Retomada da Escola de Formação Missionária, em João Pessoa: primeiros passos
Alder Júlio Ferreira Calado
Como previsto, realizou-se em João Pessoa - mais precisamente no Centro Pastoral Pe. Mazza, no bairro Alto do Mateus -, de 28/06 a 05/07 o primeiro módulo desta Escola, com a participação de uma dúzia de iniciantes, tendo contado com mais de uma dúzia de visitantes, interessados em acompanhar os primeiros passos da nossa Escola. Com o generoso acolhimento das Irmãs coordenadoras do Centro na tarde do domingo, 28/06, foram chegando os primeiros participantes inclusive os membros da Coordenação desta Escola, a começar de Pe. Hermínio Canova.
Na segunda-feira, 29/06 com a presença da Coordenação e dos Educadores e Educadoras da Escola (Pe. Hermínio, de Sobrado-PB; Ronaldo, do CEBI-PB, e professor da UFCG; Marcos, do CEBI/João Pessoa-PB; Glória, do CEBI, João Pessoa-PB; Glaudemir, da AMMC, Bayeux-PB; Lucinha, da AMMC, João Pessoa-PB), bem como das demais pessoas participantes (Mabel Dias, João Pessoa-PB; Ângela, de Mirandiba-PE; Socorro, de Itabaiana-PB; Jéssica, de Sertãozinho-PB; Pe. Wancelei, de João Pessoa-PB; Alder, de João Pessoa-PB; Tânia, da CPT, João Pessoa-PB; Carlos e Edna, da CPT, Palmares-PE), aos quais nos dias seguintes se somariam Pe. Gabriele, de Cruz do Espirito Santo-PB; Ivone, CEBI, Campina Grande-PB; e outras pessoas que nos visitaram: Pe. Alexandre, Edjane, Socorro Borges, Inez Trombini do Grupo Kairós, Pe. Marcos, Pe. Dário Vaona e Lindolfo, todos de João Pessoa-PB; além de Lúcio, de Belém-PB.
Após o primeiro momento mais forte de Espiritualidade, animado por Glória, foi proposta uma roda de apresentações. Em seguida, Alder foi convidado pelo Pe. Hermínio, a fazer uma breve memória da experiência das escolas de Formação Missionária, sua proposta formativa, seus conteúdos, sua metodologia, seus momentos desafiantes, seu jeito de trabalhar em diferentes conjunturas. Começou por situar historicamente os principais desafios da atual conjuntura sócio-eclesial, começando por incluir as Escolas de Formação Missionária como uma das iniciativas inspiradas na Pedagogia de José Comblin, lembrando tratar-se apenas de uma dentre dúzia de experiências missionárias e formativas animadas por José Comblin e um número de Educadores e Educadoras, sempre trabalhando em conjunto, desde a experiência do Seminário Rural (Pilõezinhos-PB, 1981-1982), Centro de Formação Missionária (Serra Redonda-PB, 1983 a inícios da década de 2000), Centro de Formação de Missionárias Populares (Mogeiro-PB, 1986 aos anos 90), Associação dos Missionários e Missionárias do Campo (Serra Redonda-PB e Serra da Catita-AL, 1995 ao presente), Fraternidade do Discípulo Amado (Serra Redonda-PB, Serra da Catita-AL e Abreu e Lima-PE, 1994 ao presente), Curso da Associação Árvore (Agreste-PB, 1995 a inícios da década de 2000), entre outras experiências.
Outro desafio apontado por Alder, em sua rememoração, tratou de realçar um outro aspecto pertinente a esta retomada da Escola de Formação Missionária, relativo à questão metodológica. Diferentemente das experiências passadas, esta Escola busca trabalhar não mais a partir de “disciplinas”, mas a partir de temas devidamente conectados: temas considerados mais urgentes de nossa realidade, apresentados de modo conectado com outros temas. Por exemplo, o tema que hoje se apresenta de reconhecida urgência, têm a ver com o feminicídio e outras formas de violência contra as mulheres. Tratamos de compreender melhor diferentes aspectos desta trágica realidade, recorrendo, não apenas as estatísticas, como também a diferentes análises de pesquisadoras em diferentes esferas de saberes, ao mesmo tempo em que cuidamos de examinar esta problemática à luz da Sagrada Escritura (Primeiro e Segundo Testamentos) e do ponto de vista, não apenas das relações sociais de gênero, mas também do ponto de vista das relações sociais de etnia, geracionais, espaciais e de classe social.
