quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

A eficácia mobilizadora das canções libertárias, no processo organizativo e formativo das classes populares.


Alder Júlio Ferreira Calado


A Arte, em suas diferentes expressões, também se revela como catarse revolucionária. A Arte, qualquer que seja sua forma, nos encanta, nos humaniza, nos torna pessoas mais leves, nos reanima, nos faz criativos, dá sentido ao nosso  convier. Sem o exercício de alguma forma de linguagem artística, ao contrário, sucumbimos ao processo de desumanização: facilmente nos esclerosamos, tornamo-nos insensíveis às dimensões fundamentais da vida. A este respeito, o prof. Ivandro da Costa Sales, a justo título, costuma lembrar um conhecido dito, relativo à antiga Grécia, acerca de tempos tenebrosos vividos pelos seus habitantes ( cito-o de memória, sem precisão) : “A vida salvou a Grécia, graças à beleza da arte”.

Com efeito, vários dos bons clássicos  e contemporâneos não se cansam de aludir ao relevante lugar ocupado pelas diferentes formas de Arte no processo de humanização. Em diversas de suas páginas, Karl Marx chamou a atenção sobre a dimensão humanizadora das Artes. Em seus “Manuscritos Econômico-Filosóficos”, por exemplo, ele deplorava as condições desumanas de trabalho, a que o Capitalismo submete os trabalhadores, a ponto de não lhes permitir sequer a condição de  apreciarem e fruírem uma obra artística, como uma bela pintura.

Mesmo sabendo, por outro lado, que sendo a Arte expressão do humano - e, portanto, também, podendo ser usada a favor da dominação (por exemplo, um romance, uma novela, uma poesia também podem expressar relações de dominação), aqui ressaltamos o potencial libertário das diferentes manifestações artísticas, mais especificamente, as canções populares. 

Múltiplas se mostram as funções exercidas pelas diferentes manifestações artísticas ao longo do processo de humanização uma foto traz de volta situações de grande significação histórica, familiar, comunitária, pessoal… Um filme, por exemplo, ajuda sobremaneira a reavaliar determinados episódios ou memsmo períodos históricos, Um romance, uma poesia, um conto tem a magia de nos transportar a circunstâncias mais inesperadas e comoventes. O caso da música não é tão diferente. As canções populares de rebeldia e de exaltação da liberdade expressam bem a função de encorajamento à luta, à resistência. Assim nos sentimos, ao ouvirmos, por exemplo, a Marselhesa, a “Internationale”, canções de rebeldia que animam povos de vários continentes, inclusive da América Latina e do Brasil.

Hinos e canções povoam o imaginário libertário das classes populares, nos mais diversos tempos e lugares.

As canções de rebeldia atravessam séculos. Fazem parte da história humana, em todos os períodos. Na chamada Idade Média os clamores  dos “de baixo” se propagavam pelos campos e comunas. Combinando letras e melodias (inclusive melodias relativas a cânticos sacros), os Goliardos - um espécie de “hippies” do Medievo - peregrinavam por campos e aldeias e comunas, a expressarem seus protestos contra as mais diversas formas de opressão de que eram vítimas grupos diversos daquela sociedade. A este respeito, vale a pena (re) visitar o denso livro do saudoso Prof. Maurice Van Woensel “Carmina Burana”. Não eram apenas os Goleardos a expressarem seus protestos, suas sátiras contra os “donos do poder”  de então. Nesta época, também resultaram célebres os chamados movimentos pauperísticos, tais como os Valdenses e as Beguinas, entre outros. A quem interessar possa, sugiro acessar o ”link”: http://consciencia.net/o-perfil-instituinte-do-movimento-das-beguinas-na-baixa-idade-media/ 


Especialmente a partir do século  XVIII com o ascenso da Revolução Industrial, na Europa Ocidental e com a Independência dos Estados Unidos,tem lugar crescentes movimentos populares de protesto contra as condições de vida e de trabalho das classes populares, culminando com a eclosão da Revolução Francesa. Este quadro sócio-histórico se acha bem representado, sobretudo, na letra e na melodia do Hino Nacional da França, mais conhecido como a Marselhesa, do qual citamos o seguinte trecho: 

“ Contra nós se ergue o estandarte sangrento da tirania
 Vocês estão ouvindo o bramido desses ferozes soldados
 Vindo, pelos campos até nós, 
 Querendo degolar nossos filhos e nossas companheiras?
 Resistam, cidadãos! Organizem-se! Vamos à luta! “
( Trecho do Hino Nacional da França, mas conhecido como A Marselhesa )




Em condições sócio-históricas semelhantes, mas impregnadas de nuanças próprias, ao menos quanto ao grau de protagonismo e de consciência crítica dos “de baixo”, prosperaram, desde a segunda metade do século XIX e primeiras décadas do século XX, lutas sociais de grande envergadura, das quais a “Internationale” constitui uma representação emblemática. Desta famosa canção ( a Internationale) destacamos o seguinte trecho:

“De pé, oh vítimas da fome
 De pé, oh famélicos da terra
Da idéia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra
Cortai o mal pelo fundo!
Se nada somos de tal mundo 
Sejamos nós, oh produtores!
Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional!

( … )

O crime do rico a lei o cobre
O Estado esmaga o oprimido
Não há direitos para o pobre
Ao rico tudo é permitido
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres
Não mais deveres sem direitos
Não mais direitos sem deveres!”

( A Internacional)

Trata-se apenas de duas canções, num vastíssimo leque de tantas outras, a exemplo do que se pode conferir, acessando-se o link:

Ainda antes do surgimento das chamadas pastorais sociais (CIMI, a CPT, PJMP e outras), vale rememorar algumas canções próprias de um dos movimentos sociais populares mais expressivos dos anos 60. Trata-se das ligas camponesas, atuam principalmente no Nordeste, a partir do Engenho Galiléia, no município de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, espalhando-se por outros estados da região e também para além da região as ligas camponesas, sob a liderança de figuras tais como Francisco Julião, João Pedro Teixeira e Elizabeth Teixeira, para citarmos apenas três figuras emblemáticas deste movimento, tiveram uma duração relativamente breve, de 1954 a 1964, quando foram perseguidas pela ditadura Empresarial militar que se abateu sobre o povo brasileiro, a partir do golpe civil militar de 1964 uma canção muito conhecida dos militantes das ligas camponesas, em suas manifestações e em suas caminhadas, diz o seguinte: 

"Já chega de tanto sofrer 
Já chega de tanto penar
a luta vai ser tão difícil
na lei ou na marra
nós vamos ganhar."

Convém, desde logo, fazer uma advertência. Como sói acontecer nos diferentes campos de saberes, também no universo artístico, a leitura, a decifração e a interpretação resultam sempre relativas, sobre vários aspectos as mensagens contidas nas diferentes linguagens da arte comportam elementos por vezes indecifráveis, pelo menos do ponto de vista de seus respectivos autores e autoras ainda assim, importa reconhecer o esforço reiterado, feito pelo seus apreciadores e apreciadoras, no sentido de colher em algum tipo de recado neste sentido, a contextualização sócio-histórica pode - e na verdade se torna, quase sempre - um bom caminho de buscar entender ou de decodificar, ainda que relativamente, certas mensagens ali contidas de modo concreto, também no que diz respeito às canções de rebeldia, importa sempre situá-las e data-las, sob pena de leituras equivocadas ou o que é pior, da tentação de aplicar essas mensagens, de modo acrítico sem se tomar em conta cada contexto histórico específico por exemplo, parte expressiva das canções populares expressando resistência rebeldia comportam escolhas não raramente extremadas, isto é admitindo ou mesmo recomendando recursos à insurreição e à resistência armada, escolhas sempre merecedoras de respeito às gerações que as tomam, sem que isto implique reedição acrítica por outras gerações, em outras situações históricas.

