a Conferência Episcopal Latino-Americana de Medellín (Colômbia, 1968), em El Escorial (Espanha, 1972), no México, 1975, e, em seguida, importa sublinhar o impulso extraordinário da Teologia da Libertação, em escala intercontinental: na Tanzânia, em Agosto de 1976; em Gana, 1977; em Srilanka 1979 e em São Paulo (Brasil, 1980). No Encontro realizado em El Escorial, na Espanha, José Comblin foi dos primeiros a trazer sua reflexão, como bom estudioso da realidade brasileira e latino-americana, conforme podemos apreender pelos registros integrais das conferências e debates, em “Fé Cristã e Transformação Social na América Latina: Encontro de El Escorial, 1972”.
Vale também sublinhar o caráter ecumênico dos encontros intercontinentais, acompanhados atentamente também por José Comblin. Um de seus escritos - aparecido na Revista Mensaje, do Chile, faz uma avaliação do grande Encontro ecumênico de teólogos e teólogas da Libertação, realizado em São Paulo, em 1980.
Incentivado por Dom Severino Mariano de Aguiar, Bispo de Pesqueira-PE, um dos signatários do profético Manifesto publicado em 1973, contra a Ditadura empresarial militar, intitulado “Eu ouvi os clamores do meu povo”, tive a oportunidade de ler pela revista “Informations Catholique Internationale”, relevantes autores e reportagens acerca do que eram esses encontros internacionais de Teólogos latino-americano, a exemplo do que foi realizado em Cuernavaca (México, 1965). Lembremo-nos de que, antes do Encontro de Cuernavaca (México, 1965), já havia acontecido, em Petrópolis (Rio de Janeiro), em Março de 1964, do qual participaram diversos teólogos, inclusive José Comblin, vindos de diferentes países da América Latina; e também de que, após estes dois primeiros, outros tantos seguiram acontecendo.
Eis os momentos-chave que revelam os principais passos relativos às origens da TdL, graças aos quais este modo de teologizar passou a ganhar força, em âmbito internacional. Uma vasta sucessão de teólogos e teólogas - da primeira e das novas gerações - vêm a assegurar um ritmo crescente de produção teológica, nas mais diversas áreas do conhecimento teológico, em uma perspectiva libertadora, e trazendo como novidade mais explícita uma crescente diversidade temática, de modo a suscitar o que hoje se chama “Teologias da libertação”, conforme bem o demonstra a coletânea “50 anos de Teologias da Libertação: memória, revisão e perspectivas e desafios” (São Paulo: Editora Recriar, 2022, 2 volumes), do qual participaram algumas dezenas de teólogos e teólogas, livro organizado por Emerson Sbardelotti, Edward Guimarães, e Marcelo Barros. Diversas outras iniciativas de grande alcance foram tomadas, das quais aqui citamos apenas cinco: a coletânea “Teologia e Libertação”, elaborada nos anos 1980, um alentado Projeto editorial, visando a cobrir os mais diversos campos teológicos, na perspectiva própria da TdL. O projeto inicial previa a elaboração de uma cinquentena de livros, com a participação de autores e autoras mais versados naquelas respectivas áreas. Dentre tais autores e autoras, podemos citar: George Pixley (A História de Israel a partir dos Pobres), Gustavo Gutiérrez, Juan Luis Segundo, Segundo Galilea, Jon Sobrino, Leonardo Boff, João Batista Libânio, Maria Clara Bingemer, José Comblin, Ivone Gebara, entre diversos outros e outras.
A despeito das fortes reações e da perseguição movidas pelo Vaticano, tentando proibir a continuidade das publicações, ainda foram publicados em torno de 35 volumes. Inicialmente pela Editora Vozes, e depois pela Loyola.
Outro projeto impactante datado desde 1973, foi a constituição da Comision de Historia de la Iglesia Latinoamericana (CEHILA), coordenada por reconhecidos teólogos, a exemplo de Enrique Dussel, José Oscar Beozzo, Eduardo Hoornaert e outros. O projeto CEHILA revelou-se pelas décadas seguintes, uma conquista extraordinária da TdL, a medida que se empenhou criativamente em atualizar, de maneira crítica e libertadora - sempre a partir da perspectiva dos empobrecidos - a história das Igrejas Latinoamericanas e do Caribe de modo a recuperar seu rosto próprio, de sorte que cada País ou grupo de países na região tiveram reescrita sua própria história. Foram, a partir de então, publicados dezenas de livros, inclusive o de autoria de Eduardo Hoornaert, intitulado “História do Cristianismo na América Latina e no Caribe” (São Paulo, Paulus, 1994). A ideia inicial, aliás, era a de formar uma equipe ecumênica, encarregada de elaborar esta (re)escrita da história das Igrejas Latino Americanas e do Caribe, em uma perspectiva comum - seja quanto às Igrejas Católica, seja quanto às Igrejas reformadas. Ideia que não prosperou, razão pela qual se fez a parte.
Da CEHILA ainda importa rememorar a relevância do que se chamou CEHILA Popular, projeto coordenado por Eduardo Hoornaert, que consistia em fazer chegar o conhecimento das comunidades e do povo simples em linguagem adequada como se deu toda essa caminhada eclesial na América Latina, especificamente no Brasil, recorrendo ao cordel. Neste sentido, foram elaborados diversos folhetos de cordel acerca de muitas figuras de missionários populares e outros temas semelhantes, editados pela Vozes. Outro recurso de que se valeu a CEHILA Popular foi a promoção periódica de Encontros de poetas e Cantadores populares, especialmente no Agreste paraibano, animados por Frei Roberto Eufrásio de Oliveira e outros como uma proposta formativa de comunicação e vivência dos valores populares inspirados por uma perspectiva cristã da Libertação. Um texto dentre tantos, que suscitou especial interesse popular foi o elaborado por Maria Valéria Rezende, intitulado “Não se pode Servi a dois Senhores”, contando episódios relevantes, inclusive sobre a escravidão no Brasil.
