sábado, 5 de setembro de 2026

O Estado como alvo predileto de pilhagem pela Direita: a escancarada privatização de fundos públicos

O Estado como alvo predileto de pilhagem pela Direita: a escancarada privatização de fundos públicos 


Alder Júlio Ferreira Calado 


Favorecida ainda mais pela ascensão das forças nazi-fascistas, em escala internacional, inclusive no Brasil, a Direita brasileira segue encontrando, no processo eleitoral, terreno fértil para a sua expansão. Os Partidos de Direita protagonizam a corrida eleitoral, com amplas vantagens pela mídia hegemônica, com uma sucessão de candidatos e partidos a divulgarem toda sorte de mentiras que, uma vez repetidas “ad nauseam”, infelizmente acabam fazendo a cabeça de parte expressiva da população. Salvo exceções, as numerosas e dispendiosas pesquisas de opinião servem para sedimentar, na maioria dos eleitores e eleitoras, as ideias distorcidas da realidade.  


A mídia hegemônica esconde, desta forma, o que fundamentalmente, está em jogo, antes, durante e depois das eleições: os inúmeros processos de pilhagem pela classe dominante das riquezas do País. Com ou sem eleições, tendem a prosperar. Nas linhas que seguem, chamaremos a atenção para alguns dos casos mais escandalosos de rapinagem pelas forças da Direita, em andamento, no País. Em seguida, ousamos sugerir alguns procedimentos de resistência e enfrentamento da classe dominante, por parte das forças de Esquerda. 


A Direita investe no Estado como seu alvo predileto de rapinagem


Têm-se tornado uma praxe a divulgação da ideologia do “Estado mínimo” como a grande aspiração das forças de Direita. Um tremendo engodo! as forças de Direita, pela contrário, não funcionam sem a pilhagem contínua dos recursos e das instâncias do Estado. O próprio Estado têm como função precípua atender graças aos seus diversos aparelhos (o aparelho executivo, o aparelho legislativo, o aparelho judiciário e o aparelho repressivo), garantir os interesses da classe dominante, ainda que fazendo concessões de pouca monta a enorme maioria da população. De tantos meios a que recorre a classe dominante, um deles tem a ver com os grandes fundos públicos controlados pelo Estado. Trata-se de polpudas reservas amealhadas sob o controle do Estado que, em tese - apenas em tese -, se destinariam ao conjunto do povo brasileiro. 

Destes fundos públicos, os fundos destinados a pensão e aposentadoria dos trabalhadores e trabalhadoras o fundo reservado aos escandalosos juros da dívida pública o Fundo Partidário (atualmente, 4,9 bilhões de reais destinados ao financiamento dos partidos com representação na câmara e no senado: eis a razão pela qual há dezenas de partidos…), o Fundo Eleitoral, por sua vez monta, sempre conforme dados oficiais, a quase 5 bilhões de reais. Sob o pretexto de evitar o financiamento empresarial comete-se a barbaridade de dotar os partidos, de maneira proporcional ao número de suas bancadas no Senado e na Câmara, de quase 10 bilhões de reais, somando-se o Fundo Partidário com representação nas casas parlamentares. Convém lembrar que, “por debaixo dos panos” - e às vezes nem tanto -, as grandes empresas nunca deixaram de financiar parte expressiva dos deputados e senadores para não falarmos também nos demais entes da Federação. E oque dizer das insultuosas emendas parlamentares cujo montante alcança em torno de 50 bilhões de reais?.


Trata-se, com efeito, de um sistema essencialmente corrupto. Surreal, neste sentido, passa a ser a corrupção um dos temas dominante da mídia comercial e dos próprios segmentos da Direita. Chega a ser inclusive a marca essencial dos grandes empresários lançarem contra as forças de Esquerda, em busca de aparentar comportamento honesto quando a própria corrupção constitui o fator mais relevante do seu enriquecimento. Não raramente, tal estratégia logra êxito junto às camadas populares, bombardeadas que são vinte e quatro horas por dia, pela televisão, pelo rádio, pelos jornais, a introjetarem essa ideologia. Assim resulta altamente vantajosa para a burguesia tal estratégia, à medida que inculcar na cabeça da maioria da população a ideia é mesmo a convicção de que é a esquerda a grande vilã dos escândalos financeiros e outros que engordam fundamentalmente a burguesia.


Pistas de resistência e de enfrentamento da Direita 


Sem desconhecer que o inacabamento constitui uma marca dos humanos - daí os vícios, inclusive a corrupção -, temos repetido, à saciedade, a essência corrupta do modo de produção capitalista, fundamentalmente sustentado pela violência, pela mentira e pelo cinismo. Para tanto, a classe dominante se empenham em esconder, aos olhos da classe trabalhadora seu infindável repertório de estratégias e táticas de ocultar sua essência de corrupção, valendo-se, para tanto, dos aparelhos de Estado (Executivo, Legislativo, Judiciário e repressivo), bem como da mídia hegemônica para ludibriar a consciência dos “de baixo”, de modo a fazê-los crer em suas mentiras corriqueiras uma as quais, a de que a corrupção é obra das forças que se opõem a sua dominação. 


Eis por que se faz necessário e urgente dotar as classes populares de instrumentos que lhes permitam a formação da consciência crítica como primeiro passo de uma resistência eficaz a tal estado de coisas. Trata-se de ajudar os “de baixo” a fazerem uma “leitura de mundo” (Paulo Freire), aprendendo e exercitando análise de conjuntura, recorrendo a fontes de informação alternativas à mídia hegemônica, de modo a perceberem as raízes mais profundas deste sistema de opressão. Tal processo formativo também implica o constante exercício da memória histórica dos oprimidos, como uma condição para fortalecer nossos compromissos cotidianos como processo de transformação social, a parte de nós mesmos. Ao mesmo tempo, somos instados a aprimorar o processo organizativo e de lutas, sempre em busca de ir superando nossos próprios limites por meio da autocrítica. 


João Pessoa, 05 de Setembro de 2026