Chegou a vez de convidar a Jornalista Mabel Dias, doutoranda em Antropologia, pela UFPE, cuja tese em construção é voltada, sobretudo, a compreender como hoje funcionam as redes digitais tóxicas que abrigam diversos blogs e canais abertamente misóginos, que se ocupam de perseguir e atacar perfis femininos, sob a ótica da “machosfera”. O tema pesquisado pela Jornalista Mabel Dias têm, com efeito, despertado, crescente interesse. Ela já havia apresentado o esboço de sua pesquisa para militantes da CPT, com intensa repercussão. Mais uma vez, não apenas o tema como também o amplo repertório de textos e análises por ela trazidos atraíram a atenção e a curiosidade das pessoas presentes. Além da gravidade e atualidade do índices de feminicídio e das formas múltiplas de violência contra as mulheres, chamou a atenção o amplo repertório de sintomas apresentados pela autora, o que muito enriqueceu a qualidade do debate que acompanhou ou se seguiu a exposição da pesquisadora.
No dia seguinte após um momento mais forte de Espiritualidade, inclusive graças a leitura de um poema de Agostinha Vieira de Melo, poeta e teóloga Feminista, tivemos a alegria de contar com a densa exposição feita pelo Prof. Ronaldo, da UFCG e membro da Coordenação do CEBI regional cujo eixo principal foi mostrar como os textos bíblicos (tanto o Primeiro quanto o Segundo Testamentos) tratam a condição da mulher, focando sua dimensão protagônica, desde que feitas tais leituras de modo contextualizado, de maneira a situar cada episódio do ponto de vista histórico, e em relação também a outras nações vizinha ao povo hebreu. Em diálogo com o expositor, intervieram diferentes pessoas, especialmente no tocante a urgência de aprofundar e expandir a leitura contextualizada da Bíblia, não apenas no tocante aos desafios relativos às mulheres, mas também a tantos outros desafios presentes, tais como:
As relações étnico-raciais;
As relações geracionais, haja vista inclusive o enorme desafio de se contar com a participação mais intensa das juventudes;
As relações sociais de classes, a exigirem uma compreensão melhor da contribuição do paradigma marxista como chave de interpretação das íntimas conexões dos atuais desafios, inclusive relativamente a expansão da onda fudamentalista das religiões, ao interno da Igreja Católica Romana.
Também, no decorrer da semana, foi enfrentado o tema das redes digitais, bem como a crescente influência das grandes plataformas digitais a potencializarem, cada vez mais, suas influências maléficas sobre crescentes segmentos de nossa população. Ao mesmo tempo, graças também à fecunda participação de Ivone, da Coordenação do CEBI, múltiplos aspectos de intersecção entre a situação das mulheres, os textos bíblicos e as novas tecnologias digitais vieram à tona, contribuindo notavelmente para uma compreensão mais efetiva dos desafios que hoje enfrentamos.
O domingo, dia 05/07, foi dedicado à avaliação dos trabalhos realizados, bem como ao planejamento das atividades a serem realizadas durante o intervalo entre este módulo e o próximo, a ter lugar, no mesmo local (Centro Pastoral Pe. Mazza, no Alto do Mateus, em João Pessoa, de 10 a 17 de Janeiro do próximo ano). Para fazer uma reflexão autocrítica, os participantes foram distribuídos em pequenos grupos chamados a avaliar: conteúdos trabalhados, metodologia, participação, assim como sugestões de tarefas a serem realizadas pelos participantes durante o intervalo até o próximo módulo. Não se tratou aqui de se fazer um relatório, mas de fornecer alguns elementos de alguns aspectos considerados mais relevantes a compartilhar.
João Pessoa, 17 de Julho de 2026.
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