sexta-feira, 22 de novembro de 2019

DEPUTADO DESTRÓI CHARGE CERTEIRA E “A ARTE BATE O PREGO NA FERIDA"


DEPUTADO DESTRÓI CHARGE CERTEIRA
E “A ARTE BATE O PREGO NA FERIDA"

Alder Júlio Ferreira Calado

Inspirado em um mote criativo
Recolhido no espaço virtual
Eu me ponho a glosá-lo, afinal
Sempre atento e seguindo o meu crivo
E assim o combate eu reativo
Viva a arte, expressão de plena vida
E os artistas, sua obra atrevida
A Latuff, o louvor contra a asneira
Deputado destrói charge certeira
e “a Arte bate o prego na ferida".

João Pessoa, 22 de novembro de 2019.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

É ECOCIDA A SANHA DO DESPERDÍCIO! Por um modo de consumo alternativo.

É ECOCIDA A SANHA DO DESPERDÍCIO! 
Por um modo de consumo alternativo.


Alder Júlio Ferreira Calado 

Dentre os vícios mais danosos de nossas sociedades contemporâneas, destaca-se o da cultura do desperdício, não se trata de práticas pontuais de esbanjamento, mas de uma crescente sucessão de formas de desperdício caracterizando uma grave mazela de nossos tempos. No caso da sociedade brasileira, a mania de desperdício vem impactando, sob vários aspectos, constituindo uma enorme cadeia de uma cultura do dilapidação em sua vasta multiplicidade, constatamos desperdícios, diferentes campos da realidade: desde a esfera econômica, passando pelo plano político, e estendendo-se a diversas manifestações da esfera cultural. A cultura do desperdício afeta negativamente o planeta e os humanos. Antes, de situarmos vários exemplos de desperdícios praticados, em diversas sociedades, inclusive no Brasil, fazemos questão de destacar que este tema merece sempre ser tratado, de modo a realçar a íntima conexão entre os macro e os micro desperdícios, isto é, entre a utilização abusiva dos bens e produtos da Terra e da Humanidade, por parte do Mercado (Mercado Transnacionais, grandes empresas atuando na industria, no Comercio, no Agronegócio, nos serviços…) e do seu Estado, e, por outro lado, as práticas perdulárias das pessoas comuns, no dia a dia. Por exemplo, no caso do uso da água, não se deve esquecer que o agronegócio é um dos grandes esbanjadores deste bem da humanidade, no caso do Estado, temos outro exemplo de macroesbanjador: basta ver, os gastos públicos escandalosos com milhares de obras inacabadas. 

No Brasil, são desperdiçados, diariamente, alimentos, produtos tecnológicos, água, energia, solo, subsolo, florestas, mares e oceanos, tempo e trabalho no âmbito da política, modos de sentir, de pensar, de querer, de agir, incidindo também no campo da Cultura. Não é por acaso que insistimos em que não se trata de desperdícios pontuais, mas produzidos em forma de sistema, a revelar, sobretudo, a face mais perversa do modo de consumo que prevalece, no atual modo de produção capitalista do que trataremos nas linhas que seguem. Nosso propósito não se esgota na descrição sumária das formas de desperdício, bem como numa mera denúncia, mas também ousamos propor pistas de superação dos múltiplos desperdícios, em vista de semear ideias e compromissos rumo a um modo de consumo alternativo a este estado de coisas.

Em nosso dia a dia, podemos observar a enorme variedade de manifestações de desperdícios. Comecemos por relembrar formas de esbanjamento, pelo que se passa com os produtos alimentícios nas feiras, nos mercados, somos constantemente testemunhas de uma insana prática de desperdício. Estragamos verduras,  frutas, carnes e tantos outros produtos alimentícios, inclusive industrializados. Não se trata de um comportamento apenas individual, não se trata de desperdício cometido por uma única pessoa ou por uma única família, trata-se, em verdade, de dezenas, centenas e milhares de pessoas e famílias, numa mesma cidade, a usarem e abusarem desses alimentos. Prova disto está, por exemplo, na bela iniciativa de muita gente indo às feiras e aos mercados e outros lugares de comércio, em busca de recolher em cestas, balaios destes produtos plenamente ainda aproveitáveis e, no entanto, jogados no lixo. Estas equipes benevolentes os recolhem e os destinam a tarefas bastante louváveis, à medida que transformam cestas e mais cestas coletadas em refeições saborosas para multidões de pessoas necessitadas.

Além do desperdício no campo dos alimentos, convém lembrar outras formas de esbanjamento. Por exemplo, o desperdício de água. Mesmo sabendo a escassez e a preciosidade da água, bem comum da humanidade, seguimos pouco atentos e menos ainda comprometidos com seu bom uso. Em nosso dia a dia, desperdiçamos água, em vários momentos: gastamos, em um banho, muito mais água do que necessitamos; desperdiçamos água quando deixamos grandes vazamentos na rede pública, por muito tempo ponto, ao lavarmos a louça, ao escovar os dentes e até ao lavarmos as mãos e abusar das descargas. E o que dizer, até do abuso de papel higiênico e papel toalha? E como lidamos com o plástico? Tudo poderia e deveria ser feito sem qualquer prejuízo para a nossa saúde. Mas a cultura do desperdício nos induz a práticas da nossas ao planeta e aos humanos. 

No caso da energia, também são diários os casos de desperdício. Desperdiçamos energia, dia a dia, em nossa casa, quando deixamos lâmpadas acesas desnecessariamente. E, desperdiçamos energia quando abusamos do chuveiro elétrico, podendo usar o chuveiro elétrico em bem menos tempo; desperdiçamos energia - e o que é mais grave - nas escolas públicas ao deixarmos acesas as lâmpadas, ainda quando não estão acontecendo as aulas; desperdiçamos energia ao não nos conformarmos ao ritmo das estações, preferindo o uso e o abuso de salas ambientados, com ar-condicionado, fator considerável do consumo de energia, de modo a demandar ainda mais hidrelétricas, a fim de satisfazer nossos caprichos consumistas. 

Mas não para aí a cultura do desperdício. Estende-se, não menos, ao abuso de aquisição de produtos tecnológicos, muitos dos quais ainda em bom funcionamento. Mesmo quando perdem um pouco de velocidade ou eficácia funcional, muitas vezes um simples conserto é capaz de repará-los, mas, consumistas contumazes preferimos, deixá-los ou mesmo jogá-los no lixo. E não se trata apenas de computadores e celulares. Em verdade, são muitos os produtos, os utensílios e objetos que jogamos fora, com o único objetivo de adquirir novos  objetos, sem qualquer compromisso com os efeitos nocivos deste desperdício, profundamente danoso ao planeta e aos humano. A este respeito, aliás, nunca é demais acentuar a sanha consumista à qual se subordina o comércio de uma vasta gama de bens e produtos, indo de roupa, calçado, produtos cosméticos, automóveis, situação que nos convida, cada vez mais, a passarmos da sanha consumista a uma cultura da sobriedade (do Bem Viver). 

Também no plano político, é forte a incidência consumista, manifesta em diferentes situações. Por exemplo, o que dizer da esdrúxula quantidade de partidos políticos existentes (em torno de 36), além de outros 70 pleiteando reconhecimento, junto às instâncias competentes a que atribuir fenômeno tão excêntrico? Como explicar que, da própria sociedade, sejam retirados, com critérios duvidosos, recursos públicos para financiamento de fundos partidários eleitorais, destinados à alimentar esta senha parasitária, em nossa sociedade? como explicar uma variedade tão grande de partidos (em torno de uma centena, entre os atualmente existentes e as propostas em curso), como também houvesse perdão como se houvesse como se também houvesse uma centena de diferentes ideologias, abalisar hein projetos e programas partidários, em vista da sociedade interrogação não se trata de uma única anomalia, mas as manifestações de desperdício ocorre também, sob outros aspectos Tempo perdido, nos espaços do congresso, destinados a discutirem assuntos completamente estranhos aos interesses da maioria da sociedade? O próprio processo eleitoral vem acompanhado de profundas anomalias e desperdício de tempo e energia, graças à produção circulação em massa de fake news, a influenciar decisivamente os resultados eleitorais.


Por um modo de consumo alternativo, que nos permita passar da sanha Consumista a uma cultura da sobriedade 

Historicamente chamados à liberdade, somos também e por isso mesmo vocacionados a darmos passos efetivos em direção a um modo alternativo de consumo. Mesmo sabendo que tal horizonte não se constrói a golpes de vontade, vamos tentando ousar passos que nos conduzam processualmente em direção a este horizonte - um modo de consumo alternativo à barbárie capitalista. Neste sentido, podemos perguntar-nos, seja do ponto de vista coletivo, seja na perspectiva individual: o que está efetivamente ao nosso alcance? Do ponto de vista coletivo, os desafios são enormes. Um deles tem a ver ver com criarmos condições favoráveis, a esboçarmos políticas públicas, nesta direção. E isto, sobre vários aspectos. Por exemplo, no caso da mobilidade urbana, grande é o desafio de implementarmos uma política de transporte público compatível com o nosso horizonte. Na prática, isto exige de nós, cidadãos e cidadãs comprometidos com a dignidade do planeta e dos humanos, um empenho crescente na direção de uma política de transporte público correspondente a este projeto. Não é mais possível continuarmos a manter uma política de transportes, de modo a privilegiar automóveis sem limite, em detrimento de transportes de massa de alternativas mais ao alcance, como no caso da bicicleta. Mais. Precisamos reavaliar, de fato, se vale a pena seguirmos dependentes da energia fóssil, ainda que saibamos que isto requer certo tempo. Também, não faz sentido continuarmos a produzir, em escala crescente, automóveis movidos à gasolina, álcool ou mesmo a gás, em vez de acelerarmos a oferta de automóveis, em escala menor, movidos a uma energia limpa. Precisamos reconhecer, por exemplo, a importância de outros modais, tais como o ferroviário, o aquático, entre outros. O que já não é mais aceitável é seguirmos renunciando parcelas significativas do orçamento público, para o financiamento das montadoras convencionais. 