Uma terceira experiência desenvolvida, na América Latina, sob a perspectiva da Igreja na Base e da Teologia da Libertação tem sido a do Departamento Ecuménico de Investigación (DEI), com sede em San José da Costa Rica. O DEI segue sendo desde o seu início, umas das principais referências, não apenas das “Teologias da Libertação”, mas de toda uma rede profética latino-americana de formação de grupos comprometidos com a causa libertadora dos oprimidos e oprimidas. O DEI, desde 1972/1973, quando de sua oficialização, contou com a contribuição substanciosa de Hugo Assimann, Pablo Richard e Franz Hinkelammert - além de outras pessoas, a exemplo da Teóloga Elsa Támez.
Uma quarta iniciativa - desta vez, voltada ao esforço de aprofundamento teórico-prático da TdL - foi a elaboração, publicada em 1990, pela Editora Trotta, em dois alentados volumes, intitulada “Mysterium Liberationis”, organizada por Jon Sobrino e Ignacio Ellacuría, constante de 47 ensaios produzidos por teólogos e teólogas de amplo reconhecimento na área, dentre eles, cumpre destacar: Gustavo Gutierrez, Jon Sobrino, Ignacio Ellacuría, Roberto Oliveros, Ignacio Gonzales Faus, José Comblin, João Batista Libanio, Ana Maria Tepedino, Margarida Ribeiro Brandão, Ivone Gebara, Maria Clara Bingemer, Leonardo Boff, Juan Luis Segundo, Clodovis Boff, Paulo Suess, entre outros. Trata-se, com efeito, de uma iniciativa de ampla repercussão, em escala internacional. Note-se que José Comblin, também, aí teve reconhecida contribuição, havendo elaborado textos relativos a conceitos fundamentais da TdL, a exemplo dos conceitos “Espírito Santo” e “Graça”. Tanto o Primeiro quanto o segundo Tomo se nos afiguram de capital importância, seja pela qualidade teórico-metodológico, seja pela fecundidade temática, seja ainda pela extensão apresentada (cada Tomo compreende em torno de 650 páginas).
Uma quinta iniciativa - que não é a última nem a menos importante que aqui trazemos - é o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI). Como o nome indica o CEBI embora fundado em 1979, conta com diversas iniciativas relevantes que precederam sua oficialização. Trata-se de iniciativas conjuntas, protagonizadas por figuras protestantes e católicas - mulheres e homens apaixonados pela compreensão contextualizada da Bíblia, recorrendo inclusive a diversas ciências sociais como instrumento de uma leitura mais aprofundada dos textos bíblicos. Neste sentido, em consequência do que a renovação que o Concílio Vaticano II trouxe à Igreja Católica e graças aos estudos promovidos pelas Igrejas Reformadas, os estudos bíblicos foram e continuam sendo uma fecunda fonte de renovação da Espiritualidade cristã, exercitada de modo ecumênico.
O CEBI, graças à sua rica série de publicações, tem constituído uma fonte preciosa de estudos e de pesquisas para o povo cristão e de outras matrizes, graças também ao exercício do diálogo inter-religioso. Às pessoas interessadas, recomendamos que acompanhem toda uma série de vídeo de cursos de formação e de produção de textos que alimentam nossa espiritualidade da libertação - título aliás, de um livro de referência, da já citada Coletânea “Teologia e Libertação”, de autoria de Pedro Casaldáliga e José Maria Vigil, publicado em 1993, intitulado “Espiritualidade da Libertação”, pela Editora Vozes.
Esperamos ter cumprido o nosso propósito de fornecer breves indicações da presença de José Comblin, nas Origens da Teologia da Libertação, para a qual contribuiu com dezenas de livros e centenas de artigos publicados em diversas revistas nacionais e internacionais. Vale ainda lembrar que a principal contribuição do teólogo José Comblin à Teologia da Libertação se deu especialmente no campo da Pneumatologia, com a publicação de uma meia dúzia de livros, resultantes de diligentes pesquisas: “O Espírito no Mundo” (Petrópolis: Vozes, 1978), “O Tempo da Ação: ensaios sobre o Espírito e a história” (Petrópolis: Vozes, 1982), “A Força da Palavra” (Petrópolis: Vozes, 1986), “Vocação para a Liberdade” (São Paulo: Paulus, 1998), “Povo de Deus” (São Paulo: Paulus, 2002), “A Vida: em busca da Liberdade” (São Paulo: Paulus, 2007), “O Espírito e a Libertação” (Petrópolis: Vozes, 1987), “O Espírito Santo e a Tradição de Jesus” (São Paulo: Paulus, 2023).
Em meio a uma avalanche de acusações grosseiras quanto medíocres assacadas contra a Teologia da Libertação, por parte inclusive de Bispos e de um Clero com escasso compromisso profético, alegra-nos não apenas rememorar, mas seguir estudando, cada vez mais atentamente, teólogas e teólogos da Libertação, seja em tantos grupos presenciais (como o Kairós, que há 28 anos se reúne semanalmente para estudar Teologias da Libertação inclusive José Comblin), seja em grupos virtuais, a exemplo do Grupo Teologia da Libertação que a três anos se reúne a cada sexta-feira, das 19 às 21 horas, para estudar Teologias da Libertação, estando, no momento, lendo e discutindo comunitariamente o livro de Elisabeth Schüssler Fiorenza intitulado “Discipulado de Iguais: uma ekkesia-logia feminista crítica da libertação”.
João Pessoa, 27 de Maio de 2026