  

O efeito organizativo, formativo e mobilizador dos cânticos, no caso das organizações da Igreja na “Base”


Como acima anunciado, restringimo-nos, a seguir, a focar algumas canções populares mais conhecidas das Pastorais Sociais, relativas à “ Igreja na Base”.  

Justamente ontem, 10 de dezembro, ao celebrarmos 71 anos desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos, celebrarmos a memória de um grande Bispo profeta, Dom Antônio Batista Fragoso, cujo Centenário começa a ser celebrado, cuidamos de exercitar também a memória das canções populares de resistência, vinculadas às pastorais sociais, priorizando as últimas décadas. A Declaração Universal dos Direitos Humanos enfrenta, ainda hoje, retrocessos deploráveis, inclusive no Brasil. Recentes dados do IBGE, combinados com os do Relatório da ONU, atestam o crescimento da desigualdade entre nós, além de retrocessos em diversos outros índices, de modo a suscitarem o clamor dos empobrecidos, das classes populares, que também podem ser escutados por meio das canções de resistência. 

Como as canções de resistência próprias das pastorais sociais impactaram e ainda impactam o imaginário e as lutas de resistência popular! Todo um cancioneiro de grande relevância a ser visitado. Uma dessas canções de resistência e de luta situa-se no período de resistência contra a ditadura empresarial militar. Eis algumas de suas estrofes: 

“No deserto, antigamente
O Povo de Deus marchou
O Moisés andava na frente
Hoje, Moisés é a gente
Quando enfrenta o opressor." 

Um aspecto a ressaltar na letra deste Cântico, tem a ver com o processo organizativo e formativo das classes populares: de um lado, acentua a importância do coletivo, do comunitário, como meio de fortalecimento das bases, diante do enfrentamento das forças adversas; por outro lado, no que toca ao processo formativo, sublinha o papel da memória histórica, como instrumento de formação crítica e de compromisso com a causa dos “debaixo”. 

A segunda metade dos anos 60, no mundo, na América Latina e no Brasil, ao mesmo tempo em que endurecia o regime militar, em especial a partir ir da decretação do famigerado AI-5, de 13 de dezembro de 1968 ensejando o fechamento ainda maior e o aumento da repressão ditatorial sobre cidadãos e cidadãs, cristãos e não-cristãos, foi também neste período que as pastorais sociais - as pequenas como comunidades religiosas inseridas no meio Popular, as CEBs, outras pastorais sociais - configurando o quê depois seria conhecido como "a igreja na base". Também tivemos um intenso período de resistência popular resistência também expressa pela via da música, das canções executadas por essas organizações da Igreja Católica e de outras Igrejas Cristãs, reunidas no CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), daí resultando muitas iniciativas de resistência e de solidariedade ao povo dos pobres uma das canções emblemáticas deste período foi um Cântico característico da Campanha da Fraternidade já em meados dos anos 70, intitulada "eu vim para que todos tenham vida ". Várias de suas estrofes tinham um expressivo chamamento à resistência e à solidariedade a partir do estribilho "eu vim para que todos tenham vida, que todos tenham vida plenamente”, várias estrofes se seguiam, nesta direção. Uma delas dizia assim:

“Eu passei fazendo o bem
Eu curei todos os males
Hoje és minha presença
Junto a todo sofredor
Onde sofre o teu irmão
Eu estou sofrendo nele.”

Toda a canção chamava fortemente a um compromisso com a vida, em especial da vida do povo dos Pobres, fortemente ameaçada pela repressão da ditadura ao mesmo tempo, a canção cuidava de encorajar a solidariedade, a resistência, a partilha, aos cuidados mais próximos com as vítimas da repressão isto se faz presente, também, em outra estrofe:

“Entreguei a minha vida
Pela salvação de todos
Busca, salva, reconduze
Quem perdeu toda esperança
Onde salvas teu irmão
Tu me estás salvando nele.”


Uma vez mais, é possível observar-se a intenção organizativa e formativa a incidir sobre a canção busca-se abrir e Despertar a consciência social dos participantes, instigando a um compromisso solidário com a vida, especialmente a vida das pessoas injustiçadas do povo dos pobres. modo pedagógico, o cântico inspira e hindus a superação do individualismo, do cada um por si, ao tempo em que anima as pessoas a comunhão, a união de forças, ao cuidado das pessoas necessitadas.

Já em meados dos anos 80, as pastorais sociais, movimentos e serviços animados pela igreja na base viviam tempos de todos, de intensa efervescência. Neste período, as pequenas comunidades de religiosas inseridas no meio Popular, , a CPT, a pjmp, serviços tais como a comissão justiça e paz, os centros de defesa dos direitos humanos e outras organizações de base, ligadas à igreja católica, animavam iniciativas e experiências múltiplas, também por meio de cantos populares por exemplo, por ocasião do VI Encontro Intereclesial das CEBs, realizado em Goiás, um desses cantos traduzia bem o horizonte perseguido, bem como os caminhos indicados. Trata-se do conhecido “Baião das CEBs”, do qual citamos o seguinte trecho: 

"Somos gente nova vivendo a união 
Somos povo semente de uma nova nação ê, ê 
Somos gente nova vivendo o amor 
Somos comunidade, povo do senhor, ê, ê 
Vou convidar os meus irmãos trabalhadores 
Operários, lavradores, biscateiros e outros mais 
E juntos vamos celebrar a confiança 
Nossa luta na esperança de ter terra, pão e paz, ê, ê”

 Vale sublinhar, neste Cântico, a preocupação fundamental característica daquela época: em vez de lutar por um novo Estado, toda a ênfase recaia sobre a busca da construção de uma nova sociedade. Esta característica merece especial reflexão crítica, principalmente porque, a partir dos anos 90, a tendência tem sido a de se lutar por um novo Estado, distanciando-se da perspectiva de uma nova sociedade.

Em resumo, entendemos que nos resta um longo caminho a percorrer, sobretudo tendo consciência da profundidade dos estragos provocados por esta era de obscurantismo econômico, político e cultural, sob a égide da mais nefasta hegemonia do capitalismo financeiro, atuando nas mais diferentes esferas da realidade, inclusive no plano educativo. A esse respeito específico, o mais recente relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), ao divulgar dados pertinentes ao Brasil, faz uma revelação assombrosa: a de que de cada dez estudantes, quatro não sabem distinguir entre um fato e uma opinião. Nossa esperança reside nas forças sociais de mudanças, nossas organizações de base, a medida que sejam capazes de retomar, em novo estilo, o trabalho de base, seja do ponto de vista organizativo, no plano formativo, e no compromisso de luta.