Outro embate irrenunciável a travarmos tem a ver com o empenho progressivo em irmos substituindo, em prazo razoável, as fontes de energia convencionais, em favor de fontes energéticas limpas, e exemplos da energia solar, principalmente tendo em conta as vantagens evidentes características de várias de nossas regiões.

Um outro exemplo de consumo alternativo, ainda no plano macrossocial, diz respeito ao compromisso com o dinheiro público, considerando, por exemplo, os desperdícios frequentes e volumosos que se verificam em tantas obras inacabadas. Do ponto de vista político, temos muito a caminhar. Dificilmente, senão de modo impossível, seguimos apostando em que o Estado, em todas as suas esferas, seja capaz de responder positivamente aos desafios de monta encontrados. Tem feito parte da natureza do Estado sua imprescindível funcionalidade ao mercado capitalista, de tal modo que as políticas econômicas concebidas e implementadas tem a ver quase sempre com os interesses das grandes transnacionais operando nas mais diversas atividades da economia, da cultura, da Educação e até no mundo religioso.

No horizonte do consumo relativo aos cidadãos e cidadãs, de modo individual ou de pequenos grupos, há toda uma agenda a ser tomada a sério, no dia a dia de nossas relações. Neste sentido, ainda que tenhamos consciência de que muito mais coisas são necessárias a serem implementadas, temos alegria de constatar que muitas experiências alternativas, nesta direção, estão sendo desenvolvidas, principalmente no âmbito do que costumamos chamar de "correnteza subterrâneas". Dezenas e centenas de experiências apontando para avanços consideráveis, seja no plano da agroecologia, seja no da permacultura, seja nas técnicas populares de convivência com o semiárido. Vale a pena, nesta mesma caminhada, tomarmos cada vez mais fecunda iniciativa de irmos chegando perto destas experiências alternativas ao modo de consumo capitalista danosa aos humanos, à mãe natureza, à toda a comunidade dos viventes.

A título de arremate das inquietações acima alinhavadas, ousamos compartilhar dois registros, um de feição avaliativa e outro de caráter prospectivo. O primeiro registro diz respeito à necessidade de despertarmos com relação ao tamanho dos estragos cometidos, sobretudo nestes nestes últimos anos, que assim resumo: de um lado, somos instados a tomar seriamente em consideração uma gama de retrocessos, de reveses, cometidos, tanto no campo econômico, quanto na esfera política e no plano cultural. Com efeito, muitos retrocedemos, nestes últimos tempos, principalmente neste ano, à interminável sucessão de desmandos, em todas as esferas, cometidos pelo desastrado (des)governo. Não se trata de tomar em conta apenas os retrocessos sócio-ambientais, ameaçando a honra do nosso povo, perante as nações, nem se trata apenas do retrocesso em matéria econômica (a onda de privataria do patrimônio nacional), mas também no que se tem passado de retrocessos profundos na área educacional, na área cultural, todos alimentados por uma cegueira profunda da razão, negando avanços e fatos científicos comprovadamente, em todas as áreas, suscitando uma onda tenebrosa de obscurantismo. Por outro lado, somos também instados, como cidadãos e cidadãs, a despertarmos nossa atenção em relação também ao que deixamos de continuar perseguindo, isto é, ao que deixamos de avançar. Não fossem  suficientes retrocessos, importa tomar em consideração, não apenas os muitos passos que demos para trás, mas também tantos passos que poderíamos ter dado em direção a um Horizonte de humanização. 
Outro registro tem a ver com nossos compromissos em relação ao futuro. começando já por nossos passos efetivos, no presente. Neste sentido, sempre vale a pena recorrermos à Educação Popular, de feição freiriana. Ela, com efeito, nos oferece uma notável lista de compromissos a serem por nós assumidos. Um deles, por exemplo, concerne à necessidade de fitarmos continuamente a memória histórica, Isto é a gesta de nossos povos, em suas buscas, em suas lutas, em suas conquistas e em seus reveses. Revisitar esta infindável lista de fatos, em âmbito internacional, latino-americano e brasileiro, permitindo-nos agudizar nossa consciência e nosso compromisso de tirarmos lições desta história, não apenas quanto às nossas conquistas, como também em relação aos retrocessos. Além de nos induzir ao exercício da memória histórica dos oprimidos, a Educação Popular também nos ajuda consideravelmente a mantermos sempre aceso o horizonte que perseguimos no sentido de que estejamos atentos à meta que estamos buscando alcançar, sob pena de nos desviarmos do caminho que nos guia à tal meta. Esta mesma educação popular, ao trazermos elementos vigorosos com relação aos nossos compromissos frente ao passado (memória histórica dos oprimidos) e ao futuro (horizonte almejado), também nos instiga principalmente  ao exercício da Práxis, isto é, ao exercício dos nossos compromissos atuais, frente aos desafios enfrentados. 


João Pessoa, 19 de novembro de 2019

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

BRASIL, UMA REPÚBLICA? Breves considerações sobre a caminhada libertária do povo negro.


Alder Júlio Ferreira Calado

Estamos a vivenciar, de modo mais intenso, as comemorações relativas à semana da Consciência Negra. Ao mesmo tempo - já agora, a partir do calendário oficial -, hoje se celebra o dia da Proclamação da República, somos mesmo uma República? Como e por quem foi gestada, e a partir dos interesses de quem? De lá para cá, que evolução vimos tendo? Quem ganha e quem perde com esta República? Como nela se situam as classes populares: os povos originários, as comunidades quilombolas, os camponeses e camponesas, os operários e operárias, os povos das águas, das florestas, ribeirinhos, os pescadores…? E como vivem os segmentos privilegiados de nossa sociedade: os do mundo das finanças, dos paraísos fiscais do agronegócio, das grandes indústrias,  das grandes empresas comerciais e de serviço, os controladores da mídia corporativa, todos respaldados pelo Estado e seus respectivos aparelhos?

Considerando, por exemplo, a saga de Canudos, numa perspectiva crítica, o que terá representado para a comunidade de Canudos, esta República, desde suas origens? E o que dizer da saga dos povos originários e, em especial, do povo negro? O processo de colonização se revelou extraordinariamente cruel para com os “debaixo”, especialmente no processo histórico brasileiro. 

Diferentemente do contexto histórico do processo de colonização ocorrido em outros países americanos, a sociedade brasileira apresenta espantosas especificidades. Destas, com base em autores tais como Décio Freitas, Clóvis Moura, Jacobe Gorender, Júlio Chiavenato, entre outros, destacamos três: a quantidade de africanos e africanas aqui escravizados, a extensão territorial do processo escravagista e a extensão temporal. 

Do ponto de vista do efetivo demográfico de africanos e africanas aqui escravizados, o Brasil desponta como insuperável, em relação a outros países, levando-se em conta, inclusive, a subestimação dos números oficiais. No tocante à extensão territorial, há de se lembrar que, no Brasil, o processo escravagista se deu em todas as regiões, diferentemente dos Estados Unidos, cujo efetivo de africanos escravizados se concentra basicamente ao sul do país. Com relação a extensão temporal, vale destacar que, enquanto entre 1808 e 1830, o processo formal de abolição fez-se coincidir com a separação política das respectivas metrópoles, eis que, no caso do Brasil, o processo formal de abolição se estendeu, como é sabido, até 1888, 66 anos após a impropriamente chamada “Independência do Brasil”... 

E, na prática, o que redundou para os afro-brasileiros e afro-brasileiras a Proclamação da República um ano após a abolição formal da escravatura, no Brasil? Com que objetivos concretos se fez a abolição, e no que ela resultou para as condições de vida e de trabalho os ex escravos?

Fazendo um rápido balanço desses  130 anos de República no Brasil, vale a pena questionar, do ponto de vista dos “debaixo’’, tantas situações a ela ligadas. E não se trata de qualquer desprezo ou subestimação ao valor da República enquanto tal, isto é, de um verdadeiro organismo a serviço do Público, como se observa a partir mesmo de sua  etimologia - “Res publica” -, mas de questionar o verdadeiro sentido que os “donos do Poder” ( parafraseando Raymundo Faoro ), têm feito desta República, quando avaliamos a situação concreta da enorme maioria da população brasileira, majoritariamente negra, nas condições de trabalho, nas condições de vida, no acesso ao emprego, na ocupação de cargos decisórios no País, no Estado no município, nas repartições públicas?

Qual é a real posição majoritária ocupada por membros do Povo Negro? No sistema carcerária, por exemplo, quem perfaz a enorme maioria da população prisional no Brasil? Qual o percentual de negros e negras ocupando cargos decisivo, nesta República? Seja na esfera da União, dos Estados ou dos Municípios, seja ainda nos respectivos poderes (Legislativo,Judiciário e Executivo e mesmo nas Forças Armadas), na mídia corporativa, nas empresas, etc. A quantos membros do Povo Negro - mulheres e homens - se dá a oportunidade de ler e interpretar a lei maior do país, a Constituição, por exemplo no título II, capítulo II, art 7º  e em outros artigos, relativos aos direitos sociais tais como em relação ao valor do salário-mínimo, alimentação, habitação, a saúde, a educação, ao lazer e outros itens ali assegurados formalmente? Quando se veem em sua situação concreta no dia a dia, o que pensar dos direitos constitucionalmente assegurados e não usufruídas devidamente? Para quem, no dia a dia, se volta esta República? Qando se lança um olhar, por outro lado, para as condições de vida privilegiadas usufruídos pelas elites brasileiras, econômicas, políticas e culturais, que avaliação se pode ter? No sistema público de saúde, por exemplo, quem recorre ao SUS? Quem usa transporte público? Onde se acham matriculados seus filhos? E em relação as classes populares, quais as condições de defesa que lhe são assegurados, no sistema judiciário? São Tantas perguntas...  República deveria ter a ver com coisa pública, isto é, com a situação do público, quer dizer da população, do conjunto dos cidadãos e cidadãs. Quem de fato tira proveito na gestão desta República? São perguntas tantas que poderíamos acrescentar, no sentido de lembrar as elites brasileiras de sua perversidade, ao comemorarmos 130 anos de república, durante os quais, não apenas não tivemos oportunidade de assegurar direitos formalmente inscritos nas leis, como também a manter privilégios seculares até hoje. 

