segunda-feira, 13 de julho de 2026

Incidência do metabolismo empresarial nos esportes: o caso do futebol

Incidência do metabolismo empresarial nos esportes: o caso do futebo


Alder Júlio Ferreira Calado


A Copa do Mundo, edição 2026, ganha sua reta final. A seleção brasileira, pela sexta vez consecutiva, está fora. Disto não trataremos. O propósito das linhas que seguem é outro: destacar as influências preponderantes -quase sempre negativas- que o modo empresarial de se organizarem os esportes, vem exercendo consequência e intensidade cada vez maior. Aqui trataremos, ainda que de passagem, apenas do que se passa no futebol. 


Em princípio, os esportes se situam, fundamentalmente, no plano lúdico, na esfera dos valores estéticos. O que jogadores e jogadoras, em todas as modalidades de esporte, e seus respectivos espectadores e espectadoras mais apreciam é a performance, é a criatividade, é o empenho de cada atleta, em particular e no conjunto, no desempenho de suas atividades. No entanto, tal é a força da sociedade capitalista, de penetrar todas as esferas de sociabilidade -inclusive na esfera religiosa-, que também os esportes acabam rendendo-se às suas influências de modo a envolver atletas e torcidas em um processo de subordinação da própria essência esportiva aos seus valores: o lucro, o dinheiro, os interesses empresariais que acabam superando, além  da estrita paixão estética, valores também de outra ordem, como servir os interesses de cada nação. Tempo houve em que podíamos respirar ares menos tóxicos, na esfera esportiva, quando a enorme variedade de esportes ainda não estava tão submetida profundamente aos ditames do Capital. 


Vale rememorar, a este respeito, imagens que nos vêm do final dos anos 50 aos anos 70, quando os valores estéticos do futebol, apreciados tanto por atletas quanto pelas torcidas, não se achavam tão contaminados nem assujeitados pelos os valores de mercado. Época em que a paixão pela arte, os símbolos nacionais, o amor pátrio estavam acima dos interesses dos mercados. Nas últimas décadas, contudo, observamos de uma copa a outra profundas mudanças neste cenário e de forma crescente. O chamado “mercado da bola” vai assumindo, cada vez mais, posição capital: a crescente internacionalização do futebol, os contratos milionários de jogadores , os escândalos crescentes de dirigentes da Fifa e de federações nacionais, como a do Brasil, o surgimento de empresas de aposta como as Bets e assemelhadas vêm transformando, cada vez mais o futebol em um negócio, com gravíssimas consequências para o chamado “futebol arte”. Os atletas já não se acham tocados interiormente como antes, pelo amor a camisa de sua seleção sente-se mais e mais influenciados pelas cobranças e pressões dos times aqui pertencem; mudam os parâmetros que antes caracterizavam seu perfil de jogadores, inclusive muito deles viram empresários, a bola já não é sua única sustentação - e por vezes, nem mesmo a principal -, imbuídos que estão da Gula por dinheiro e por fama, cenário em que salvo exceções, a pertença nacional se converte em mero detalhe.


Nosso objetivo principal é o de alertar quanto ao poder de penetração do modo capitalista de organização social. Em seu desenvolvimento consegue alcançar quase todas as esferas da vida, graças ao metabolismo de que é possuidor, tendo claro o alcance deste potencial metabólico, temos mais condições de organizar melhor nossa resistência, não apenas em relação ao futebol e aos esportes, como também em todas esferas da vida. Eis uma tarefa hercúlea da qual somos chamados a nos ocupar, a cada dia. 


João Pessoa, 13 de Julho de 2026               
































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