João Pessoa, 11 de dezembro de 2019.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Francisco, tecelão da interculturalidade, da justiça socioambiental e do desarmamento: breves notas acerca da recente visita de Francisco, Bispo de Roma, as terras e as gentes da Tailândia e do Japão

Francisco, tecelão da interculturalidade, da justiça socioambiental e do desarmamento: breves notas acerca da recente visita de Francisco, Bispo de Roma, as terras e as gentes da Tailândia e do Japão

Alder Júlio Ferreira Calado

Tem início, hoje, em Madri - devendo estender-se até o dia 13 do corrente - mais uma concertação internacional acerca da emergência climática. Disto, contudo, trataremos noutra ocasião. Por enquanto, baste-nos, por sugestão de Prof. Sinuê, indicar o frutuoso trabalho desenvolvido pelo pesquisador cearense Alexandre Costa, do qual segue o link: https://youtu.be/7UtaV18xN8U
De todo modo, o tema que trazemos à tona tem relação direta e indireta com aquele desafio.

A poucos dias de completar seus 83 anos (próximo dia 17/12), o Bispo de Roma retornou, no dia 26, próximo-passado, da Tailândia e do Japão, alvos de sua 32ª viagem apostólica, em dezenas de países, nos cinco continentes sua mais recente viagem apostólica teve como principais motes ou motivações, o diálogo inter-religioso, o exercício da interculturalidade, o desarmamento nuclear e a justiça socioambiental. Nenhum desses motes constitui propriamente uma novidade, na ainda recente trajetória do Bispo de Roma, a frente de suas funções. Com efeito, palavras-chave compõem seu universo vocabular, sobre o qual já tivemos oportunidade de refletir (cf. http://textosdealdercalado.blogspot.com/2016/07/do-universo-vocabular-do-papa-francisco.html
http://consciencia.net/33501-2/). O Papa Francisco tem sido apreciado, mundo afora, de tal modo a revelar-se, dia após dia, como uma liderança de novo tipo tal é a estima cultivada sobre o Bispo de Roma, por seus gestos, palavras e escritos, não surpreenderia se nos dissessem tratar-se de alguém estimado, mas fora do mundo católico e mesmo do Mundo Cristão, do que entre pessoas e povos de outras confissões ou mesmo por pessoas sem confissão religiosa definida. Isto se comprova, também, nesta sua 32ª viagem apostólica, em que visitou terra e gentes da Tailândia e do Japão, tendo aí experimentado frutuosas relações, durante uma semana, mais precisamente, entre os dias 19 e 26 de novembro deste ano.

Nas linhas que seguem, cuidamos de destacar o que consideramos terem sido os pontos fortes de sua 32ª viagem apostólica. Tratamos, em seguida, de destacar os seguintes aspectos: seu compromisso com com a interculturalidade, sua defesa intransigente da Justiça socioambiental, sua posição firme e profética contra as armas nucleares bem como aspectos pedagógicos característicos deste grande educador.

Bispo de Roma, como um tecelão da interculturalidade

Dando sequência a seu compromisso incansável de abrir e manter diálogo com povos e lideranças das mais distintas confissões religiosas e com pessoas e grupos sem confissão religiosa definida, Francisco testemunha, mais uma vez, sua coerência com relação ao que tem dito, feito e escrito, inclusive em relação ao povo católico não se cansa de chamar atenção e ao compromisso, por parte dos católicos, no sentido de aderirem chamamento do Evangelho, quanto à necessidade e urgência de fortalecermos uma “Igreja em saída”. Os dramas do mundo atual, tal como em desafios passados, não permitem ações e testemunho de uma igreja auto referenciada, de uma igreja voltada para seus próprios interesses exclusivos. Também nesta direção, não se cansa de afirmar e reafirmar o chamamento ou a proposta feita por Jesus, no sentido de despertarmos e assumir nossa verdadeira vocação de discípulos e discípulas, de missionários e missionárias. Esta vocação implica, sobretudo, o testemunho a serviço das causas libertárias do nosso mundo. Dentre as causas libertárias mais urgentes, o Papa Francisco, em sua recente viagem, destacou a disposição incessante de fortalecimento de relações interculturais. Interculturalidade baseada no incansável exercício do diálogo com outras culturas e com outras expressões religiosas, características da enorme multiplicidade de modos de sentir de pensar de agir e de querer dos mais distintos povos espalhados pelos diversos continentes. Trata-se, por consequência, do compromisso de romper com toda unipolaridade, quer se trate de eurocentrismo, quer se trate de submissão a uma determinada Cultura, compreendida como a detentora da Verdade e da autoridade de digitar normas suas para o conjunto dos povos. Francisco, por sua vez, como tecelão da interculturalidade, percorre o mundo inteiro, a despertar consciências e compromissos com com o respeito a dignidade de toda expressão cultural, não importando o povo que a vivência. 

Como para todo bom educador popular, a exemplo de Paulo Freire e outros e outras, também para Francisco, interculturalidade não se reduz a um conceito acadêmico, abstrato, desligado do contexto histórico concreto, mas significa principalmente uma experiência vivencial, concreta e pensada, a partir de espaços históricos contextualizados. neste sentido, vivenciar interculturalidade comporta práticas e concepções, testemunhos, posturas desconcertantes, no mundo refém da pós verdade, no mundo Rendido a meras palavras e declarações, sem nexo com a realidade concreta. Interculturalidade, deste modo, vem carregada de consequências. Uma delas tem a ver com a necessária ruptura com com a unipolaridade, seja em relação a há um país, seja em relação a uma potência que se pretenda acima de povos e nações, tratados como meros objetos de sua dominação, de seus interesses, de seu ideário. Por exemplo, a interculturalidade rompe com o racismo,  sob todas as suas manifestações. Rompe com pretensos modelos de superioridade de uma nação em relação a outras. Rompe privilégios dê toda sorte: econômicos, políticos, culturais ora, no mundo conformado a ideologia de grandes potências, a mera proposta de interculturalidade desagrada a esses "donos do poder". Interculturalidade desponta, em tal contexto, como uma proposta revolucionária, à medida que se nega a reconhecer superioridade de um povo ou de uma nação sobre outros povos e outras nações tomando como exemplo o caso da proposta organizativa característica da ONU, podemos perceber que nela a interculturalidade é, com frequência, abortada, sempre que as decisões da enorme maioria de seus membros passam a ser obtidas por um simples veto. Na verdade é um privilégio, de qualquer um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, a saber Estados unidos, Rússia China, Inglaterra e França. Qualquer resolução democraticamente tomada por dois terços ou a quase totalidade dos países membros da ONU, pode ser obstada pelo privilégio do voto, detido por uma destas cinco potências mundiais. Falar-se aí em democracia soa uma tremenda impropriedade ou mesmo uma falácia grosseira, exemplos outros 1000 poderiam servir de ilustração, no quadro geral de gestão, em nosso mundo.