Nem tudo, entretanto, na trajetória do povo negro das classes populares, se resume a trevas e reveses. Há, sim, muito também a comemorar. Ontem como hoje, tem sido animadora sua trajetória de resistência, nos diversos Campos da realidade. De fato, as lutas do Povo trabalhador brasileiro nos inspiram, a todos os componentes das classes populares, a manterem viva sua esperança, a medida que buscam beber sua força da memória histórica dos oprimidos, no Brasil, na América Latina e no mundo. De esperança e luta continuará sendo a saga do povo negro, em busca de uma verdadeira República democrática, socioambientalmente comprometida, economicamente justa, politicamente participativa e culturalmente diversa, que faça jus a dignidade dos humanos e do planeta, por meio da construção, a curto, médio e longo prazos, de um novo modo de produção, de consumo e de gestão societal, ainda que de maneira processual e molecular.

João Pessoa, 15 de Novembro de 2019 

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Por um Brasil, em busca de saída sustentável: perguntas (des)concertantes.

Alder Júlio Ferreira Calado
Aprofundam-se as manifestações de barbárie, pelos quatro cantos do mundo. Também na América Latina e no Brasil. Ampliam-se os registros de agravamento da crise climática, em várias partes, com o aumento do nível do mar, a emissão de carbono, a poluição dos mares, dos rios, do solo, do subsolo, no ar (infelizmente, o caso de Nova Dalhi não é o único…); como desmatamento, com o envenenamento das plantas, dos animais, dos humanos… Na Esfera Econômica, volta a atacar a ferocidade privatista sob a alegação de modernização. Promove-se a escancarada retirada das leis de proteção aos direitos trabalhistas. O mesmo se dá no desmonte das leis previdenciárias. Não bastasse a deficitária fiscalização sócio-ambiental, eis que retira-se ainda mais o pouco de medidas de fiscalização. Inútil, por um lado, quedar-nos impassíveis perante os sinais de barbárie. Inútil, também, pretendermos superá-los a passos de mágica, por mero capricho voluntarista. Se, por um lado, estamos de acordo com o dito, segundo qual os humanos não se põem problemas para os quais já não esbocem elementos de resposta; por outro lado, somos continuamente instados a exercitar buscas de saída sustentável, com discernimento e critérios consistentes. Um destes tem a ver com a consciência de que o que hoje se passa, a despeito das diferenças, é preciso decifrar no contexto da história, de modo a não perdermos de vista tremendos desafios enfrentados por nossos antepassados, e menos ainda as formas como eles foram capazes de supera-los, o que não quer dizer sucumbir ao simplismo de reeditar mecanicamente seus feitos.
O propósito das linhas que seguem, é o de ousar compartilhar questionamentos, num exercício permanente de diálogo com tantas e tantos interlocutores, dentre os quais nos pomos a dialogar com Gustavo Barreto, a partir de seu questionamento: “Eu queria mesmo era saber onde foi que nos perdemos e, principalmente, onde estávamos mesmo?” (cf. http://consciencia.net/onde-foi-que-nos-perdemos/)
É possível obtermos êxito nos enfrentamentos nos desafios presentes, empenhando-nos apenas no conhecimento mais objetivo das forças adversárias, sem que também nos comprometamos a examinar permanentemente a natureza, os frutos e a coerência de nossas ações internas?
A quem acompanha atentamente os acontecimentos sócio históricos das últimas décadas, no Brasil, na América Latina e no mundo, assiste o direito de espanto ante os desdobramentos conjunturais em que ainda nos sentimos mergulhados? A relutância persistente por parte de nossas organizações de base em assumir qualquer responsabilidade nas experiências de retrocesso em curso, em que nos ajuda a trilhar caminhos alternativos? Mais: em que nos garante de recaídas?
Do ponto de vista dos valores que caracterizam as forças sociais de transformação, comprometidas com os interesses e com as lutas das classes populares temos sido vigilantes em sua vivência?
Historicamente chamados a ousar passos em permanente busca de uma sociedade alternativa à barbárie capitalista, temos sido coerentes e eficazes em trilhar horizonte, caminhos e posturas compatíveis?
A busca incessante de tal rumo comporta necessariamente práticas e concepções antagônicas ao modelo hegemônico e, ao mesmo tempo, compromissos concretos condizentes com o caráter do rumo almejados no que toca, por exemplo, ao horizonte almejado bem sabemos que o modelo hegemônico é movido necessariamente pela aliança orgânica entre Mercado e Estado. Até que ponto, a despeito de nossas lutas contra as principais forças do Mercado capitalista temos sucumbido reiteradamente ao fascínio dos espaços governamentais, sabidamente parceiros indissociáveis da implementação das políticas econômicas do Mercado Capitalista.
Ao revisitarmos espectro complexo da esquerda brasileira, nas últimas décadas, constatamos a enorme dificuldade de se tomar distância dos embates protagonizados Pelas nossas organizações de base, quanto a sua participação nos Espaços governamentais. com efeito, bem sabemos que, mesmo dentro de uma correlação de forças desfavorável, conquistas relevantes foram obtidas, durante os governos populares. sabemos, por outro lado, que tais conquistas só foram obtidas Graças a concessões fundamentais feitas aos setores dominantes de nossa sociedade, inclusive tendo que ceder para os mesmos setores dominantes, em especial o rentista, as fatias mais substanciosa do bolo econômico da sociedade brasileira. Eis porque insistimos em perguntar: tendo em vista que, há cerca de meio século, estivemos a apostar em tais estratégias, fundadas em concessões de migalhas das riquezas socialmente produzidas, destinados às classes populares. Que garantias temos de quê as organizações de base de nossa sociedade, em especial os movimentos sociais populares atuando com a busca de construção de um projeto alternativo de sociedade, vamos passar para uma verdadeira priorização de estratégias eficazes contra esta ordem de coisas?
Sem desconhecermos avanços pontuais conseguidos pela Via dos espaços governamentais, não podemos ignorar que os ganhos maiores resultam em direção dos setores dominantes de tal modo a agravarem os níveis das desigualdades sociais, resumidas na constatação de termos ricos cada vez mais ricos à custa de pobres cada vez mais pobres? 
Do ponto de vista econômico, por exemplo, apreciando criticamente a lista de ganhos obtidos pelas classes populares, durante os governos populares, nas primeiras décadas deste século, que resultados substantivos podemos obter? E a que custo? as sucessivas concessões estratégicas, inicialmente tidas como meras táticas conjunturais, a que ponto nos levaram? Será que, não obstante uma lista significativa de ganhos populares, representados pelas políticas compensatórias (aumento real do salário mínimo, Bolsa Família, programa Minha Casa Minha Vida, acesso de jovens das classes populares as universidades e institutos federais, além de tantas outras conquistas semelhantes), lograram manter-se por quanto tempo? De que Valerão às sucessivas táticas eleitorais, de caráter profundamente aliancista, sob alegação da necessária governabilidade?
A despeito de sucessivos e crescentes “acidentes”(?), no transporte do Petróleo, nas grandes barragem de mineração e atividades do gênero, teimamos - mesmo as forças de esquerda - em apostar cegamente num desenvolvimentismo que agride profundamente oceanos, rios, vales, solo, subsolo, flora e fauna, além dos humanos. estamos, ou não, a cometer graves equívocos em seguirmos apostando nesta via? Crescem as evidências da insanidade do Capitalismo no agravamento  das condições de vida do Planeta e dos Humanos, enquanto ainda continuamos apostando cegamente nas riquezas do pré-sal, e da mineração…

João Pessoa, 14/11/2019

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

GRUPO KAIRÓS, 21 ANOS

GRUPO KAIRÓS, 21 ANOS
Em diálogo com Pe. José Comblin, pelas veredas do Movimento de Jesus

Alder Júlio Ferreira Calado

O Grupo Kairós Nós Também Somos Igreja alcança seus vinte e um anos, momento propício para o exercício de celebração, de rememoração, de avaliação da caminhada e de renovação de horizonte e compromissos. Alguns membros isolados do Grupo já acompanhavam a trajetória da Teologia da Enxada, desde seus inícios, em finais dos anos 60 e, por meio dela, os passos do Pe. José Comblin. Em 1998, na companhia do próprio Pe. José e da Missionária Mônica Muggler, inclusive com a presença do já Bispo emérito de Crateús, Dom Antônio Batista Fragoso, agora residindo em João Pessoa, formava-se um pequeno grupo de amigos e amigas de Pe. José passou a reunir-se mensalmente na residência dele, em Bayeux-PB, com o objetivo de dialogar e refletir sobre a conjuntura sócio-eclesial, bem como sobre textos produzidos pelo Pe. Combin. Foi o caso do livro recém-lançado, "Vocação para a Liberdade", recém-editado pela Paulus. Tratava-se de encontros mensais em que na sala de sua casa, as/os participantes cuidavam de compartilhar alegrias, angústias e esperanças daquele contexto sócio-eclesial, tendo, ao final, uma palavra de aprofundamento que se pedia a Pe. José, com perguntas e colocações que se lhes seguiam. Ao final, graças aos cuidados e sensibilidade de Mônica, o grupo era convidado a sentar-se à mesa para um café ou, ocasionalmente, a uma refeição. 

No texto que segue, cuidamos de rememorar, de modo avaliativo-prospectivo, a caminhada do grupo Kairós de 21 anos. Neste sentido, iniciamos fornecendo alguns elementos históricos de suas origens; em seguida, destacaremos aspectos organizativos do Kairós, inclusive em sua filiação ao IWMAC – International Moviment We Are Church, que data de 2009. Por último, faremos memória das principais atividades realizadas pelo Kairós, destacando em especial a organização, já em sua 9ª edição, da Semana Teológica Pe. José Comblin, da qual fazem parte as Jornadas Comunitárias. Em conclusão, sublinhamos alguns desafios enfrentados pelo Kairós.

