Eleições/2026 algumas lições (II)
Alder Júlio Ferreira Calado
Como assinalamos no texto anterior, resultam numerosas as lições a serem extraídas das Eleições/2026. Nas linhas que seguem dispomos-nos a compartilhar apenas algumas mais. Cuidamos de dimensionar o suicídio coletivo que representa seguir apoiando a Direita. O Império Norte-Americano-Sionista, o Mercado, os financistas, as “Big-techs”, as Bets, o Agro-negócio “et caetera” continuam sustentando a extrema-Direita e o bolsonarismo. Isto parece “natural” mas todos estes reunidos representam 1% da população. O que realmente nos incomoda é constatar que estes atores estariam longe de poder assegurar quase 60 milhões de votos ao pérfido candidato bolsonarista. É gente demais a votar em seu próprio suícidio: desempregados, mal-empregados, cristãos fundamentalistas, todos vítimas da Direita. É como se os chicoteados resolvessem beijar a chibata do seu algoz: um suicídio coletivo!.
A despeito do grave revés que o povo brasileiro acaba de infligir à extrema-Direita e ao seu pérfido candidato corrupto e apesar da derrota fragorosa da extrema-Direita nos Estados Unidos, temos que reconhecer um enorme desafio a ser enfrentado no Brasil, diante do perfil bolsonarista recém- eleito para a próxima Legislatura. Não bastasse a maioria direitista no Congresso Brasileiro, eis que tanto para a Câmara, quanto para o Senado, o partido bolsonarista logrou aumentar seu efetivo de eleitos nas duas casas, do que decorre uma grave ameaça à Democracia. Um dos maiores empecilhos a ser enfrentado pelas forças progressistas majoritárias resultantes do segundo turno eleitoral, refere-se à evidente falta de ética ou compromisso democrático, característicos da Direita, especialmente da parte do bolsonarismo, que traduzimos pelos seguintes questionamentos:
diante da atitude desastrosa revelada, ao longo da campanha e após o segundo turno eleitoral, da parte do candidato derrotado, que se revelou um mentiroso contumaz (até para os seus mais próximos aliados), alguém profundamente implicado em graves crimes - donde a fuga vergonhosa - como compreender a posição por exemplo, de um Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, pretender concorrer à Presidência do Senado?
com que credibilidade, ante a Nação, Deputados e Deputadas, Senadores e Senadoras da Direita se dispõem a defender as causas legítimas da maioria da sociedade brasileira?
e, no entanto, segue sendo a Direita que constitui maioria na Câmara e no Senado… Diante de tal impasse, dificilmente os embates intraparlamentares, apenas por si mesmos, implicariam vitórias democráticas, tornando-se insuficientes como estratégia, do ponto de vista da enorme maioria do povo brasieliro.
Tal como se evidenciou na disputa eleitoral, também agora resta imprescindível contar com as mobilizações populares, com os apelos da rua, em sucessivas manifestações, em âmbito nacional, bem como o recurso ao uso criativo das redes digitais, sem que menosprezemos o papel dos embates intraparlamentares.
João Pessoa, 04 de Novembro de 2026
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