Sem interculturalidade e sem Justiça socioambiental, a paz se torna um discurso vazio

Outra expressão chave que podemos observar, nesta viagem apostólica de Francisco, Bispo de Roma, tem a ver com com a emergência de Justiça sócio ambiental vimos, no tópico precedente, como os caminhos de construção de uma verdadeira paz passam pelo exercício contínuo da interculturalidade, forma eficaz de combate ao racismo, em todas as suas manifestações trazemos, nas linhas que seguem, Nossa reflexão acerca da Justiça sócio ambiental como um pressuposto necessário da Paz justiça sócio-ambiental, tal como proposta pelo Papa Francisco, em suas práticas, em suas palavras e em seus escritos, há de ser entendida, não apenas em sua relação com nossos ecossistemas, como se desligados estivessem dos humanos e de todos os viventes, compreendemos Justiça socioambiental como um todo composto dos mais diversos ecossistemas e dos seres vivos, inclusive os humanos, que os integram e não se trata de terminologia acadêmica, mas, de fato, a justiça socioambiental, anunciada pelo Papa Francisco, inclui necessariamente nosso compromisso de Justiça tanto em relação ao ambiente quanto em relação aos que dele fazem parte ao anunciar a urgência de priorizarmos a justiça socioambiental, o Papa Francisco nos remete ao enfrentamento da busca de superação de gigantescos impasses, que tem ameaçado a vida, em todas as suas manifestações. Anunciar, por conseguinte, a justiça sócio ambiental significa, por um lado, denunciar as mais diversas expressões de ameaça à vida do planeta e dos humanos significa urgir nossa consciência de humanos, quanto aos nossos compromissos e responsabilidade com toda sorte de malfeitos e desmandos praticados, de modo frequente e crescente, em nossos dias chamar atenção é o que faz o Papa Francisco, não apenas por meio de sua valorosa encíclica social "laudato si", mas igualmente em tantas outras circunstâncias de suas intervenções, por gestos palavras e escritos. Associando-se à toda comunidade científica que se tem ocupado, sem cessar, em divulgar os resultados espantosos de suas pesquisas, dando conta dos enormes riscos e ameaças às formas de vida, seja em razão do contínuo aquecimento climático, com efeito imediato sobre o derretimento das calotas polares, do aumento do nível do mar, desastrosas consequências de que já estão sendo vítimas travessão e outras logo mais passaram a ser travessão de fenômenos tais como ocorrências de sunami, de enchentes, de tempestades fulminantes, da desertificação, das frequentes secas e períodos volumosos de chuva, além de outros fenômenos colaterais de reconhecida gravidade, tais como a insuportável concentração de carbono na biosfera, na na crescente acidez dos mares e oceanos, dos níveis altíssimos de poluição travessão poluição dos mares, com a inundação de plásticos, de consequência letal para a fauna marinha -  a concentração inédita de poluentes de todo tipo, a inviabilizar a vida em várias cidades do mundo, a exemplo de Nova délhi, na Índia. Consequências letais não param aí. Devemos acrescer tantas outras formas de agressão sócio ambiental: o envenenamento das águas dos rios, do mar; o crescente desmatamento; a expansão vida de terras desmatadas, em razão de políticas necrófilas concebidas e implementadas pelo agronegócio, pelas grandes empresas de mineração, pelo uso e abuso de agrotóxicos a infestarem o subsolo, o solo, a vegetação, a fauna, os humanos…

Todas essas manifestações não se produzem ocasionalmente, mas se mostram fruto de políticas econômicas características da ganância mortal do mercado capitalista, em especial do seu setor mais necrófilo, o setor financista e seus paraísos fiscais. 


Como dito precedentemente, justiça sócio ambiental não tem a ver apenas com a dignidade do planeta, mas também com os humanos. Neste sentido, são igualmente numerosas as manifestações da lógica do lucro incondicional, a incidir direta e indiretamente hein em múltiplas situações envolvendo e impactado as condições de vida e de trabalho de multidões a sanha rentista e dos demais setores do capitalismo não tem compromisso com a justiça social, a não ser formalmente, isto é, na letra fria das leis, e, ainda assim, a depender da interpretação conferida por ricos escritórios de advocacia, ao ler e interpretar hein as leis respectivas A esse respeito, tem-se notabilizado, mundo afora, inclusive no Brasil, o que se vem chamando de offer, isto é julgamentos parciais, sentenças mas no arbítrio do que nos autos. aos gravíssimos danos e estragos provocados pela sanha de lucratividade também tomam como alvo as condições de vida e de trabalho de milhões de pessoas. sobre a designação imprópria de “reformas”, gravíssimas retiradas de direitos vem sendo processadas, no Brasil, seja em relação às leis de proteção ao trabalho, seja em relação às leis previdenciárias e outras. As desigualdades sociais seguem sendo atestadas, inclusive em dados oficiais, como, por exemplo, fornecidos pela Fundação IBGE no tocante a vários aspectos, entre os quais o relativo ao crescimento das desigualdades sociais, no Brasil, nos últimos anos.

Desarmamento nuclear como verdadeiro compromisso de paz.

O jogo do poder contra poder finca profundas raízes na história do homo sapiens também hoje, não tem sido diferente. A insônia do poder sobre os demais tem marcado presença, na atualidade, sob vários aspectos preço de produção, na estrutura, organização e exercício do poder, bem como na esfera dos valores, o poder tem sido um atrativo constante, em nossa atualidade. Com efeito, a conquista, a manutenção e a ampliação do poder econômico político político, cultural, religioso segue avassaladora, em nossos dias. Múltiplas estratégias são concebidas e implementadas pelas forças de dominação. Uma delas tem se mostrado eficaz: trata-se de submeter os outros por meio da imposição do medo. O medo constitui, portanto, também hoje, uma arma poderosa de submetimento de grandes potências sobre outras nações. 

Eis por que, não de hoje, sob a falácia da máxima latina “Si vis pacem, para bellum” (Se queres a paz, prepara a guerra). As grandes potências não cessam de investir parte substancial de seus respectivos orçamentos na produção de armamentos bélicos, inclusive de armas atômicas ou de grande poder de destruição em massa. Este foi o cerne da denúncia profética apresentada pelo Papa Francisco, em sua Mensagem pronunciada em sua visita a Nagasaki e Hiroshima. E o fez, também, com base na luminosa Encíclica “Pacem e terris”, de autoria do Papa João XXIII. Dela nos permitimos, por relevante, citar um longo trecho, a este respeito:

“É-nos igualmente doloroso constatar como em estados economicamente mais desenvolvidos se fabricaram e ainda se fabricam gigantescos armamentos. Gastam-se nisso somas enormes de recursos materiais e energias espirituais. Impõem-se sacrifícios nada leves aos cidadãos dos respectivos países, enquanto outras nações carecem da ajuda indispensável ao próprio desenvolvimento econômico e social.
Costuma-se justificar essa corrida ao armamento aduzindo o motivo de que, nas circunstâncias atuais, não se assegura a paz senão com o equilíbrio de forças: se uma comunidade política se arma, faz com que também outras comunidades políticas porfiem em aumentar o próprio armamento. E, se uma comunidade política produz armas atômicas dá motivo a que outras nações se empenhem em preparar semelhantes armas, com igual poder destrutivo.
O resultado é que os povos vivem em terror permanente, como sob a ameaça de uma tempestade que pode rebentar a cada momento em avassaladora destruição. Já que as armas existem e, se parece difícil que haja pessoas capazes de assumir a responsabilidade das mortes e incomensuráveis destruições que a guerra provocaria, não é impossível que um fato imprevisível e incontrolável possa inesperadamente atear esse incêndio. Além disso, ainda que o imenso poder dos armamentos militares afaste hoje os homens da guerra, entretanto, a não cessarem as experiências levadas a cabo com uns militares, podem elas pôr em grave perigo boa parte da vida sobre a terra.
Eis por que a justiça, a reta razão e o sentido da dignidade humana terminantemente exigem que se pare com essa corrida ao poderio militar, que o material de guerra, instalado em várias nações, se vá reduzindo duma parte e doutra, simultaneamente, que sejam banidas as armas atômicas.” (nn. 109 a 112).
Cumpre, finalmente, observar a postura didática e convincente dos pronunciamentos feitos pelo Papa, em sua trigésima segunda viagem apostólica, como, aliás, é praxe em sua fecunda trajetória de Bispo de Roma.