Como nasce o Kairós/Nós Também Somos Igreja?



Dentre os primeiros participantes - um grupo de cerca de uma dezena, com variações ocasionais, aí se encontravam: Pe. José, Mônica, Dom Fragoso, João Fragoso, Ir. Ana Vigarani, José Brendan, José Hailton, Rolando Lazarte, Pe. Glênio, Pastor Osmar Ludovico, Isabelle Ludovico, Luiz Zadra, Genaro Ieno, Luciano Silva, Alder e outras pessoas com presença esporádica.

Tempos desafiantes, seja ao interno da Igreja Católica, já com um longo pontificado do Papa João Paulo II, com suas estratégias de esvaziamento da "Igreja na Base", seja no plano macrossocial, com o avanço e agravamento do Neoliberalismo no mundo. Tema, aliás, sobre o qual o próprio Pe. Comblin havia escrito um livro, “O Neoliberalismo – Ideologia dominante na virada do século, São Paulo: Loyola, 2000”, que fazia parte da célebre coleção "Teologia e Libertação", editada pela Loyola, com apoio de mais de cerca de 120 bispos da América Latina. 

Pouco antes da publicação deste livro, Comblin nos havia brindado com um outro de grande impacto no mundo cristão, intitulado “Cristãos Rumo ao Século XXI – Nova Caminhada de Libertação” (São Paulo, 1996). Como se percebe, vivíamos um tempo caracterizado, dentro e fora das Igrejas cristãs, por um clima de tensão, de incertezas, mas também de esperança. É neste contexto que as reuniões mensais deste grupo se desenrolavam, na casa do Pe. José Comblin.

No âmbito da Arquidiocese da Paraíba (João Pessoa), viviam-se os últimos e conturbados anos do governo de Dom Marcelo Carvalheira, a enfrentar resistências ao interno do próprio clero, relativamente a situações econômico-financeiras então enfrentadas e outras questões. Ao alcançar sua idade-limite, Dom Marcelo Pinto Carvalheira torna-se emérito, e os diocesanos passam a viver certa tensão, quanto a quem o sucederá: Dom Aldo Pagotto, que dá início, desde sua chegada, a uma sucessão de medidas autoritárias que o que passa a ser a marca principal de seu governo. De perfil fortemente conservador e mesmo reacionário, chegava a escandalizar sobre tudo pela perseguição por ele movida contra tudo que dissesse respeito a temas tais como Teólogia da Libertação, Pobres, CEBs, CPT, CEBI, em breve, à Igreja na Base. Posição que perdura até à sua renúncia provocada pelo seu envolvimento em episódios ligados a várias denúncias de co-participação em casos de escândalos homossexuais. 

Importa assinalar que este grupo se compunha de pessoas, em sua maioria, atuantes em diferentes atividades sócio eclesiais. Tratava-se de um grupo do qual faziam parte pessoas que trabalhavam como professoras e professores universitários (alguns já aposentados), alguns pastores, alguns padres, leigas e leigos animadores de comunidades..., a exemplo de Giovanni Pizzetti e Pe. Josenildo Lima.

A roda de partilhas e de notícias sobre a conjuntura sócio-eclesial e sobre os trabalhos de cada participante eram sentidos como um denso momento de abastecimento interior e de animação à continuidade da luta., diante de desafios intermináveis. Foi, por exemplo, o que se deu com o anúncio do Projeto de Transposição de água do São Francisco para quatro Estados do Nordeste (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará). Em resistência a tal plano, tanto Pe. José Comblin como membros daquele grupo se engajaram em atividades de resistência, organizando, inclusive, manifestação em praça pública, em João Pessoa, com a presença também do próprio Pe. Comblin. Este passou a ser chamado para contribuir com sua  análise acerca do Projeto, em várias Estados do Nordeste. Numa dessas ocasiões, Comblin fazia questão de marcar bem sua posição, o que se pode perceber, inclusive, numa de suas mensagens, recebidas por um membro do Grupo:

Mais: com a decisão tomada pelo Bispo de Barra, Dom Luiz Flávio Cappio, da Diocese de Barra – BA, de marcar sua posição profética, fazendo duas greves de fome – a primeira, à margem do São Francisco, em Cabrobó – PE (por onde passaria a água desta Transposição), o que se deu no ano de 2005, e que durou onze dias; a segunda duraria o dobro, e foi realizada em Sobradinho _ BA, em 2007. Durante este testemunho profético, acompanhado de alguns membros do Grupo, Pe. José fez questão de testemunhar ao vivo sua solidariedade ao bispo em jejum de resistência, com ele mantendo conversas consistentes sobre aquela e outras questões e desafios sócio eclesiais. Foi de tal ordem a solidariedade prestada a Dom Luiz, que este não hesitou em fazer-lhe o pedido/convite para que Comblin se dispusesse a colaborar com o povo dos pobres da Diocese de Barra, para onde Comblin se mudaria. A missionária Mônica Muggler, também convidada pelo Bispo de Barra, também acatou o convite.

O Grupo Kairós seguia com suas reuniões mensais na casa do Pe. Comblin, até sua mudança para a Diocese de Barra. Pe. José muda-se para aquela diocese baiana, por volta de 2009. A partir de então, o Grupo passa a reunir-se semanalmente, na UFPB, numa sala de uma professora -a Profa. Aparecida, do Centro de Educação, que também passa a integrar o Grupo.

Após a mudança do Pe. José, o grupo Kairós passa a reunir-se semanalmente, numa sala da UFPB.

Mantendo uma frequência semanal de reuniões com cerca de uma dezena de integrantes, incluindo pessoas recém-chegadas, em especial com membros de outras denominações, fato que propiciou uma convivência ecumênica ainda maior. Uma das pessoas recém-chegadas ao Grupo foi o Pastor Luciano Batista de Souza, que se havia tornado amigo do Pe. José Comblin. Por iniciativa do Pastor Luciano, foram sendo convidadas outras pessoas evangélicas, tais como Joamingos, Daniel e outras. O grupo Kairós também passou a contar com outros novos membros, tais como: Angelina Oliveira, Aparecida Paes Barreto, Magdala Melo, Ricardo Brindeiro (“in memoriam”), Elias Cândido do Nascimento, João Batista Silva, Irm. Edleuza, Graça Xavier Batista, Efigênia Dias, Ellison Dias, além de presenças esporádicas de Pe. Antonio Paulo Cabral, Pe. Gedeón Oliveira, entre outros.  Nos anos mais recentes, temos contado, de modo mais frequente, com a participação dos seguinte membros: João da Cruz Fragoso, Elias Cândido do Nascimento, José Hailton Bezerra Lyra, Rolando Lazarte, Maria Ferreira Filha, Aparecida Paes Barreto, Ellison Dias, Gloria Carneiro, Ir. Maria Besen, Elenilson Delmiro dos Santos, Emanuel Soares, Assueros, Maria das Graças Nóbrega, Alder. 

Durante as reuniões, a principal atividade (não a única) era a de refletir e debater vários livros, notadamente diversos livros do Pe. José Comblin, tais como:
Tempo da Ação, A Palavra, Vocação para a Liberdade, O Caminho, A Vida em busca da Liberdade, entre outros.

Além dos livros do Pe. José, diversos outros teólogos e teólogas foram objeto de reflexão, no Grupo. Dentre eles/elas:
- Hugo Echegaray. A Prática de Jesus; (vozes, 1982)
- Leonardo Boff. Saber Cuidar;
- Hans Kûng. 
- De Ivone Gebara, vários textos.
- Jean-Yves Leloup e outros.
- Normose;
- Eduardo Hoornaert. Origens do Cristianismo; A Missão do Povo Cristão; Em busca de Jesus de Nazaré
- Luiz Carlos Araújo. A Heresia primordial;
- José Hailton Bezzeira Lyra; (Espiritualidade)
-Teresa Forcades. O Feminismo na história da Teologia;
-José Antonio Pagola. Jesus, aproximação história

Iniciativa e coparticipação na organização das Semanas Teológicas Pe. José Comblin;
- Participação na organização e vivência das Jornadas Comunitárias.

Vinculação do grupo Kairós ao IMWAC
(International Moviment We Are Church).

Tal participação se dá a partir de 2009, graças a duas circunstâncias especiais: o arcebispo Dom Aldo Pagotto, em seu estilo polêmico de protagonista de sucessivos conflitos, desde que assumiu suas funções na Arquidiocese da Paraíba, logo se indisporia com diversos padres, a alguns chegando a suspender de ordem. Foi o caso também do Pe. Luiz Couto, que exercia o cargo de Deputado Federal. Sua suspensão se dava por motivos de duvidosa justificativa: o arcebispo alegava que o Pe. Luiz, em um boletim da Câmara de Deputados, tinha feito publicar uma nota na qual expunha uma posição supostamente indevida em relação à homossexualidade e ao celibato sacerdotal. Em defesa do Pe. Luiz, foi organizada uma série de atividades e de protestos, inclusive em praça pública, uma delas em frente ao Palácio Do Bispo, manifestação com amplo apoio popular de alguns movimentos e pastorais sociais. Nesse ambiente de tensão, um grupo foi até à casa de Comblin, em busca de conselhos. Na ocasião, Comblin se referiu, de passagem, à atuação de leigos e leigas do Chile, ligados ao Movimento Somos Tambíén IGlesia. Daí nasce a inspiração de se organizar uma página na internet, um blog, como nome Kairós/Nós Também Somos Igreja. Pouco tempo depois, para surpresa nossa, eis que recebemos uma mensagem da parte de Pedro Freitas, desde Portugal. dizia haver tomado conhecimento do nosso grupo Kairós, e que ele fazia parte do Movimento International Movement We Are Church, como membro do grupo de Portugal, ao mesmo tempo incentivando-nos a nos filiar ao mesmo movimento. Para tanto, eniou-nos o link da página eletrônica, do IMWAC, bem como endereço de contato do coordenador do IMWAC. Fraternalmente acolhidos, solicitaram-nos enviar-lhes nomes de representantes do Kairós, para fins de correspondência rotineira. Foram-lhes apresentados, inicialmente, os nomes de Rolando Lazarte e Alder Calado, aos quais foram acrescentados os nomes de Joseph Brendan McDonald, Aparecida Paes Barreto e Magdala Melo.  



