segunda-feira, 5 de março de 2018

TRAÇOS DA MÃE ÁFRICA: em busca de nossas raízes (XV)



TRAÇOS DA MÃE ÁFRICA:
em busca de nossas raízes (XV)

Alder Júlio Ferreira Calado

África e Ocidente: relações mal resolvidas. Ontem como hoje, os povos africanos têm levado a pior no relacionamento com os Ocidentais (europeus e norte-americanos). O processo de colonização, ainda que posterior ao que se produziu na América Latina e formalmente superado, não tem cessado de semear a cizânia entre os povos. E cizânia da pior qualidade. Os povos africanos continuam a ser terrivelmente vitimados pela exacerbada sede de enriquecimento das multinacionais e das superpotências do Ocidente.
Um rápido passeio por diferentes jornais africanos e outras fontes é suficiente para se ter uma idéia da persistência, sob velhas ou novas roupagens “democráticas”, dos mecanismos de pilhagem que infelicitam vários países africanos, principalmente aqueles dotados de recursos naturais mais cobiçados, como o petróleo, o diamante e outros.
            Numa conjuntura em que os grandes conglomerados transnacionais e as grandes potências se vêem ameaçados pela crescente insegurança nas regiões petrolíferas sob seu tradicional controle, em conseqüência do levante das populações invadidas, eis que agora tratam de reforçar o cerco às regiões africanas de maior potencial econômico.
            Se se toma, por exemplo, o caso da França, que inclusive a manu militari mantém sólidos interesses de exploração de vários países africanos “independentes” tais como Togo, Senegal, Benín, Burkina, Faso, Camarão, Congo, Chad, Gabão, Nigéria, Guiné Equatorial, Mali, Costa do Marfim, República Centro-Africana, não é difícil percebert os reais interesses da ex-(?)metrópole. E não sem a colaboração de órgãos como a própria ONU.... Enquanto isso, os imigrantes africanos na Europa comem o pão que o diabo amassou. Deve ser por força da reciprocidade “democrática”...
            Na manutenção dos laços colonialistas, os Estados Unidos não ficam nada a dever. Diante dos reveses sofridos no Iraque, o petróleo africano acirra cada vez mais a cobiça dos norte-americanos. Por meio de uma fonte tomamos conhecimento de que “calcula-se que o subsolo africano tem cerca de 9% das reservas petroleiras do mundo, 100 bilhões de barris. E embora o custo de extração seja mais alto do que no Oriente Médio, porque as jazidas estão no mar, a qualidade é ótima e com pouco teor de enxofre.” (Joaquín Oramas. “Petróleo, únhico interesse dos EUA na África”, in http://www.granma.cu//portugues/2005/julio/juev7/28PetroleP.html).
            Relacionamento desigual do qual não está isento o Brasil, em seus empreendimentos em outros países, através da PETROBRÁS. Que o diga o Povo Boliviano...
            Esperamos que as populações africanas saibam resistir a todos esses assédios. Em especial os países do Golfo da Guiné (Nigéria, Congo, Gabão, Camarões e Guiné Equatorial), cuja “produção de petróleo... ultrapassa os 4,5 milhões de barris diários e supera a produção do Irã, Arábia Saudita ou Venezuela.” Situação agravada pelo fato de que “Atualmente, os Estados Unidos importam perto de 15% de seu petróleo da região e as previsões apontam que essa cifra aumentará até chegar a 25% do total, em 2005. Por seu lado, em 2000, a União Européia importava 22% de seu petróleo dos países do Golfo da Guiné. Muitos desses países estão entre os mais pobres do planeta.” (Ib.)



João Pessoa, 01 de janeiro de 2006.

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