João Pessoa, 02/12/2019.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

DEPUTADO DESTRÓI CHARGE CERTEIRA E “A ARTE BATE O PREGO NA FERIDA"


DEPUTADO DESTRÓI CHARGE CERTEIRA
E “A ARTE BATE O PREGO NA FERIDA"

Alder Júlio Ferreira Calado

Inspirado em um mote criativo
Recolhido no espaço virtual
Eu me ponho a glosá-lo, afinal
Sempre atento e seguindo o meu crivo
E assim o combate eu reativo
Viva a arte, expressão de plena vida
E os artistas, sua obra atrevida
A Latuff, o louvor contra a asneira
Deputado destrói charge certeira
e “a Arte bate o prego na ferida".

João Pessoa, 22 de novembro de 2019.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

É ECOCIDA A SANHA DO DESPERDÍCIO! Por um modo de consumo alternativo.

É ECOCIDA A SANHA DO DESPERDÍCIO! 
Por um modo de consumo alternativo.


Alder Júlio Ferreira Calado 

Dentre os vícios mais danosos de nossas sociedades contemporâneas, destaca-se o da cultura do desperdício, não se trata de práticas pontuais de esbanjamento, mas de uma crescente sucessão de formas de desperdício caracterizando uma grave mazela de nossos tempos. No caso da sociedade brasileira, a mania de desperdício vem impactando, sob vários aspectos, constituindo uma enorme cadeia de uma cultura do dilapidação em sua vasta multiplicidade, constatamos desperdícios, diferentes campos da realidade: desde a esfera econômica, passando pelo plano político, e estendendo-se a diversas manifestações da esfera cultural. A cultura do desperdício afeta negativamente o planeta e os humanos. Antes, de situarmos vários exemplos de desperdícios praticados, em diversas sociedades, inclusive no Brasil, fazemos questão de destacar que este tema merece sempre ser tratado, de modo a realçar a íntima conexão entre os macro e os micro desperdícios, isto é, entre a utilização abusiva dos bens e produtos da Terra e da Humanidade, por parte do Mercado (Mercado Transnacionais, grandes empresas atuando na industria, no Comercio, no Agronegócio, nos serviços…) e do seu Estado, e, por outro lado, as práticas perdulárias das pessoas comuns, no dia a dia. Por exemplo, no caso do uso da água, não se deve esquecer que o agronegócio é um dos grandes esbanjadores deste bem da humanidade, no caso do Estado, temos outro exemplo de macroesbanjador: basta ver, os gastos públicos escandalosos com milhares de obras inacabadas. 

No Brasil, são desperdiçados, diariamente, alimentos, produtos tecnológicos, água, energia, solo, subsolo, florestas, mares e oceanos, tempo e trabalho no âmbito da política, modos de sentir, de pensar, de querer, de agir, incidindo também no campo da Cultura. Não é por acaso que insistimos em que não se trata de desperdícios pontuais, mas produzidos em forma de sistema, a revelar, sobretudo, a face mais perversa do modo de consumo que prevalece, no atual modo de produção capitalista do que trataremos nas linhas que seguem. Nosso propósito não se esgota na descrição sumária das formas de desperdício, bem como numa mera denúncia, mas também ousamos propor pistas de superação dos múltiplos desperdícios, em vista de semear ideias e compromissos rumo a um modo de consumo alternativo a este estado de coisas.

Em nosso dia a dia, podemos observar a enorme variedade de manifestações de desperdícios. Comecemos por relembrar formas de esbanjamento, pelo que se passa com os produtos alimentícios nas feiras, nos mercados, somos constantemente testemunhas de uma insana prática de desperdício. Estragamos verduras,  frutas, carnes e tantos outros produtos alimentícios, inclusive industrializados. Não se trata de um comportamento apenas individual, não se trata de desperdício cometido por uma única pessoa ou por uma única família, trata-se, em verdade, de dezenas, centenas e milhares de pessoas e famílias, numa mesma cidade, a usarem e abusarem desses alimentos. Prova disto está, por exemplo, na bela iniciativa de muita gente indo às feiras e aos mercados e outros lugares de comércio, em busca de recolher em cestas, balaios destes produtos plenamente ainda aproveitáveis e, no entanto, jogados no lixo. Estas equipes benevolentes os recolhem e os destinam a tarefas bastante louváveis, à medida que transformam cestas e mais cestas coletadas em refeições saborosas para multidões de pessoas necessitadas.

Além do desperdício no campo dos alimentos, convém lembrar outras formas de esbanjamento. Por exemplo, o desperdício de água. Mesmo sabendo a escassez e a preciosidade da água, bem comum da humanidade, seguimos pouco atentos e menos ainda comprometidos com seu bom uso. Em nosso dia a dia, desperdiçamos água, em vários momentos: gastamos, em um banho, muito mais água do que necessitamos; desperdiçamos água quando deixamos grandes vazamentos na rede pública, por muito tempo ponto, ao lavarmos a louça, ao escovar os dentes e até ao lavarmos as mãos e abusar das descargas. E o que dizer, até do abuso de papel higiênico e papel toalha? E como lidamos com o plástico? Tudo poderia e deveria ser feito sem qualquer prejuízo para a nossa saúde. Mas a cultura do desperdício nos induz a práticas da nossas ao planeta e aos humanos. 

No caso da energia, também são diários os casos de desperdício. Desperdiçamos energia, dia a dia, em nossa casa, quando deixamos lâmpadas acesas desnecessariamente. E, desperdiçamos energia quando abusamos do chuveiro elétrico, podendo usar o chuveiro elétrico em bem menos tempo; desperdiçamos energia - e o que é mais grave - nas escolas públicas ao deixarmos acesas as lâmpadas, ainda quando não estão acontecendo as aulas; desperdiçamos energia ao não nos conformarmos ao ritmo das estações, preferindo o uso e o abuso de salas ambientados, com ar-condicionado, fator considerável do consumo de energia, de modo a demandar ainda mais hidrelétricas, a fim de satisfazer nossos caprichos consumistas. 