O Grupo Kairós-NÓS TAMBÉM SOMOS IGREJA é um coletivo formado por leigas, leigos, religiosas, religiosos e ministros ordenados da Igreja Católica Romana, com sensibilidade ecumênica, integrado por membros de outras Igrejas cristãs e outras pessoas interessadas, animados pelo propósito de responder, com humildade e solicitude, à vocação missionária do Seguimento de Jesus, a serviço do Reino de Deus. Formado há dez anos, vem se encontrando periodicamente, na casa do Pe. José Comblin, para compartilhar suas angústias, desafios, alegrias, lutas, esperanças e projetos, como cidadãos e como cristãos.
Além dos momentos de partilha, o Grupo também se encontra periodicamente, em momentos fortes de oração, de retiro, de celebrações e diferentes atividades de caráter formativo. Tem tido como referência animadora de sua caminhada de Fé a Teologia da Libertação, da qual também é expressão a Teologia da Enxada, na perspectiva de teólogos como o próprio José Comblin, e contando com a inspiração profética de figuras como Oscar Romero, Helder Câmara, Gustavo Gutierrez, Antônio Batista Fragoso, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, entre outras.
Pela sua reconhecida atuação profética, há mais de meio século, no Brasil e na América Latina, Pe. José Comblin tem sido, desde o início do nosso Grupo, uma inspiração abençoada e sempre presente. Graças à resistência do Pe. José, o Grupo passou um bom tempo sem se identificar com um nome específico. Pretendia carregar o nome de José Comblin, em reconhecimento e homenagem pela sua incansável ação missionária entre os pobres do Brasil e da América Latina, desde 1958.
Mais recentemente, sentindo-se cada vez mais afinado com o promissor empenho do Movimento internacional “Nós também somos Igreja” (também conhecido como “Wir sind Kirche”) (Áustria: http://www.wir-sind-kirche.at/; Alemanha: http://wir-sind-kirche.de/), “We are Church” (http://www.we-are-church.org/”), a partir do qual se obtém informações sobre o Movimento atuando atualmente em mais de vinte países: “Nous sommes Église”, “Somos Iglesia”, “Noi siamo Chiesa”, movimento esse que já conta com dez anos de caminhada, o nosso Grupo houve por bem ajudar a engrossar as fileiras desse movimento, cujos principais objetivos (que fazemos nossos) são, entre outros: – retomar o impulso evangélico em direção a uma Igreja servidora e pobre, comprometida com a causa libertadora dos empobrecidos; – reafirmar, como ponto de partida, o espírito do Concílio Vaticano II, de modo a despertar em nós a leitura atenta dos sinais dos tempos; – o exercício da colegialidade nas principais decisões eclesiais; – reconhecer e promover o justo lugar dos leigos – especialmente das mulheres – na Igreja, nas instâncias de decisão; – a livre opção pelo celibato, no exercício de todos os ministérios (ordenados ou não); – valorização e avaliação positiva da sexualidade e afetividade, como dimensões da pessoa; – recuperar a radicalidade e simplicidade da mensagem, palavra e vida de Jesus; – a valorização da justiça social e dos direitos humanos; – a disposição para o diálogo.
Tendo em vista que esse Movimento ainda se acha incipiente no Brasil e na América Latina (no Chile, encontramos sinais animadores), embora já tenha dez anos de caminhada, nós queremos, em fraterno e fecundo diálogo com seus membros e representantes, em escala internacional, contribuir nessa direção, buscando dele participar com nosso rosto latino-americano e brasileiro, enfatizando a dimensão conciliar de uma Igreja servidora e pobre, na perspectiva anunciada em Medellín e Puebla, para que “a esperança dos pobres viva”, ao mesmo tempo em que também nós nos comprometemos em contribuir para a realização de uma Assembléia Mundial do Povo de Deus prevista para 2015, meio século após o encerramento do Concílio Vaticano II.
Não é objetivo do nosso Grupo propor nem insinuar uma “igreja paralela”. Manifestamos, na confiança e na liberdade que o Espírito de Jesus nos inspira, nosso compromisso com a permanente renovação da Igreja, na perspectiva do Seguimento de Jesus. Da nossa Igreja queremos fazer parte ativa, inclusive nas instâncias de decisão, junto com os demais membros da mesma Igreja, estando abertos ao diálogo fraterno com outras Igrejas cristãs e ao diálogo interreligioso, sentindo-nos todos como membros do mesmo Povo de Deus (https://kairosnostambemsomosigreja.wordpress.com/2009/08/22/quem-somos-3/).

Queridos irmãos e irmãs do Conselho do IMWAC,


A poucas horas do início do Encontro do Conselho do IMWAC, em Dublin, nós, membros da secção brasileira do IMWAC, reunidos em nosso encontro semanal, não tendo podido contar, desta vez, com representantes neste Encontro de Dublin, dirigimo-nos a todos vocês participantes deste Encontro, , para

* saudar fraternalmente/sororalmente cada um, cada uma de vocês, desejando-lhes um abençoado Encontro;

* agradecer a todos vocês, em especial aos queridos membros do WAC - Irlanda, pelo reconhecido empenho nos preparativos, no envio de seus relatos nacionais, bem como na disposição de acolher a todos em Dublin;

* ressaltar fortemente e agradecer aos membros do IMWAC, notadamente a Didier, pela fecunda iniciativa de participação no recente e abençoado Encontro em Chiang Mai, junto com nossos queridos irmãos e irmãs de distintos países da Ásia, ao mesmo tempo em que expressamos nosso desejo de que iniciativas como esta sejam priorizadas e se ampliem cada vez mais, de modo a permitir um diálogo contínuo e orgânico com os irmãos e irmãs de outros continentes, do que depende nosso testemunho de fidelidade ao espírito do Evangelho e ao próprio caráter de catolicidade de nossa Igreja, o que poderia implicar numa consulta/convite aos irmãos e irmãs da Ásia, de participação mais efetiva no IMWAC;

* lamentar e expressar nossa profunda tristeza em relação ao episódio do (auto?)desligamento de nosso querido Rolando Lazarte, da lista de correspndência do Conselho do IMWAC, reconhecendo e agradecendo-lhe pela significativa contribuição por ele oferecida ao IMWAC, o que seguirá fazendo a Kairós/Nós Também Somos Igreja e a outros grupos;

* lamentar e manifestar nossa indignação com relação a práticas comunicativas demasiado rígidas demonstradas por alguns membros do IMWAC, por sua pouca sensibilidade no trato com o diferente, em especial em relação a temas ou pessoas "de longe", o que nos alerta contra um certo risco de eurocentrismo, conforme, aliás, já reconhecido, mais de uma vez, por alguns irmãos e irmãs europeus do próprio IMWAC;

* expressar a alguns e algumas de vocês nossa gratidão, por se haverem manifestado, em termos pessoais, sensíveis à posição de Rolando, tendo inclusive dele solicitado reconsideração quanto ao seu pedido de desligamento da lista do IMWAC, reconhecendo a importância de seus escritos e textos compartilhados, na lista do Conselho do IMWAC;

* agradecer pelo convte que nos é feito, de participar, via Skype, de uma vídeo-conexão, tendo inclusive Raquel se proposto a conduzir como intérprete esse momento. A este respeito, pouco antes do episódio de seu desligamento, ele já havia feito teste em sua casa, para nos receber, nessa ocasião, após o que não se sentiu mais à vontade de assim proceder. Por outro lado, João Fragoso, assíduo integrante do nosso Kairós (ele próptio irmão do conhecido Dom Fratoso, bispo de Cratéus, um dos signatários do famoso "Pacto das Catacumbas") também havia preparado o ambiente em sua casa, para nos receber, caso Rolando não pudesse, eis que há dois dias sofreu um sério problema de saúde (ele tem 80 anos), o que muito lamentamos, à medida que isto adia para outra ocasião nossa tão aguardada e preprarada vídeoconexão.

- agradecer a todos e, mais recentemente a Martha, pelo envio da Programão do Encontro, que vamos seguir, na medida do possível.

Que seja frutuoso o Encontro de Dublin, e que, solícitos, nós nos disponhamos a escutar o que o Espírito do Ressuscitado tem a nos dizer, a todos e a cada um, a cada uma.

