terça-feira, 13 de outubro de 2026

Acorda Brasil! Ainda é tempo! (VI)

Acorda Brasil! Ainda é tempo! (VI)


Alder Júlio Ferreira Calado 


Para além do processo eleitoral ainda em disputa, resulta fortemente esperançadora a retomada das mobilizações massivas em escala nacional protagonizadas principalmente pelos jovens militantes - mulheres e homens. Nestes últimos dias, com efeito, a despeito da vergonhosa omissão da mídia hegemônica, em cobrir as grandes manifestações, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em diversos outros estados de outras regiões brasileiras pudemos constatar uma enorme manifestação popular, em vista de reverter o resultado ameaçador do primeiro turno das eleições. Angustiava-nos profundamente a passividade, com algumas exceções de nossa população, constituída, em sua enorme maioria dos segmentos mais empobrecidos, diante das ameaças deletérias do retorno do Bolsonarismo, com todo o seu histórico de devastações cometidas contra a população brasileira, em sua enorme maioria.


Não obstante o curto espaço de tempo - 12 dias! - para a realização do 2º turno eleitoral, com essas mobilizações, com o maior engajamento de nossa militância, nas redes digitais e com nossa luta continuada pelo fim da escala 6 por 1 além do nosso compromisso de sensibilizar parte expressiva das eleitoras e eleitores, para que vote no segundo turno, aumenta nossa esperança em evitar a tragédia bolsonarista. Mãos à obra! Nesta mesma esteira, também vale a pena seguir exercitando a memória histórica, especialmente acerca das multiformes manifestações de resistência popular à Ditadura empresarial-militar, que felicitaram por tenebrosos 21 anos o Povo brasileiro.  


É-nos reconfortante, a este propósito rememorar, ainda que de passagem, a enorme força de resistência cumprida pelas várias manifestações artísticas, a exemplo da música, do teatro, das “charges”, que conseguiam vencer a cerrada vigilância da censura do regime. A título de ilustração, lembramos a importância subversiva do teatro do oprimido bem como de tantas outras peças teatrais contra o regime. Por sua vez, a música popular brasileira MPB, inclusive por meios de seus festivais, representou uma relevante coluna de resistência, haja vista músicas tais como: “Para não dizer que não falei de flores” (música composta por Geraldo Vandré, música mais conhecida como “Vêm, vamos embora”), “Cálice", "Meu caro amigo" e "Apesar de você”, de autoria de Chico Buarque, só para mencionar alguns exemplos. No campo da poesia, também encontramos um terreno fértil de resistência, graças à genialidade de nossos poetas - homens e mulheres.


Alimentados pela memória histórica dos oprimidos, mantenhamos firmes e fortalecidos nossos compromissos de evitar o retorno - menos ainda pelo voto - àquele regime tirânico. Como temos feito, em textos anteriores, voltamos a reproduzir a profética carta - mensagem de Dom Frei Luiz Cappio, Bispo emérito de Barra - BA.


João Pessoa, 13 de Outubro de 2026.


Rei-leiamos a íntegra da carta-mensagem de Dom Cappio.


“Não estou lhe pedindo amor por Lula; estou lhe pedindo horror à barbárie. Estou lhe pedindo que se lembre do que fizeram com o Brasil quando tiveram o poder nas mãos: transformaram mentira em método, ódio em linguagem, ignorância em programa de governo, grosseria em identidade moral. Atacaram urnas, atacaram tribunais, atacaram jornalistas, atacaram professores, atacaram a ciência, atacaram a ideia mesma de verdade. Fizeram da política um curral de fanatismo, da pátria um disfarce, da bandeira um pano para encobrir golpismo, misoginia, racismo, homofobia, devastação ambiental, desmonte da saúde, desprezo pela educação pública, crueldade contra os pobres e servilismo diante dos poderosos. Humilharam mulheres, insultaram negros, transformaram gays em alvo, trataram indígenas como obstáculos, a floresta como saque, a morte como detalhe. E quando o país sofreu, quando faltou ar, cuidado, vacina, decência, luto, eles não ofereceram grandeza, mas deboche; não ofereceram liderança, mas delírio; não ofereceram ordem, mas caos. Eu não lhe peço entusiasmo, peço limite. Você pode não gostar de Lula, pode criticá-lo, achá-lo aquém, votar com a mão sem alegria. Mas há horas em que a urna não nos pergunta quem nos encanta, mas apenas se ainda sabemos distinguir civilização da barbárie. Esta é uma dessas horas. Vote contra o golpismo, contra a seita da violência, contra os que corroem instituições, envenenam a convivência e flertam com a treva com quem flerte com um brinquedo. Um país sobrevive a governos ruins, mas as vezes não sobrevive ao prazer político de destruir tudo. Não estou lhe pedindo paixão, estou lhe implorando lucidez" (Dr. Júlio Benchimol Pinto, advogado, PHD pela Universidade de Brasília, com pós-doutorado nas Universidades de Oxford, na Inglaterra, e Duke, nos Estados Unidos)”. 

Lula nós conhecemos sua trajetória tanto social quanto política. Hoje um dos candidatos ao "Prêmio Nobel da Paz". O outro não o conhecemos”.

Que Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil e do povo brasileiro, nos conceda inteligência, prudência e sabedoria no momento de votar.

PAZ E BEM!



   


  

Nenhum comentário:

Postar um comentário