Mas não para aí a cultura do desperdício. Estende-se, não menos, ao abuso de aquisição de produtos tecnológicos, muitos dos quais ainda em bom funcionamento. Mesmo quando perdem um pouco de velocidade ou eficácia funcional, muitas vezes um simples conserto é capaz de repará-los, mas, consumistas contumazes preferimos, deixá-los ou mesmo jogá-los no lixo. E não se trata apenas de computadores e celulares. Em verdade, são muitos os produtos, os utensílios e objetos que jogamos fora, com o único objetivo de adquirir novos  objetos, sem qualquer compromisso com os efeitos nocivos deste desperdício, profundamente danoso ao planeta e aos humano. A este respeito, aliás, nunca é demais acentuar a sanha consumista à qual se subordina o comércio de uma vasta gama de bens e produtos, indo de roupa, calçado, produtos cosméticos, automóveis, situação que nos convida, cada vez mais, a passarmos da sanha consumista a uma cultura da sobriedade (do Bem Viver). 

Também no plano político, é forte a incidência consumista, manifesta em diferentes situações. Por exemplo, o que dizer da esdrúxula quantidade de partidos políticos existentes (em torno de 36), além de outros 70 pleiteando reconhecimento, junto às instâncias competentes a que atribuir fenômeno tão excêntrico? Como explicar que, da própria sociedade, sejam retirados, com critérios duvidosos, recursos públicos para financiamento de fundos partidários eleitorais, destinados à alimentar esta senha parasitária, em nossa sociedade? como explicar uma variedade tão grande de partidos (em torno de uma centena, entre os atualmente existentes e as propostas em curso), como também houvesse perdão como se houvesse como se também houvesse uma centena de diferentes ideologias, abalisar hein projetos e programas partidários, em vista da sociedade interrogação não se trata de uma única anomalia, mas as manifestações de desperdício ocorre também, sob outros aspectos Tempo perdido, nos espaços do congresso, destinados a discutirem assuntos completamente estranhos aos interesses da maioria da sociedade? O próprio processo eleitoral vem acompanhado de profundas anomalias e desperdício de tempo e energia, graças à produção circulação em massa de fake news, a influenciar decisivamente os resultados eleitorais.


Por um modo de consumo alternativo, que nos permita passar da sanha Consumista a uma cultura da sobriedade 

Historicamente chamados à liberdade, somos também e por isso mesmo vocacionados a darmos passos efetivos em direção a um modo alternativo de consumo. Mesmo sabendo que tal horizonte não se constrói a golpes de vontade, vamos tentando ousar passos que nos conduzam processualmente em direção a este horizonte - um modo de consumo alternativo à barbárie capitalista. Neste sentido, podemos perguntar-nos, seja do ponto de vista coletivo, seja na perspectiva individual: o que está efetivamente ao nosso alcance? Do ponto de vista coletivo, os desafios são enormes. Um deles tem a ver ver com criarmos condições favoráveis, a esboçarmos políticas públicas, nesta direção. E isto, sobre vários aspectos. Por exemplo, no caso da mobilidade urbana, grande é o desafio de implementarmos uma política de transporte público compatível com o nosso horizonte. Na prática, isto exige de nós, cidadãos e cidadãs comprometidos com a dignidade do planeta e dos humanos, um empenho crescente na direção de uma política de transporte público correspondente a este projeto. Não é mais possível continuarmos a manter uma política de transportes, de modo a privilegiar automóveis sem limite, em detrimento de transportes de massa de alternativas mais ao alcance, como no caso da bicicleta. Mais. Precisamos reavaliar, de fato, se vale a pena seguirmos dependentes da energia fóssil, ainda que saibamos que isto requer certo tempo. Também, não faz sentido continuarmos a produzir, em escala crescente, automóveis movidos à gasolina, álcool ou mesmo a gás, em vez de acelerarmos a oferta de automóveis, em escala menor, movidos a uma energia limpa. Precisamos reconhecer, por exemplo, a importância de outros modais, tais como o ferroviário, o aquático, entre outros. O que já não é mais aceitável é seguirmos renunciando parcelas significativas do orçamento público, para o financiamento das montadoras convencionais. 

Outro embate irrenunciável a travarmos tem a ver com o empenho progressivo em irmos substituindo, em prazo razoável, as fontes de energia convencionais, em favor de fontes energéticas limpas, e exemplos da energia solar, principalmente tendo em conta as vantagens evidentes características de várias de nossas regiões.

Um outro exemplo de consumo alternativo, ainda no plano macrossocial, diz respeito ao compromisso com o dinheiro público, considerando, por exemplo, os desperdícios frequentes e volumosos que se verificam em tantas obras inacabadas. Do ponto de vista político, temos muito a caminhar. Dificilmente, senão de modo impossível, seguimos apostando em que o Estado, em todas as suas esferas, seja capaz de responder positivamente aos desafios de monta encontrados. Tem feito parte da natureza do Estado sua imprescindível funcionalidade ao mercado capitalista, de tal modo que as políticas econômicas concebidas e implementadas tem a ver quase sempre com os interesses das grandes transnacionais operando nas mais diversas atividades da economia, da cultura, da Educação e até no mundo religioso.

No horizonte do consumo relativo aos cidadãos e cidadãs, de modo individual ou de pequenos grupos, há toda uma agenda a ser tomada a sério, no dia a dia de nossas relações. Neste sentido, ainda que tenhamos consciência de que muito mais coisas são necessárias a serem implementadas, temos alegria de constatar que muitas experiências alternativas, nesta direção, estão sendo desenvolvidas, principalmente no âmbito do que costumamos chamar de "correnteza subterrâneas". Dezenas e centenas de experiências apontando para avanços consideráveis, seja no plano da agroecologia, seja no da permacultura, seja nas técnicas populares de convivência com o semiárido. Vale a pena, nesta mesma caminhada, tomarmos cada vez mais fecunda iniciativa de irmos chegando perto destas experiências alternativas ao modo de consumo capitalista danosa aos humanos, à mãe natureza, à toda a comunidade dos viventes.

A título de arremate das inquietações acima alinhavadas, ousamos compartilhar dois registros, um de feição avaliativa e outro de caráter prospectivo. O primeiro registro diz respeito à necessidade de despertarmos com relação ao tamanho dos estragos cometidos, sobretudo nestes nestes últimos anos, que assim resumo: de um lado, somos instados a tomar seriamente em consideração uma gama de retrocessos, de reveses, cometidos, tanto no campo econômico, quanto na esfera política e no plano cultural. Com efeito, muitos retrocedemos, nestes últimos tempos, principalmente neste ano, à interminável sucessão de desmandos, em todas as esferas, cometidos pelo desastrado (des)governo. Não se trata de tomar em conta apenas os retrocessos sócio-ambientais, ameaçando a honra do nosso povo, perante as nações, nem se trata apenas do retrocesso em matéria econômica (a onda de privataria do patrimônio nacional), mas também no que se tem passado de retrocessos profundos na área educacional, na área cultural, todos alimentados por uma cegueira profunda da razão, negando avanços e fatos científicos comprovadamente, em todas as áreas, suscitando uma onda tenebrosa de obscurantismo. Por outro lado, somos também instados, como cidadãos e cidadãs, a despertarmos nossa atenção em relação também ao que deixamos de continuar perseguindo, isto é, ao que deixamos de avançar. Não fossem  suficientes retrocessos, importa tomar em consideração, não apenas os muitos passos que demos para trás, mas também tantos passos que poderíamos ter dado em direção a um Horizonte de humanização. 
Outro registro tem a ver com nossos compromissos em relação ao futuro. começando já por nossos passos efetivos, no presente. Neste sentido, sempre vale a pena recorrermos à Educação Popular, de feição freiriana. Ela, com efeito, nos oferece uma notável lista de compromissos a serem por nós assumidos. Um deles, por exemplo, concerne à necessidade de fitarmos continuamente a memória histórica, Isto é a gesta de nossos povos, em suas buscas, em suas lutas, em suas conquistas e em seus reveses. Revisitar esta infindável lista de fatos, em âmbito internacional, latino-americano e brasileiro, permitindo-nos agudizar nossa consciência e nosso compromisso de tirarmos lições desta história, não apenas quanto às nossas conquistas, como também em relação aos retrocessos. Além de nos induzir ao exercício da memória histórica dos oprimidos, a Educação Popular também nos ajuda consideravelmente a mantermos sempre aceso o horizonte que perseguimos no sentido de que estejamos atentos à meta que estamos buscando alcançar, sob pena de nos desviarmos do caminho que nos guia à tal meta. Esta mesma educação popular, ao trazermos elementos vigorosos com relação aos nossos compromissos frente ao passado (memória histórica dos oprimidos) e ao futuro (horizonte almejado), também nos instiga principalmente  ao exercício da Práxis, isto é, ao exercício dos nossos compromissos atuais, frente aos desafios enfrentados. 