Fraternalmente, sororalmente,

Kairós/Nós Também Somos Igreja
Secção Brasileira do IMWAC


INTERNATIONAL MOVEMENT WE ARE CHURCH(IMWAC)
KAIRÓS/ NÓS TAMBÉM SOMOS IGREJA (Brazilian Section of IMWAC)

ABOUT US AND OUR ACTIVITIES FOR A CHANGING WORLD (CHURCH AND SOCIETY)
SOBRE NÓS E NOSSAS ATIVIDADES EM UM MUNDO (IGREJA E SOCIEDADE) EM MUDANÇA

QUEM SOMOS
ABOUT US

            Kairós-Nós Também Somos Igreja, secção brasileira do IMWAC, constitui um bem diversificado Grupo de cristãos e cristãs,principalmente do Nordeste do Brasil, que se quer de caráter formativo, informativo, celebrativo e atuante. Com perspectiva ecumênica, há reuniões semanais e atividades regulares desenvolvidas por seus componentes, junto a diferentes movimentos e pastorais sociais, comunidades eclesiais e outras organizações de base de nossa sociedade.
            O Grupo foi iniciado em 1998, em torno de reuniões mensais na casa do teólogo Pe. José Comblin, a quem o grupo tem como principal referência em seu processo formativo sócio-eclesial. Devido ao interesse aí suscitado, e tendo em vista crescentes desafios atuais, o grupo decidiu, há vários anos, encontrar-se semanalmente, tendo como propósitos:
·        discernir, debater e ajudar a enfrentar os velhos e novos desafios, seja no âmbito macro-social, seja ao interno dos caminhos e descaminhos da Igreja Católica e de outras Igrejas Cristãs;
·        fortalecer e tornar mais afetivos e efetivos nossos laços organizativos, numa dimensão comunitária;
·        estudar e refletir sobre livros do teólogo José Comblin, em especial os dedicados à compreensão da missão do Espírito Santo no mundo, na perspectiva da Teologia da Libertação, da qual ele é uma das primeiras referências;
·        debater textos de outros teólogos e teólogas, tais como Hans Küng, Carlos Mesters, Ivone Gebara, Jon Sobrino, Leonardo Boff, Eduardo Hoornaert, Jean-Yves Leloup, Hugo Echegaray, etc.;
·        intercambiar e refletir sobre relatos de nossas experiências de cidadãos e de cristãos junto às pessoas e às comunidades de distintos espaços de que participamos;
·        fazer memória dos acontecimentos, numa perspectiva de mútua ajuda;
·        fazer intercâmbio com pessoas e grupos de outros lugares, regiões e países, notadamente com os grupos de cristãs e cristãos empenhados na luta por mudanças libertárias na sociedade e nas igrejas;
·        organizar periodicamente seminários, colóquios, fóruns de diálogo com outros sujeitos históricos.

SOBRE NOSSAS ATIVIDADES EM BUSCA DE UMA SOCIEDADE E DE UMA IGREJA EM MUDANÇA

I. O que entendemos por uma Igreja em mudança?

            Como filhos e filhas de Abraão, e sobretudo como discípulos e discípulas de Jesus, aprendemos que o Povo de Deus sempre foi e segue sendo um povo de caminheiros, de migrantes, de gente sempre a caminho, peregrinos em busca de um continuo processo de conversão: conversão da morte em vida, das trevas para a luz, da escravidão para a liberdade. Daí soar-nos familiar o que aprendemos da tradição: “Ecclesia semper reformanda”. Não apenas a comunidade eclesial, mas cada uma, cada um de nós é chamado a uma contínua e profunda renovação, não uma reforma superficial.
            Resta a saber: mudar, em que sentido, em que direção? Não se trata de mera adaptação aos valores hegemônicos de nossa época, de modo a tornar-nos agradáveis aos tempos de hoje. Não seria isto, por certo, ser homens e mulheres do nosso tempo! Trata-se, sim, de um incessante esforço de mudança, na perspectiva do Evangelho, no espírito do seguimento de Jesus, cujo apelo implica efetiva solidariedade e compromisso com a causa de libertação dos pobres, marginalizados e esquecidos, de uma clara opção por um estilo sóbrio de vida, fora dos altos padrões de consumo, e de modo a testemunhar amorosidade em relação à natureza, aos humanos e a toda a comunidade de viventes, em especial os mais desprezados: as crianças, as mulheres, os jovens, os povos indígenas, os povos afrodescendentes, os camponeses...
            A Igreja em mudança pela qual nos comprometemos, é a que se põe a serviço da causa libertadora dos pobres e pela dignidade da Mãe-Natureza. Isto requer profundas mudanças do atual paradigma eclesiológico, seja do ponto de vista de suas estruturas, seja sob a ótica de sua organização e de gestão, seja no que se refere ao estilo de vida de seus membros.
Não faz sentido, por exemplo, do ponto de vista evangélico, mantermos o atual modelo piramidal de Igreja, que mais se parece com uma estrutura imperial condenada por Jesus, em Mc 10, 42-45: “Entre vós, não será assim”. Precisamos inspirar-nos na forma de organização das primeiras comunidades cristãs, de feição horizontal, fraterna, solidária, protagonizada pelo povo dos pobres, atuando na liberdade e na autonomia das pequenas comunidades, orgânica e fraternalmente ligadas, por meio de periódicas assembléias, numa dimensão de serviço e não de poder de um sobre os demais.
Na tradição evangélica, em que buscamos inspirar-nos, não faz igualmente sentido uma Igreja organizada à feição de um Estado autoritário, com seus eficientes aparelhos de controle e repressão, hostis ao espírito de colegialidade. Queremos uma Igreja Povo de Deus, conforme o espírito do Concílio Vaticano II, uma Igreja formada por irmãos e irmãs portadores da liberdade do Espírito e dotados da mesma condição de igualdade para todos, para todas, conferida pelo Batismo e pelo discipulado de Jesus, que tendo vindo “para servir, não para ser servido”, também nos propõe, a nós membros de sua Igreja, a fazer o mesmo.

II O que vimos fazendo

            Temos desenvolvido uma agenda bastante diversificada, conforme, aliás, o não menos diversificado perfil do nosso Grupo, do qual fazem parte homens e mulheres, católicos em sua maioria, mas também pessoas de outras igrejas cristãs.
Nosso grupo é ecumênico e eclético. Dele fazem parte pessoas nascidas no Brasil e fora do Brasil; é formado por pessoas de diferentes etnias, gênero e faixas de idade, de distintos níveis de escolaridade e integrantes de diferentes movimentos e pastorais sociais e outras organizações de nossa sociedade.
            A partir desse perfil, podemos distribuir em três itens as atividades que temos desenvolvido: 1) as atividades rotineiras e de caráter intragrupal; 2) iniciativas de diálogo com outros grupos eclesiais e de outras igrejas; 3) atividades junto a movimentos sociais, a pastorais sociais e a outras organizações de base de nossa sociedade.

1) Atividades internas do nosso Grupo – Aqui assinalamos as principais atividades que realizamos em nossos encontros semanais, já há vários anos:
·        informações compartilhadas de intervenções dos membros do Grupo em diferentes atividades junto a movimentos sociais e organizações de base;
·        reflexão sistemática e compartilhada de obras de teólogos e teólogas da Libertação;
·        partilha de situações de vida por parte dos componentes do Grupo;
·        frequentes debates sobre elementos da conjuntura sócio-eclesial (internacional, nacional e local);
·        confraternização e celebrações especiais em algumas datas emblemáticas.

2) Iniciativas de diálogo com outros grupos – Além de nossas atividades rotineiras, também promovemos ocasiões de debate e de diálogo com outros grupos sócio-eclesiais, tais como:
·        seminários de Teologia;
·        sessões de memória de figuras emblemáticas (Dom Oscar Romero; Dom Helder Câmara; Pe. José Comblin);
·        encontros de intercâmbio com outros grupos eclesiais (grupos de Ação Católica, Pastoral de Juventude do Meio Popular, Movimento dos Trabalhadores Cristãos, entre outros).

3) Atividades em diferentes movimentos sociais, pastorais sociais e organizações de base – Parte expressiva do Grupo mantém atividades regulares junto a diferentes sujeitos sociais, tais como:
·        Movimentos Sociais (Movimento das Comunidades Populares – MCP, inclusive com participação em seu Jornal das Comunidades Populares; Assembléia Popular, Sindicato dos Trabalhadores em Extensão Rural, Movimento dos Trabalhadores Cristãos – MTC);
·        Pastorais Sociais e movimentos eclesiais (Comissão de Pastoral da Terra, Pastoral da Juventude do Meio Popular, Pastoral Operária, entre outras).
·        Organizações de base (Associação Brasileira de Terapia Comunitária – ABRATECOM, Grupo de Assistência de Familiares e Amigos de Alcoólicos – ALANON, Cooperativismo inspirado na economia solidária, grupo de pesquisa sobre a América Latina contemporânea), educação popular.

III O que propomos aos demais participantes desse Encontro

            Dentre as principais inquietações e propostas aos demais membros do IMWAC, destacamos:
·        articular mais expressamente, e de maneira regular, nossas análises críticas concernentes à Igreja, de forma historicamente contextualizada, de modo a refletir também as injunções históricas e macro-sociais;
·        exercitar, com incessante autovigilância, o espírito de colegialidade, ampliando a participação de mais pessoas do IMWAC, nos processos decisórios;
·        priorizar nosso olhar analítico (seja em relação à Igreja ou à sociedade) a partir dos excluídos de nossas sociedades (as mulheres, os pobres, os negros, os migrantes, os trabalhadores rurais e urbanos, etc.);
·        ampliar, de modo mais efetivo, nossa ação, investindo mais e melhor no intercâmbio com irmãos e irmãs de outros continentes;
·        priorizar as relações concretas e horizontais, para bem além dos contatos virtuais;
·        atualizar as contribuições da Teologia da Libertação, e suas aplicações no empoderamento de pessoas e comunidades, ecofeminismo, ecologia, relações inter-étnicas, etc.
·        prevenir toda forma de violência pública ou privada, de várias maneiras, dentre elas: a criação de vínculos comunitários e o fortalecimento da auto-estima.
·        defesa irrestrita dos Direitos Humanos.
·         valorizar o diálogo inter-religioso e a prática de uma espiritualidade integrativa e includente, sem fronteiras ideológicas, institucionais ou doutrinárias.
·         valorizar a afetividade e a sexualidade, como dons de Deus, e como formas de felicidade e de comunhão;
·         tornar mais efetivo o uso das línguas (Espanhol e Francês) no IMWAC, incluindo o Português;
·         ampliar o direito de voto para além dos representantes oficiais, ou seja, a todos os membros do IMWAC participantes nas assembléias decisórias;




Outubro de 2012

Kairós-Nós Também Somos Igreja (KNTSI)
João Pessoa, Paraíba, Brasil



MEMÓRIA DAS SEMANAS TEOLÓGICAS PE. JOSÉ COMBLIN 


As Semanas Teológicas Pe. José Comblin emergem da disposição de um grupo de pessoas – entre padres, religiosas, leigos e leigas – que, preocupado em fazer memória do Padre e Teólogo José Comblin, tem o firme proposito de manter acesa a chama de sua espiritualidade; Comblin, como outros profetas latino-americanos ligados à Teologia da Libertação e sob o signo do Concílio Vaticano II, viveu fortemente o Evangelho de Jesus, perseguindo a causa libertária dos pobres rumo a construção do Reino de Deus.

A Primeira versão da Semana Teológica Pe. José Comblin, sob o título “Pe. José Comblin – memória, legado e vigência”, aconteceu em Outubro de 2011, o mesmo ano de sua morte (27 de Março de 2011), e, mais especificamente, procurou fazer essa memória.

A II Semana Teológica Pe. José Comblin, sob o título ”O legado da Teologia da Libertação e a contribuição de José Comblin”, ocorreu em Setembro de 2012. O reconhecido legado de Comblin incorporou-se à homenagem ao Concílio Vaticano II - os 50 anos Pós-Concílio e os desafios para o Cristianismo na América Latina e no Nordeste brasileiro - e à homenagem aos 40 anos da Teologia da Libertação. Ressaltando a Teologia da Enxada como memória das experiências da Igreja na Base no Nordeste, a II STPJC buscou dar visibilidade à Teologia Testemunhal no Nordeste a partir dos Jovens Teólogos e Teólogas da nossa região (os novos desafios e novos sujeitos).

A III Semana Teológica Pe. José Comblin, intitulada “O Espirito Santo e a Missão: o protagonismo das Juventudes”, aconteceu em outubro de 2013. O tema geral foi fruto da fecunda experiência de algumas Jornadas Comunitárias do campo e da cidade e inspirado no livro póstumo de Comblin “O Espírito Santo e a Tradição de Jesus”. Trabalhando com focos distintos, a III Semana prestigiou o ecumenismo, o protagonismo das mulheres nas igrejas cristãs, o compromisso socioambiental, as juventudes, na perspectiva das ações e da formação.

A IV Semana Teológica Pe. José Comblin ocorreu em 2014 e se diversificou em duas modalidades: uma, em parceria com a UNICAP (Universidade Católica, Recife, PE), compreendeu a “Semana de Estudos Pe. José Comblin”, com debates profícuos sobre o legado de Comblin; a outra na Paraíba, desenvolveu o tema “Por uma Igreja Renovada, Povo de Deus, na Alegria do Evangelho e na Tradição de Jesus: Um diálogo implícito entre Papa Francisco e José Comblin”. Naquele ano, além da convencional Plenária com a Exposição dialogante sob o tema central, se fortaleceu e se ampliou a experiência das Jornadas Comunitárias na cidade e no campo. No âmbito das Jornadas Comunitárias foram trabalhados trechos da exortação apostólica - A Alegria do Evangelho -, do Papa Francisco, especialmente quanto aos tópicos relativos ao Povo de Deus como centralidade da organização eclesial, fazendo uma interface com o legado combliniano.

A V Semana Teológica Pe. José Comblin, em 2015, tratou do tema “Por uma Igreja a serviço do Planeta e da Humanidade: a contribuição do Papa Francisco e do Pe. José Comblin”. Aqui foram ressaltados as questões socioambientais planetárias, centrando essencialmente os problemas que nos afligem mais de perto, em nossas vivências cotidianas. Nos fundamentos estiveram a Encíclica Laudato Sì e textos selecionados nas obras de Comblin. Ressalta-se que, no percurso de nossas atividades, fomos surpreendidos pela perda repentina do Pe. Josenildo, sempre presente e grande colaborador (como tantos outros) das diversas versões das Semanas Teológicas.

A VI Semana Teológica Pe. José Comblin, em 2016. A partir do grave e complexo problema mundial das migrações, voluntárias e forçadas, esta Semana aprofundou a dinâmica da fé cristã do "Povo de Deus desinstalado por um mundo sem fronteiras" e lembrou as "Afinidades entre as posições do Papa Francisco e do Pe. José Comblin sobre a condição de migrantes e refugiados". Toda a vida cristã, em particular a vida militante e religiosa/consagrada, é vida missionária, portanto desinstalada, atuando nas "periferias existenciais", junto aos empobrecidos e às comunidades que lutam por liberdade e autonomia, longe dos centros e das atrativas do ´poder´.

A VIIa SEMANA TEOLÓGICA PE. JOSÉ COMBLIN, em 2017, abordou um tema fundamental na Tradição Cristã, na vida das Igrejas e também na Sociedade em geral: “Instituição e Carisma, à luz da Tradição de Jesus”. A relação entre os dois polos - carisma e instituição – não sempre tem sido tranquila, inclusive se deu, e continua se dando, no meio de muitos problemas e tensões. Foram realizadas quatro Jornadas Comunitárias em grupos e comunidades da periferia e do campo; na Sessão de Encerramento houve a escuta da reflexão destes grupos e, em seguida, uma ampla e profunda reflexão bíblico e teológica.

A VIIIª Semana teológica Pe. José Comblin teve sua conclusão no dia 15 de Setembro, no Mosteiro São Bento, em João Pessoa. O tema foi: “Medellín 50 anos, vocação e missão das leigas e dos leigos à luz da tradição de Jesus”. Os participantes escutaram o relato/síntese da reflexão de quatro grupos de base e comunidades sobre o tema. Em seguida apreciaram com atenção a colocação de Alzirinha Rocha de Souza, doutora em teologia e responsável do Centro de Pesquisa e Documentação José Comblin (da Universidade Católica de Recife) sobre “Medellín, memória e atualidade para a América Latina e para o mundo”. Vanderlan Paulo, doutor em história e educação popular, falou sobre o impacto de Medellín na Igreja da Paraíba e na prática pastoral de Dom José Maria Pires.


NAS TRILHAS DE PUEBLA, POR UMA IGREJA EM SAÍDA: aportes da IX Semana Teológica Pe. José Comblin 

NAS TRILHAS DE PUEBLA, POR UMA IGREJA EM SAÍDA: aportes da IX Semana Teológica Pe. José Comblin 


Culminando a nona edição da semana teológica Padre José Comblin  (IX STPJC), realizou-se, sábado, dia 5 do corrente, a sessão de encerramento da referida semana que, porém, se estende por alguns meses. A sessão de encerramento aconteceu, em João Pessoa, no Centro Pastoral do São Bento, com a participação de representantes, delegados e delegadas eleitos nas respectivas jornadas comunitárias, além de vários outros grupos eclesiais, tais como do Movimento Fé e Política, do Grupo de Espiritualidade Dom Hélder Câmara, da CPT, da Coordenação do Setor Social da Arquidiocese da Paraíba, de Religiosas inseridas no meio popular, e de outros grupos, amigos e amigas do Pe. José Comblin, vindos da Paraíba, de Pernambuco, do Ceará e de São Paulo. 

As linhas que seguem têm o propósito de destacar pontos relevantes da experiência vivenciada, nos últimos meses, e, em especial, na Sessão de Encerramento da IX STPJC. Em primeiro lugar, compartilhamos o que entendemos como sendo os pontos mais relevantes experienciados nas Jornadas Comunitárias; em seguida, restringimo-nos a sublinhar pontos-chave recolhidos, durante a Sessão de Encerramento. 

Das cinco jornadas planejadas, foram realizadas quatro: a da UFPB (animada pelo grupo Kairós), a de Santa Rita (animada pelo grupo Grupo de Espiritualidade Dom Hélder Câmara), a de Café do Vento (animada pelas várias comunidades daquela redondeza, tendo como referência o centro de formação Pe José Comblin) e a dos Bancários (animada pelos membros da Comunidade Paroquial Menino Jesus de Praga) , todas focando o tema central da IX STPJC. “Nas trilhas de Puebla por uma Igreja em saída, com Jesus, Francisco e José” (e tantas Marias e Margaridas!).

Cada uma das Jornadas, tendo em comum a temática proposta, contou com o protagonismo de seus organizadores e organizadoras, inclusive no que diz respeito à metodologia utilizada. A cada uma coube a escolha de um dos três textos propostos, como reflexão sobre o tema: o primeiro texto correspondia a algumas páginas do Documento final de Puebla; um segundo, de autoria do Pe. José Comblin, cuidava de fazer uma análise crítica desta III Conferência Episcopal Latino Americana; o terceiro texto proposto apresentava trechos da Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”, da lavra do Papa Francisco. Houve, também, quem preferisse centrar atenção especial no documentário “Pacto das Catacumbas”.

Das leituras e, sobretudo das reflexões, então compartilhadas, podemos ressaltar os seguintes pontos:


Puebla confirmou o compromisso assumido em Medellín, no que diz respeito à opção pelos pobres, inclusive especificando os diversos rostos de pobres (crianças, jovens, pessoas idosas, povos indígenas, camponeses, operários, desempregados...);


Apesar dos ganhos, a Igreja na Base passou a enfrentar crescentes estratégias de perseguição das CEBs, das pastorais sociais, da Teologia da Libertação, num quadro de desmonte promovido durante os pontificados de João Paulo II e Bento XVI;


Contundentes testemunhos e depoimentos da parte de leigas e leigos foram escutados, nestas jornadas, contra a tendência de clericalismo em voga, bem como forte crítica ao tipo de Formação ministrada nos seminários;


Ao mesmo tempo, veio à tona a reflexão crítica sobre o modelo de paroquialização das CEBs, tornando-as mais reféns do modelo Paroquial, tolhendo-lhes a força profética dos membros, com ampla tendência à resignação apenas a atos devocionais e ao culto, em detrimento de sua missão junto aos mais necessitados, que vivem afastados da paróquia;


Em que pese a densa contribuição de Puebla, importa reconhecer o relativo silêncio referente às mulheres, além da ausência compreensível de temas hoje candentes, tais como os desafios socioambientais, dos migrantes, o da comunidade LGBTIQ, das redes sociais…