João Pessoa, 19 de novembro de 2019

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

BRASIL, UMA REPÚBLICA? Breves considerações sobre a caminhada libertária do povo negro.


Alder Júlio Ferreira Calado

Estamos a vivenciar, de modo mais intenso, as comemorações relativas à semana da Consciência Negra. Ao mesmo tempo - já agora, a partir do calendário oficial -, hoje se celebra o dia da Proclamação da República, somos mesmo uma República? Como e por quem foi gestada, e a partir dos interesses de quem? De lá para cá, que evolução vimos tendo? Quem ganha e quem perde com esta República? Como nela se situam as classes populares: os povos originários, as comunidades quilombolas, os camponeses e camponesas, os operários e operárias, os povos das águas, das florestas, ribeirinhos, os pescadores…? E como vivem os segmentos privilegiados de nossa sociedade: os do mundo das finanças, dos paraísos fiscais do agronegócio, das grandes indústrias,  das grandes empresas comerciais e de serviço, os controladores da mídia corporativa, todos respaldados pelo Estado e seus respectivos aparelhos?

Considerando, por exemplo, a saga de Canudos, numa perspectiva crítica, o que terá representado para a comunidade de Canudos, esta República, desde suas origens? E o que dizer da saga dos povos originários e, em especial, do povo negro? O processo de colonização se revelou extraordinariamente cruel para com os “debaixo”, especialmente no processo histórico brasileiro. 

Diferentemente do contexto histórico do processo de colonização ocorrido em outros países americanos, a sociedade brasileira apresenta espantosas especificidades. Destas, com base em autores tais como Décio Freitas, Clóvis Moura, Jacobe Gorender, Júlio Chiavenato, entre outros, destacamos três: a quantidade de africanos e africanas aqui escravizados, a extensão territorial do processo escravagista e a extensão temporal. 

Do ponto de vista do efetivo demográfico de africanos e africanas aqui escravizados, o Brasil desponta como insuperável, em relação a outros países, levando-se em conta, inclusive, a subestimação dos números oficiais. No tocante à extensão territorial, há de se lembrar que, no Brasil, o processo escravagista se deu em todas as regiões, diferentemente dos Estados Unidos, cujo efetivo de africanos escravizados se concentra basicamente ao sul do país. Com relação a extensão temporal, vale destacar que, enquanto entre 1808 e 1830, o processo formal de abolição fez-se coincidir com a separação política das respectivas metrópoles, eis que, no caso do Brasil, o processo formal de abolição se estendeu, como é sabido, até 1888, 66 anos após a impropriamente chamada “Independência do Brasil”... 

E, na prática, o que redundou para os afro-brasileiros e afro-brasileiras a Proclamação da República um ano após a abolição formal da escravatura, no Brasil? Com que objetivos concretos se fez a abolição, e no que ela resultou para as condições de vida e de trabalho os ex escravos?

Fazendo um rápido balanço desses  130 anos de República no Brasil, vale a pena questionar, do ponto de vista dos “debaixo’’, tantas situações a ela ligadas. E não se trata de qualquer desprezo ou subestimação ao valor da República enquanto tal, isto é, de um verdadeiro organismo a serviço do Público, como se observa a partir mesmo de sua  etimologia - “Res publica” -, mas de questionar o verdadeiro sentido que os “donos do Poder” ( parafraseando Raymundo Faoro ), têm feito desta República, quando avaliamos a situação concreta da enorme maioria da população brasileira, majoritariamente negra, nas condições de trabalho, nas condições de vida, no acesso ao emprego, na ocupação de cargos decisórios no País, no Estado no município, nas repartições públicas?

Qual é a real posição majoritária ocupada por membros do Povo Negro? No sistema carcerária, por exemplo, quem perfaz a enorme maioria da população prisional no Brasil? Qual o percentual de negros e negras ocupando cargos decisivo, nesta República? Seja na esfera da União, dos Estados ou dos Municípios, seja ainda nos respectivos poderes (Legislativo,Judiciário e Executivo e mesmo nas Forças Armadas), na mídia corporativa, nas empresas, etc. A quantos membros do Povo Negro - mulheres e homens - se dá a oportunidade de ler e interpretar a lei maior do país, a Constituição, por exemplo no título II, capítulo II, art 7º  e em outros artigos, relativos aos direitos sociais tais como em relação ao valor do salário-mínimo, alimentação, habitação, a saúde, a educação, ao lazer e outros itens ali assegurados formalmente? Quando se veem em sua situação concreta no dia a dia, o que pensar dos direitos constitucionalmente assegurados e não usufruídas devidamente? Para quem, no dia a dia, se volta esta República? Qando se lança um olhar, por outro lado, para as condições de vida privilegiadas usufruídos pelas elites brasileiras, econômicas, políticas e culturais, que avaliação se pode ter? No sistema público de saúde, por exemplo, quem recorre ao SUS? Quem usa transporte público? Onde se acham matriculados seus filhos? E em relação as classes populares, quais as condições de defesa que lhe são assegurados, no sistema judiciário? São Tantas perguntas...  República deveria ter a ver com coisa pública, isto é, com a situação do público, quer dizer da população, do conjunto dos cidadãos e cidadãs. Quem de fato tira proveito na gestão desta República? São perguntas tantas que poderíamos acrescentar, no sentido de lembrar as elites brasileiras de sua perversidade, ao comemorarmos 130 anos de república, durante os quais, não apenas não tivemos oportunidade de assegurar direitos formalmente inscritos nas leis, como também a manter privilégios seculares até hoje. 