A culminância desta 9ª Edição da Semana Teológica Padre José Comblin se deu na sessão de encerramento, realizada no dia 5 de outubro, desde a oração inicial, conduzida pelo Padre Hermínio Canova, focada no tema central da 9ª STPJC, passando pela calorosa acolhida aos participantes da sessão, bem como as pessoas palestrantes convidadas. Foi feita breve memória das semanas precedentes, bem como dos principais temas já trabalhados, dentre os quais juventude, missão, formação, migrantes, entre outros. Em seguida, foram convidadas as pessoas responsáveis por oferecer uma síntese do que se havia trabalhado nas diversas jornadas comunitárias: Aparecida (pelo grupo Kairós, na jornada realizada na UFPB, no dia 11.08), Flávio (pelo grupo de espiritualidade Dom Helder Câmara, em Santa Rita, no dia 08.09), João Batista (pelas comunidades participantes em Café do Vento, no dia 15.09) e Josinaldo (pelo setor social, em Bancários, dia 18.09). A partir de então, são convidadas as pessoas que que vão contribuir com o debate: o teólogo cearense Padre Francisco de Aquino Junior, a professora Elinaide de Carvalho e a professora Ivoneide. Da reflexão oferecida pelo Padre Junior., podemos destacar os seguintes pontos:

atravessamos um contexto histórico caracterizado por uma noite escura, que tratamos de enfrentar confiantes na Esperança do Amanhecer;


o acontecimento puebla e, antes dele, o de Medellín, constituem momentos privilegiados na história recente de nossa igreja. Em Medellín e em Puebla, com efeito, encontrou-se o campo missionário apropriado para afirmação da identidade de uma igreja latino-americana, chamada a recepcionar o Concílio Vaticano segundo, ao seu modo, com denso protagonismo;


Tanto Medellín quanto Puebla, também inspiradas no pacto das catacumbas, passaram a levar a sério dois clamores chave do Concílio Vaticano segundo: o da centralidade do Povo de Deus na organização eclesial e a opção pelos pobres;


Tal protagonismo tornou-se forte, por conta das leigas e dos Lagos que, pouco a pouco, foram tomando consciência de sua condição de sujeitos missionários, com vocação própria, marcada pela igualdade comum conferida pelo batismo, que nos chama ao exercício da profecia, do sacerdócio e da cidadania.


Neste sentido, Vale destacar a importância do significado trabalhado pelo Concílio Vaticano segundo do conceito de Reino de Deus, entendido como Horizonte maior de nossa fé, do qual a igreja é chamada a ser um instrumento a serviço de sua realização;


Cumpre ainda destacar a importância da colegialidade, bem como da vocação específica das leigas e dos leigos, como partícipes na construção do Reino de Deus e sua justiça, por meio de sua ação cidadã, tanto ao interno da igreja, quanto no meio da sociedade, buscando trabalhar as realidades terrestres, com sua autonomia reconhecida nos documentos conciliares.


Parte significativa das ações tomadas pelo Papa Francisco, ainda que recebidas por não poucos como inovações discutíveis, constitui uma retomada do espírito do Concílio Vaticano II, cujas resoluções  centrais sofreram longa interrupção, durante os pontificados precedentes. O cerne das decisões recentemente tomadas pelo Bispo de Roma, tem a ver com a aplicação pastoral das deliberações do Vaticano II, fazendo centrar no Povo de Deus e não na hierarquia, a responsabilidade da vida eclesial trazendo os Leigos e Leigas como corresponsáveis pela organização e pela missão da Igreja no mundo.


Tanto a  opção pelos pobres quanto as constantes críticas feitas pelo Papa Francisco ao clericalismo vão por exemplo nesta direção de retomar o espírito do Vaticano II e das principais Conferências Episcopais Latino Americanas (Medellín, Puebla e Aparecida).


Quanto à contribuição oferecida pela Professora Elinaide Carvalho, enfatizou também lacunas ou ausências sentidas no Documento de Puebla, expressão de uma posição que segue hegemônica, na Igreja Católica Romana. Reconhecendo o espírito e a posição de renovação que o Papa Francisco vem mostrando, pelo relevante segmento eclesial das Mulheres, tem se pronunciado criticamente em relação ao lugar que as Mulheres seguem ocupando na Igreja mesmo no governo do Papa Francisco. As iniciativas, neste sentido, vem sendo aquém do que esperam e reivindicam as Mulheres, a exemplo do movimento "Católicas pelo direito de decidir".


Por sua vez, a Professora Ivoneide centrou sua reflexão, destacando a perspectiva da juventude, em Puebla. No segmento protagonizado pelos jovens, tem-se observado um relativo hiato entre o que se faz nas paróquias e o que desejam os jovens. Eles querem ter mais voz e vez, ter participação nas decisões enquanto a onda clericalista segue colocando o padre no centro da vida paroquial, de modo a inviabilizar a ação missionária nas periferias bem como o protagonismo dos jovens.


A despeito dos obstáculos para uma melhor viabilização da proposta do Papa Francisco, na perspectiva de uma 'Igreja em saída", importa ter presentes suas iniciativas proféticas, de largo alcance renovador, dentro e fora dos espaços eclesiais merecendo destaque entre elas: sua ação profética não se restringe aos espaços eclesiais, mas estende-se pelos quatro cantos do mundo por onde tem peregrinado, como o tem feito por meio de suas 31 viagens apostólicas, em seis anos. Sua enorme sensibilidade à causa socioambiental bem expressa em sua Exortação Apostólica "Laudato Sìi".

Sua incansável confiança no protagonismo dos pobres, testemunhado, por exemplo em sua iniciativa de promover encontros mundiais de representantes dos movimentos populares dos vários continentes. 

A organização de um Sínodo Especial sobre os desafios da região panamazonica, a testemunhar seu empenho pastoral em defesa e promoção da causa socioambiental ("nossa casa comum"). 
Por iniciativa sua, já estão agendadas para os primeiro semestre de 2020, em Roma, encontros com economistas comprometidos com uma proposta alternativa de economia, e um outro encontro com Educadores e Educadoras, chamados a refletirem sobre a importância de uma formação de uma educação mais eficaz, quanto aos compromissos evangélicos pela justiça e pela paz.

Importa assinalar a recepção positiva da sugestão apresentada por Elinaide, Jéssica e outras participantes (e por todos acolhida) de se dedicar à próxima X STPJC a temática das mulheres e seu lugar na Igreja.

Em síntese, as STPJC têm sido, e hão de continuar sendo, ocasiões especiais de partilha e de renovação de compromissos com a causa do Reino de Deus e sua justiça.
Correndo risco de omissão de alguns nomes, ousamos externar nossos agradecimentos a quantos e quantas vêm colaborando, direta ou indiretamente, na realização dessas Semanas e respectivas jornadas comunitárias. Um reconhecimento especial aos convidados para distintas mesas de diálogo, desde a Primeira Semana, dentre os quais: Eduardo Hoonaert, Mônica Maria Muggler, João Batista Magalhães, Agenor Brighenti, Carlos Susin, Josenildo Francisco Lima (”in memoriam”), Pastor Luciano Batista de Sousa, Vanderlan Paulo Oliveira, Irmã Elisângela Belo, , Hermínio Canova, Artur Peregrino, Jeane Tranquilino, Gilbrás, Sebastião Armando Gameleira, Francisco Aquino Júnior, Elinaide Carvalho, dentre outras pessoas.
Antes de enunciar alguns desafios ora enfrentados pelo Grupo Kairós, fazemos questão de destacar a linha de continuidade e os vínculos fraternos que nos unem a toda a vasta família combliniana, no âmbito da caminhada da Teologia da Enxada: desde o Seminário Rural, passando pelo Centro de Formação Missionária (Serra Redonda), pelo Centro de Formação de Missionárias Populares, pela Associação de Missionários e Missionárias do Campo, pela Associação de Missionários e Missionárias do Nordeste, pela Fraternidade do Discípulo Amado, pela Associação Árvore, pelo Grupo de Peregrinos e Peregrinas do Nordeste, pelas Escolas de Formação Missionária, pelo Grupo José Comblin (Café do Vento), Centro de Pesquisa e Documentação José Comblin (UNICAP - PE).
Desafios atuais do grupo IMWAC: A despeito de uma caminhada frutuosa, percebe-se a presença de reiteradas dificuldades, na caminhada do Kairós. Em parte, têm a ver com os embaraços comuns de qualquer grupo ou organização. Por outro lado, importa ter presentes também dificuldades internas que desafiam a continuidade do Grupo. Destaquemos algumas:
- nesses 21 anos, é notável o rodízio de membros, além de visitantes eventuais, sem que se tenha mantido um núcleo perseverante composto sobretudo de pessoas enfrentando limites (na saúde, na idade...);
- há uma notável circulação de pessoas pelo grupo, sem que isto signifique um compromisso estável;
- por conta destas e de outras limitações, percebe-se um ímpeto menor de pessoas a assumirem tarefas coletivas regulares, o que representa alguma sobrecarga para poucos membros, na contribuição efetiva de tarefas tais como: participação regular junto com outros grupos, na organização e participação das atividades relativas à organização da semana teológica Pe. José Comblin e das respectivas Jornadas Comunitárias;
- se, de um lado, se tem mostrado positiva e vigorosa a participação dos membros do grupo Kairós nas reuniões semanais com muito afinco e envolvimento; por outro lado, em diversas tarefas ligadas a outros espaços, a frequência se limita a pouca gente;
- sobretudo durante as últimas décadas, vale destacar um exitoso esforço de conexão do Kairós com outros grupos e organizações, tais como: o IMWAC (inclusive, com participação de delegação nossa), contatos significativos com os membros da comunidade de Petrópolis (Wanderley, Ana, Leopoldo, Thomaz e outros), trabalho conjunto em atividades com o grupo José Comblin (comunidades de Café do Vento, com Pe. Hermínio Canova, João Batista, Jéssica, Jardene e outras) com a equipe de coordenação da escola de formação missionária de Mogeiro, participação em atividade organizadas pelo centro de pesquisa e documentação José Comblin, com o setor social da Arquidiocese entre outras. 

João pessoa, 31 de outubro de 2019.