Nem tudo, entretanto, na trajetória do povo negro das classes populares, se resume a trevas e reveses. Há, sim, muito também a comemorar. Ontem como hoje, tem sido animadora sua trajetória de resistência, nos diversos Campos da realidade. De fato, as lutas do Povo trabalhador brasileiro nos inspiram, a todos os componentes das classes populares, a manterem viva sua esperança, a medida que buscam beber sua força da memória histórica dos oprimidos, no Brasil, na América Latina e no mundo. De esperança e luta continuará sendo a saga do povo negro, em busca de uma verdadeira República democrática, socioambientalmente comprometida, economicamente justa, politicamente participativa e culturalmente diversa, que faça jus a dignidade dos humanos e do planeta, por meio da construção, a curto, médio e longo prazos, de um novo modo de produção, de consumo e de gestão societal, ainda que de maneira processual e molecular.

João Pessoa, 15 de Novembro de 2019 

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Por um Brasil, em busca de saída sustentável: perguntas (des)concertantes.

Alder Júlio Ferreira Calado
Aprofundam-se as manifestações de barbárie, pelos quatro cantos do mundo. Também na América Latina e no Brasil. Ampliam-se os registros de agravamento da crise climática, em várias partes, com o aumento do nível do mar, a emissão de carbono, a poluição dos mares, dos rios, do solo, do subsolo, no ar (infelizmente, o caso de Nova Dalhi não é o único…); como desmatamento, com o envenenamento das plantas, dos animais, dos humanos… Na Esfera Econômica, volta a atacar a ferocidade privatista sob a alegação de modernização. Promove-se a escancarada retirada das leis de proteção aos direitos trabalhistas. O mesmo se dá no desmonte das leis previdenciárias. Não bastasse a deficitária fiscalização sócio-ambiental, eis que retira-se ainda mais o pouco de medidas de fiscalização. Inútil, por um lado, quedar-nos impassíveis perante os sinais de barbárie. Inútil, também, pretendermos superá-los a passos de mágica, por mero capricho voluntarista. Se, por um lado, estamos de acordo com o dito, segundo qual os humanos não se põem problemas para os quais já não esbocem elementos de resposta; por outro lado, somos continuamente instados a exercitar buscas de saída sustentável, com discernimento e critérios consistentes. Um destes tem a ver com a consciência de que o que hoje se passa, a despeito das diferenças, é preciso decifrar no contexto da história, de modo a não perdermos de vista tremendos desafios enfrentados por nossos antepassados, e menos ainda as formas como eles foram capazes de supera-los, o que não quer dizer sucumbir ao simplismo de reeditar mecanicamente seus feitos.
O propósito das linhas que seguem, é o de ousar compartilhar questionamentos, num exercício permanente de diálogo com tantas e tantos interlocutores, dentre os quais nos pomos a dialogar com Gustavo Barreto, a partir de seu questionamento: “Eu queria mesmo era saber onde foi que nos perdemos e, principalmente, onde estávamos mesmo?” (cf. http://consciencia.net/onde-foi-que-nos-perdemos/)
É possível obtermos êxito nos enfrentamentos nos desafios presentes, empenhando-nos apenas no conhecimento mais objetivo das forças adversárias, sem que também nos comprometamos a examinar permanentemente a natureza, os frutos e a coerência de nossas ações internas?
A quem acompanha atentamente os acontecimentos sócio históricos das últimas décadas, no Brasil, na América Latina e no mundo, assiste o direito de espanto ante os desdobramentos conjunturais em que ainda nos sentimos mergulhados? A relutância persistente por parte de nossas organizações de base em assumir qualquer responsabilidade nas experiências de retrocesso em curso, em que nos ajuda a trilhar caminhos alternativos? Mais: em que nos garante de recaídas?
Do ponto de vista dos valores que caracterizam as forças sociais de transformação, comprometidas com os interesses e com as lutas das classes populares temos sido vigilantes em sua vivência?
Historicamente chamados a ousar passos em permanente busca de uma sociedade alternativa à barbárie capitalista, temos sido coerentes e eficazes em trilhar horizonte, caminhos e posturas compatíveis?
A busca incessante de tal rumo comporta necessariamente práticas e concepções antagônicas ao modelo hegemônico e, ao mesmo tempo, compromissos concretos condizentes com o caráter do rumo almejados no que toca, por exemplo, ao horizonte almejado bem sabemos que o modelo hegemônico é movido necessariamente pela aliança orgânica entre Mercado e Estado. Até que ponto, a despeito de nossas lutas contra as principais forças do Mercado capitalista temos sucumbido reiteradamente ao fascínio dos espaços governamentais, sabidamente parceiros indissociáveis da implementação das políticas econômicas do Mercado Capitalista.
Ao revisitarmos espectro complexo da esquerda brasileira, nas últimas décadas, constatamos a enorme dificuldade de se tomar distância dos embates protagonizados Pelas nossas organizações de base, quanto a sua participação nos Espaços governamentais. com efeito, bem sabemos que, mesmo dentro de uma correlação de forças desfavorável, conquistas relevantes foram obtidas, durante os governos populares. sabemos, por outro lado, que tais conquistas só foram obtidas Graças a concessões fundamentais feitas aos setores dominantes de nossa sociedade, inclusive tendo que ceder para os mesmos setores dominantes, em especial o rentista, as fatias mais substanciosa do bolo econômico da sociedade brasileira. Eis porque insistimos em perguntar: tendo em vista que, há cerca de meio século, estivemos a apostar em tais estratégias, fundadas em concessões de migalhas das riquezas socialmente produzidas, destinados às classes populares. Que garantias temos de quê as organizações de base de nossa sociedade, em especial os movimentos sociais populares atuando com a busca de construção de um projeto alternativo de sociedade, vamos passar para uma verdadeira priorização de estratégias eficazes contra esta ordem de coisas?
Sem desconhecermos avanços pontuais conseguidos pela Via dos espaços governamentais, não podemos ignorar que os ganhos maiores resultam em direção dos setores dominantes de tal modo a agravarem os níveis das desigualdades sociais, resumidas na constatação de termos ricos cada vez mais ricos à custa de pobres cada vez mais pobres? 
Do ponto de vista econômico, por exemplo, apreciando criticamente a lista de ganhos obtidos pelas classes populares, durante os governos populares, nas primeiras décadas deste século, que resultados substantivos podemos obter? E a que custo? as sucessivas concessões estratégicas, inicialmente tidas como meras táticas conjunturais, a que ponto nos levaram? Será que, não obstante uma lista significativa de ganhos populares, representados pelas políticas compensatórias (aumento real do salário mínimo, Bolsa Família, programa Minha Casa Minha Vida, acesso de jovens das classes populares as universidades e institutos federais, além de tantas outras conquistas semelhantes), lograram manter-se por quanto tempo? De que Valerão às sucessivas táticas eleitorais, de caráter profundamente aliancista, sob alegação da necessária governabilidade?
A despeito de sucessivos e crescentes “acidentes”(?), no transporte do Petróleo, nas grandes barragem de mineração e atividades do gênero, teimamos - mesmo as forças de esquerda - em apostar cegamente num desenvolvimentismo que agride profundamente oceanos, rios, vales, solo, subsolo, flora e fauna, além dos humanos. estamos, ou não, a cometer graves equívocos em seguirmos apostando nesta via? Crescem as evidências da insanidade do Capitalismo no agravamento  das condições de vida do Planeta e dos Humanos, enquanto ainda continuamos apostando cegamente nas riquezas do pré-sal, e da mineração…

João Pessoa, 14/11/2019